Chuva de meteoros do cometa Halley pode iluminar o céu de Goiás nesta noite; saiba quando e onde observar

Orionídeas atingem o pico entre esta quarta-feira (21) e quinta-feira (22), com possibilidade de até 20 meteoros por hora em condições ideais; fenômeno pode ser visto a olho nu

chuva de meteoros

Fragmentos de um dos cometas mais famosos da história poderão iluminar o céu brasileiro entre a noite desta quarta-feira, 21 de outubro, e a madrugada de quinta-feira (22). A chuva de meteoros Orionídeas, formada por partículas deixadas pelo cometa Halley, atinge seu período de maior atividade e pode produzir até 20 meteoros por hora em condições ideais. O fenômeno será visível em todo o Brasil, inclusive em Goiás, sem necessidade de telescópios ou outros equipamentos.

Apesar da previsão, a quantidade de meteoros visíveis dependerá das condições de observação. A Lua crescente, ainda bastante iluminada, poderá esconder os rastros menos brilhantes durante parte da noite. Por isso, a Nasa recomenda priorizar as horas que antecedem o amanhecer, quando o satélite natural já estiver abaixo do horizonte.

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Cometa Halley não precisa voltar para provocar chuva de meteoros

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Embora a chuva de meteoros tenha origem no cometa Halley, o astro não está passando próximo da Terra neste momento. Na verdade, ele segue uma órbita alongada ao redor do Sol e demora, em média, 76 anos para completar uma volta. Durante suas passagens pela região interna do Sistema Solar, o calor solar provoca a liberação de gases e partículas de poeira de seu núcleo. Parte desse material permanece espalhada ao longo de sua trajetória.

Quando a Terra atravessa uma dessas regiões, os fragmentos entram na atmosfera em alta velocidade e produzem os riscos luminosos conhecidos como estrelas cadentes. Segundo a Nasa, as partículas das Orionídeas podem atingir 66 quilômetros por segundo, aproximadamente 238 mil quilômetros por hora. Dessa forma, mesmo objetos muito pequenos conseguem produzir rastros luminosos que podem durar frações de segundo ou permanecer visíveis por alguns instantes.

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Nome Orionídeas vem de constelação conhecida pelas Três Marias

A chuva de meteoros Orionídeas recebeu esse nome por causa da constelação de Órion, uma das formações estelares mais conhecidas do céu. Na mitologia grega, Órion representa um caçador, enquanto na astronomia abriga estrelas como Betelgeuse e Rigel. No Brasil, a constelação também pode ser identificada pelas Três Marias, nome popular das estrelas Alnitak, Alnilam e Mintaka, que formam o cinturão do personagem mitológico.

Os meteoros parecem surgir de uma região próxima a Betelgeuse, chamada pelos astrônomos de radiante. Entretanto, essa impressão resulta da perspectiva de quem observa os fragmentos entrando na atmosfera terrestre. Assim, não é necessário olhar diretamente para Órion, já que os rastros podem aparecer em diferentes pontos do céu.

Halley já foi considerado sinal de guerras e tragédias

Muito antes de os astrônomos compreenderem sua trajetória, o cometa Halley provocava medo e fascínio em diferentes civilizações. Registros chineses confirmam sua observação em 240 a.C., embora existam referências ainda mais antigas que podem corresponder ao mesmo objeto. Durante séculos, povos associaram o aparecimento de cometas a mudanças políticas, mortes de governantes e acontecimentos considerados sobrenaturais.

Uma das aparições mais conhecidas ocorreu em 1066, durante a conquista normanda da Inglaterra. Naquele ano, o cometa surgiu no céu meses antes da Batalha de Hastings, que terminou com a morte do rei Haroldo II e a vitória de Guilherme, duque da Normandia. O fenômeno aparece na Tapeçaria de Bayeux, obra medieval que retrata episódios relacionados ao conflito. Enquanto parte dos ingleses interpretou sua presença como um mau presságio, os normandos associaram o acontecimento à possibilidade de vitória.

Astrônomo descobriu que cometa retornava ao Sistema Solar

O nome Halley homenageia o astrônomo inglês Edmond Halley (1656–1742), responsável por demonstrar que determinadas aparições de cometas correspondiam ao mesmo corpo celeste. Em 1705, ele utilizou cálculos baseados nas leis de gravitação de Isaac Newton para comparar observações realizadas em 1531, 1607 e 1682. As semelhanças entre as trajetórias levaram à conclusão de que o objeto retornava periodicamente ao Sistema Solar.

A partir dos cálculos, Halley previu uma nova aparição em 1758, mas morreu antes de acompanhar a confirmação. O cometa foi redescoberto em dezembro daquele ano, comprovando sua previsão e representando um avanço para a astronomia. Desde então, o astro recebeu seu nome e passou a ser conhecido oficialmente como 1P/Halley. A letra P identifica os cometas periódicos, enquanto o número 1 indica que ele foi o primeiro dessa categoria a receber uma designação oficial.

Passagem de 1910 provocou medo de envenenamento e chuva de meteoros

Em 1910, o retorno do cometa provocou uma onda de preocupação em diferentes países. Naquele período, cientistas identificaram a presença de cianogênio, um gás tóxico, em sua cauda. Como os cálculos indicavam que a Terra atravessaria parte desse material, surgiram rumores de que a população poderia sofrer um envenenamento em massa. Entretanto, a concentração extremamente baixa de partículas não representava o perigo anunciado.

O episódio também ficou marcado pelo surgimento de produtos comercializados como supostas formas de proteção contra o cometa. Apesar dos receios, a passagem ocorreu sem a catástrofe prevista. Naquele ano, os astrônomos também conseguiram obter registros fotográficos do Halley, ampliando o conhecimento sobre sua aparência. A observação ajudou a documentar uma das aproximações mais conhecidas do astro no século XX.

Última visita do Halley aconteceu em 1986

A passagem mais recente do cometa Halley aconteceu em 1986, quando uma operação internacional enviou diferentes sondas espaciais para estudá-lo. Entre elas estava a Giotto, da Agência Espacial Europeia (ESA), que se aproximou do núcleo e registrou imagens inéditas de sua superfície. Missões soviéticas e japonesas também participaram das observações, permitindo analisar a composição e o comportamento do astro.

Os estudos revelaram um núcleo irregular, com aproximadamente 15 quilômetros de comprimento e 8 quilômetros de largura, composto principalmente por gelo, poeira e materiais rochosos. Outro resultado chamou atenção dos pesquisadores, o Halley apresenta uma superfície extremamente escura, que reflete apenas cerca de 3% da luz solar. Embora o cometa tenha despertado grande expectativa em 1986, sua posição em relação à Terra não favoreceu uma observação tão impressionante quanto a registrada em 1910.

Próxima aparição do cometa está prevista para 2061

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Quem deseja observar o cometa Halley propriamente dito terá de esperar até 2061, ano previsto para sua próxima passagem pela região interna do Sistema Solar. O astro deverá atingir o periélio, ponto de maior aproximação do Sol, em julho daquele ano. Como sua órbita sofre pequenas alterações provocadas pela gravidade dos planetas, o intervalo entre as visitas não é sempre exatamente igual.

Apesar da longa espera, os vestígios deixados pelo cometa continuam produzindo fenômenos todos os anos. Em maio, a Terra atravessa partículas responsáveis pela chuva de meteoros Eta Aquáridas. Já em outubro, encontra a região associada às Orionídeas. Dessa maneira, o mesmo cometa origina dois eventos astronômicos anuais, mesmo quando está a bilhões de quilômetros da Terra.

Melhor horário para ver a chuva de meteoros em Goiás

Para quem pretende acompanhar a chuva de meteoros em Goiânia e no interior de Goiás, a madrugada de 22 de outubro oferece uma oportunidade de observação. A Nasa aponta que a fase crescente gibosa da Lua poderá prejudicar a visibilidade no começo da noite. Entretanto, as condições tendem a melhorar depois que o satélite desaparecer do horizonte, permitindo observar meteoros menos brilhantes antes do amanhecer.

O Observatório Nacional orienta os brasileiros a procurar a região nordeste ou norte do céu, mantendo o olhar ligeiramente afastado de Órion. Em áreas urbanas, como Goiânia, a iluminação artificial também reduz a quantidade de rastros visíveis. Por isso, locais seguros e afastados das luzes intensas oferecem melhores condições. A previsão de 10 a 20 meteoros por hora representa uma estimativa para ambientes ideais, e não uma quantidade garantida para todos os observadores.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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