Conheça Smith Art Tattoo, grafiteiro goiano criticado por Luciano Hang, dono da Havan

Artista confessa que sempre foi apaixonado pela arte

Conheça Smith Art, grafiteiro goiano criticado por Luciano Hang, dono da Havan

Grafiteiro, tatuador e artista visual, Smith Art Tattoo, de 38 anos, respira arte desde o nascimento. Filho de uma artista plástica, ele chegou a estudar artes visuais na Universidade Federal de Goiás (UFG), mas afirma que o contato com a arte começou muito antes, ainda na infância.

Amante do skate de rua, o artista se interessou pelo grafite em 2005. Desde então, aprimorou suas técnicas e levou sua arte para muros de Goiânia e de outras cidades brasileiras. “Eu sempre fui apaixonado por arte desde muito cedo, mas o grafite sempre me chamou muita atenção. Desde moleque, andando de skate na rua, eu já admirava a arte”, destacou ao portal Gazeta Culturismo.

Com um espírito artístico inquieto, em 2013 Smith decidiu estudar a arte da tatuagem e passou a marcar a pele com seus traços. Ao longo dos anos, se tornou um tatuador reconhecido e construiu um portfólio expressivo dentro desse universo. Entre os nomes que já passaram por suas mãos estão artistas como Jiraya Uai, MC Kevinho, MC Jacaré, MC Lozin, entre outros.

Pela cidade, o artista coleciona murais com os mais diversos estilos e desenhos. Muitos deles surgiram a partir de convites para desenvolver obras em locais específicos, enquanto outros foram realizados após autorização de moradores e instituições, em trabalhos feitos de forma voluntária, com o próprio artista custeando materiais e execução.

Conheça Smith Art Tattoo, grafiteiro goiano criticado por Luciano Hang, dono da Havan

Questionado sobre quantos murais já produziu ao longo da carreira, Smith diz que perdeu a conta. “É um número fora do meu controle, porque já são 21 anos nesse mundo”, afirmou.

Além da carreira individual, o artista também faz parte do grupo Q20 Crew, coletivo que realiza intervenções artísticas em escolas, Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), residências, empresas e outros espaços da cidade.

Segundo ele, o grupo costuma se reunir semanalmente para levar cor e arte para os bairros. “Quarta-feira, às 20h, que para muita gente é horário de futebol, para nós é o horário de ir para a rua fazer grafite”, conta.

Sobre as oportunidades para artistas urbanos em Goiânia, Smith afirma que a cidade possui uma cena forte, mas destaca que o grafite nas ruas ainda envolve riscos. “Goiânia é um lugar muito bom para grafiteiros. Temos uma cena atual muito forte e até empresas de graffiti registradas com CNPJ. Mas o graffiti vai ser sempre perigoso para quem pinta na rua, porque alguma coisa sempre pode acontecer”, explica.

Entre os trabalhos que marcaram sua trajetória, um mural realizado no batalhão da Rotam é considerado o mais especial. “O meu mural mais memorável, sem dúvida, é o da Rotam da Polícia Militar. Foi uma grande honra trabalhar naquele local, onde fiz grandes amizades e pude mostrar que o graffiti é bem recebido em todas as áreas”, relata.

Para Smith, o grafite também possui um papel social importante. “O grafite faz parte da nossa cultura. Crescemos nesse meio. Somos jovens de periferia que sempre buscamos nos esquivar do crime por meio da arte”, destacou.

Smith Art Tattoo

Luciano Hang critica grafite de Smith Art Tattoo em viaduto de Goiânia

Na última quarta-feira (11), o empresário Luciano Hang, proprietário da rede varejista Havan, publicou um vídeo nas redes sociais criticando Smith Art Tattoo. No vídeo, Hang questiona o fato de o artista ter grafitado um viaduto que havia sido recentemente pintado pelo empresário e pelo prefeito de Goiânia, Sandro Mabel.

Após a repercussão da publicação, Smith afirmou que ele e sua família passaram a receber ameaças nas redes sociais.

O artista explicou o motivo de ter realizado o grafite no local. “Na questão do viaduto, eu olhei no ChatGPT e lá dizia que em lugares públicos não eram proibidos para fazer graffiti. Então fui lá e fiz. Foi aí que gerou tudo isso”, disse.

Na avaliação do grafiteiro, grafite e pichação têm origens próximas dentro da cultura urbana. “Na minha opinião, o graffiti e a pichação andam muito lado a lado. Muitos grafiteiros já foram pichadores um dia e encontraram no graffiti uma forma de viver da arte”, afirma.

Investimento e reconhecimento: os desafios da arte de rua

Smith Art Tattoo

Apesar de ter ganhado mais visibilidade nas últimas décadas, a arte urbana ainda enfrenta desafios para alcançar maior reconhecimento institucional e investimento.

Para Smith, a paixão é o que mantém muitos artistas ativos nas ruas. “Grafiteiro é tudo meio louco. A gente está nisso porque ama de paixão. Quem vai só para aparecer não dura muito tempo”, afirma.

Ele acredita que iniciativas culturais e apoio da mídia são fundamentais para fortalecer o movimento. “Eu acredito que a mídia é muito importante, mas oficinas de graffiti para jovens da periferia seriam uma das melhores formas de trabalhar a cultura e abrir novas oportunidades para os adultos do futuro. O graffiti, por ser uma arte criminalizada, muitas vezes não recebe o olhar público que merece, mas isso vai mudar”, defende.

Segundo Smith Art Tattoo, a maior barreira enfrentada pelo grafite ainda é a falta de informação.

A história do grafite no Brasil e no mundo

A arte urbana, especialmente o grafite, é uma forma de expressão artística realizada em espaços públicos, como muros, paredes e trens. Ela surgiu como um meio de comunicação e manifestação social, permitindo que artistas expressem ideias, críticas e identidades culturais fora dos espaços tradicionais de arte.

O grafite moderno começou a se desenvolver no final da década de 1960 e início dos anos 1970 em Nova York, nos Estados Unidos. Nesse período, jovens passaram a escrever seus apelidos ou assinaturas, chamadas de tags, em muros e vagões de metrô. Um dos primeiros grafiteiros a se tornar conhecido foi Taki 183, que espalhou sua assinatura pela cidade e acabou chamando a atenção da mídia.

Com o tempo, o grafite evoluiu e passou a incluir letras estilizadas, personagens e murais coloridos, transformando-se em uma forma de arte reconhecida mundialmente.

No Brasil, o grafite ganhou força principalmente em São Paulo a partir da década de 1980, influenciado pela cultura hip-hop e pelos movimentos urbanos. Um dos pioneiros dessa arte no país foi Alex Vallauri.

Com o passar dos anos, artistas brasileiros conquistaram reconhecimento internacional, como Os Gêmeos e Eduardo Kobra, conhecidos por seus murais coloridos e estilos marcantes.

Atualmente, o grafite é reconhecido como uma importante forma de arte contemporânea e expressão cultural urbana, transformando espaços públicos em verdadeiras galerias a céu aberto e levando mensagens sociais, políticas e culturais para a população.

Acesse e veja outros trabalhos do artista: https://www.instagram.com/smithartattoo/

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