Dia Mundial da Saúde abre debate sobre urgência de um modelo mais preventivo no Brasil

Crescimento das doenças crônicas e envelhecimento da população reforçam necessidade de cuidado contínuo

Dia Mundial da Saúde abre debate sobre urgência de um modelo mais preventivo no Brasil

O avanço das doenças crônicas e o envelhecimento da população têm pressionado o sistema de saúde do Brasil e reforçado a necessidade de mudança no modelo de cuidado. Hábitos preventivos deixam de ser apenas uma recomendação e passam a ter papel central na qualidade de vida e na forma como o cuidado em saúde é estruturado.

Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos por ano. 

Levantamento do Ministério da Saúde, por meio da Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), mostra que fatores de risco também avançam. A prevalência de excesso de peso em adultos aumentou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. Já o percentual de brasileiros com diagnóstico de diabetes subiu de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. 

O cenário aponta para o crescimento das doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e obesidade, que exigem acompanhamento constante e impactam diretamente a demanda por serviços de saúde.

No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, esse cenário amplia o debate sobre a necessidade de fortalecer estratégias de prevenção e acompanhamento contínuo, como o controle regular de pacientes com hipertensão e diabetes, a ampliação da vacinação e o acesso a consultas e exames na atenção básica, medidas que podem evitar a evolução de quadros simples para internações. 

Além disso, fatores relacionados ao estilo de vida, como alimentação inadequada, sedentarismo e baixa adesão aos tratamentos, também contribuem para o agravamento dessas condições e aumentam o risco de hospitalização.

O cenário também se reflete no volume de atendimentos do setor. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que os planos de saúde realizaram 1,94 bilhão de procedimentos em 2024. Desse total, 9,1 milhões foram internações hospitalares, número que, embora represente uma pequena parcela dos atendimentos, está diretamente associado aos casos mais graves e de maior complexidade.

Parte dessas internações está relacionada a condições que poderiam ser evitadas ou controladas com acompanhamento adequado na atenção básica, como complicações de diabetes, hipertensão, asma e infecções. 

Iniciativas que antecipam o cuidado

Diante desse panorama nacional, iniciativas regionais buscam reforçar a prevenção como estratégia para melhorar a qualidade de vida da população e reduzir a sobrecarga do sistema. Em Goiânia, o Instituto Unimed Goiânia desenvolve ações com foco em educação em saúde, incentivo à atividade física e o acompanhamento de pacientes. A proposta é atuar antes do agravamento das doenças. “Quando você investe em prevenção, consegue reduzir agravamentos e evitar internações desnecessárias. Isso melhora a vida do paciente e traz mais eficiência para todo o sistema”, afirma o diretor de mercado e presidente do Instituto Unimed Goiânia, Dr. Frederico Xavier.

Para o diretor-presidente da Unimed Goiânia, Dr. Lueiz Amorim Canedo, a sustentabilidade do sistema de saúde passa, necessariamente, pela mudança na forma como o cuidado é estruturado. “Não se trata apenas de ampliar o acesso, mas de garantir que ele aconteça no momento certo, com acompanhamento contínuo e foco na prevenção.”

Com a mudança no perfil da população e aumento da demanda por cuidados contínuos, a forma como a saúde é organizada tende a passar por transformações. A prevenção, nesse contexto, deixa de ser apenas uma recomendação e passa a ocupar um papel cada vez mais estratégico na organização do cuidado.


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