Dor de cabeça afeta mais da metade dos lares brasileiros e estresse lidera entre as principais causas

Levantamento nacional revela que mais da metade dos lares brasileiros enfrenta episódios mensais do sintoma, com impacto direto da saúde mental

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  • . atualizado em 30/06/2026 às 17:57
Dor de cabeça entenda quais são os principais motivos e

A dor de cabeça permanece entre as queixas de saúde mais frequentes da população brasileira. Segundo a Pesquisa Analgésico Panel Voice 2024, realizada pela Kantar em 1.700 domicílios, 58,3% dos lares registram pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. Os dados revelam que fatores ligados à saúde mental, como estresse, ansiedade e fadiga, estão entre os principais desencadeadores do problema, reforçando a influência da rotina intensa e da sobrecarga emocional na qualidade de vida dos brasileiros.

Embora seja um sintoma comum, a dor de cabeça pode ter diferentes origens e características. Algumas crises são ocasionais e estão relacionadas a fatores temporários, enquanto outras podem indicar condições crônicas, como a enxaqueca, ou até mesmo sinalizar doenças que exigem avaliação médica. Por isso, identificar a causa é fundamental para definir o tratamento mais adequado e evitar a automedicação indiscriminada.

A médica especialista em dor Denise Katz explica que os fatores responsáveis pelas cefaleias podem ser agrupados em três categorias principais: alterações relacionadas à saúde mental e ao cansaço físico ou emocional, condições clínicas preexistentes e hábitos de vida.

Segundo a especialista, as dores de intensidade leve a moderada costumam estar mais associadas ao estresse, à ansiedade e ao esgotamento físico e mental. Já as crises de enxaqueca, caracterizadas por dor intensa, pulsátil e frequentemente acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz e ao som, geralmente possuem relação com fatores genéticos e doenças crônicas. Além disso, comportamentos cotidianos, como permanecer muitas horas diante de telas, alimentar-se de forma inadequada, dormir pouco e ingerir pouca água, podem favorecer o surgimento de diferentes tipos de dor de cabeça.

Principais causas da dor de cabeça

Os dados da pesquisa apontam que os principais fatores associados aos episódios de dor de cabeça são:

  • Estresse e ansiedade – 44%;
  • Cansaço físico ou mental – 43%;
  • Sintomas de gripe e outras infecções virais – 24,3%;
  • Alterações hormonais e cólicas menstruais – 23,4%;
  • Condições crônicas, como enxaqueca – 21,7%;
  • Falta de sono ou insônia – 21,3%;
  • Dores associadas a outros problemas de saúde – 13%;
  • Exposição prolongada a telas eletrônicas – 12%;
  • Má alimentação ou longos períodos em jejum – 8%;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas – 6,7%;
  • Desidratação – 2,2%;
  • Reações adversas a medicamentos – 2,2%.

Especialistas destacam que muitos desses fatores podem ocorrer de forma simultânea. Uma rotina marcada por estresse, poucas horas de sono, alimentação irregular e uso excessivo de dispositivos eletrônicos, por exemplo, aumenta significativamente o risco de episódios recorrentes de dor de cabeça.

Tratamento deve considerar o tipo de dor

O levantamento também identificou diferenças na escolha dos analgésicos conforme a origem da dor. De acordo com Denise Katz, cada organismo pode responder de maneira diferente aos medicamentos, e a indicação deve levar em conta o tipo de dor apresentado.

Nas dores de cabeça comuns, a dipirona costuma apresentar boa resposta terapêutica, tanto de forma isolada quanto em associações medicamentosas que incluem mucato de isometepteno e cafeína, combinação utilizada em alguns casos específicos de cefaleia.

Já as dores musculares geralmente exigem uma abordagem diferente, com medicamentos que associam dipirona monoidratada, citrato de orfenadrina e cafeína, proporcionando ação analgésica e relaxante muscular ao mesmo tempo.

A especialista ressalta que as formulações combinadas tendem a oferecer melhores resultados em determinadas situações clínicas, enquanto medicamentos com apenas um princípio ativo podem ser suficientes para dores mais simples. Em qualquer caso, o uso deve respeitar orientação profissional e as recomendações presentes na bula.

Automedicação pode trazer riscos

Apesar de amplamente utilizados, os analgésicos não devem ser consumidos de forma frequente sem acompanhamento médico. O uso excessivo pode mascarar doenças mais graves, dificultar o diagnóstico correto e até provocar um quadro conhecido como cefaleia por abuso de medicamentos, em que o próprio analgésico passa a contribuir para o surgimento das crises.

Além disso, dores de cabeça persistentes, muito intensas, que surgem de forma súbita ou vêm acompanhadas de sintomas como febre, alterações na visão, perda de força, dificuldade para falar ou confusão mental exigem avaliação médica imediata.

Hábitos saudáveis ajudam na prevenção

Embora nem todos os casos possam ser evitados, mudanças simples na rotina contribuem para reduzir a frequência das dores de cabeça. Dormir adequadamente, manter uma boa hidratação, alimentar-se em horários regulares, praticar atividade física, controlar o estresse e fazer pausas durante o uso de computadores e celulares estão entre as medidas recomendadas por especialistas.

Em um cenário marcado pelo aumento das demandas profissionais, da exposição às telas e do desgaste emocional, compreender os fatores que desencadeiam a dor de cabeça e buscar tratamento baseado em evidências científicas torna-se essencial para preservar a saúde, melhorar a qualidade de vida e evitar que um problema comum se transforme em uma condição crônica.


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