Empreendedorismo feminino cresce em Goiás e já reúne 374 mil mulheres à frente de negócios

Estudo do Sebrae revela avanço da formalização, aumento da renda e desafios enfrentados por microempreendedoras no estado

Empreendedorismo feminino cresce em Goiás e já reúne 374 mil mulheres à frente de negócios

O empreendedorismo feminino ganhou dimensão significativa na economia de Goiás e hoje reúne 374 mil mulheres à frente de negócios no estado. O dado aparece no estudo Perfil da Mulher Empreendedora, divulgado pelo Sebrae Goiás em 06 de março, que traça um panorama atualizado sobre quem são essas empresárias, onde atuam e quais desafios enfrentam no dia a dia.

O levantamento também serve como referência para políticas públicas e iniciativas de capacitação voltadas ao setor. A pesquisa analisa desde características sociais até renda, escolaridade, áreas de atuação e dificuldades enfrentadas pelas empresárias. Nesta edição, o estudo dedica atenção especial às microempreendedoras individuais (MEI), consideradas uma das principais portas de entrada para quem inicia um pequeno negócio.

Entre os cerca de 1 milhão de pequenos negócios ativos em Goiás, aproximadamente 435 mil são comandados por mulheres, o que corresponde a 44% do total. Esse crescimento reflete um movimento que mistura busca por independência financeira, geração de renda familiar e novas oportunidades no mercado.

O relatório integra o primeiro volume da Coleção Identidade, série que reúne dados estratégicos sobre o ambiente empreendedor no estado. Além dos números gerais, a publicação apresenta recortes sobre raça, escolaridade, renda e setores econômicos em que as mulheres têm maior presença.

Perfil das empreendedoras revela mudanças sociais

O estudo mostra que a idade média das empreendedoras goianas é de 43 anos. A maioria se identifica como negra, grupo que representa 53% das empresárias. Outro dado relevante aponta nível educacional elevado: 38% possuem ensino superior.

Apesar da formação acadêmica, a desigualdade de renda ainda aparece com força. Homens empreendedores recebem, em média, 35% a mais por mês. Entre profissionais com ensino superior, a diferença é ainda maior, chegando a 56%.

Mesmo diante desse cenário, o rendimento feminino apresentou avanço nos últimos dez anos. A renda média mensal das empreendedoras aumentou 44%, alcançando R$ 3.723.

A pesquisa também aponta transformações no papel das mulheres dentro das famílias. Atualmente, 53% das empreendedoras são chefes de família, assumindo a principal responsabilidade financeira do lar.

Outro aspecto que chama atenção é o local de trabalho. 38% mantêm o negócio dentro de casa, conciliando atividades empresariais com tarefas domésticas e cuidados familiares.

A formalização também avançou ao longo da última década. Em 2016, apenas 30% das empreendedoras estavam regularizadas. Em 2025, o índice subiu para 45%, movimento que impacta diretamente no faturamento. Mulheres formalizadas ganham 1,5 vez mais do que aquelas que atuam de maneira informal.

No ambiente empresarial goiano, as mulheres respondem por 41% das empresas criadas e por 44% das empresas em funcionamento. A maior concentração está nas categorias de microempreendedoras individuais, responsáveis por 49% dos negócios ativos liderados por mulheres.

Os setores de serviços e comércio concentram a maior presença feminina. Serviços representam 55% das atividades, enquanto o comércio reúne 31%. Áreas ligadas ao cuidado pessoal, alimentação e confecção aparecem entre as mais frequentes.

Quatro cidades concentram metade dos negócios liderados por mulheres no estado: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e Rio Verde.

Mulheres MEI lideram expansão dos pequenos negócios

A edição atual do levantamento dedica atenção especial às microempreendedoras individuais. Em Goiás, existem 214.121 mulheres registradas como MEI, número que representa 49% das empresas ativas comandadas por mulheres.

Grande parte desses negócios ainda está em fase inicial. Cerca de 60% têm até 3,5 anos de atividade, enquanto 40% já alcançaram estágios mais maduros. Dentro desse grupo, 10% ultrapassaram 10 anos de funcionamento.

Entre as áreas mais comuns de atuação estão os serviços pessoais, principalmente beleza e estética. Também se destacam o comércio varejista de roupas e produtos diversos, além do setor de alimentação, que inclui restaurantes e serviços de comida.

As motivações para abrir um negócio variam entre oportunidade e necessidade. Segundo a pesquisa, 41% iniciaram a empresa pelo desejo de empreender ou aproveitar uma oportunidade, enquanto 39% buscaram flexibilidade e autonomia no trabalho.

O impacto financeiro dessas atividades é direto na vida familiar. Para 76% das empreendedoras, o negócio representa a principal fonte de renda da casa.

A maioria atua em estabelecimentos fixos, cenário que reúne 38% das empresárias, enquanto 29% trabalham dentro de casa, conciliando trabalho com responsabilidades domésticas.

Desafios financeiros e digitais ainda limitam crescimento

Mesmo com a expansão do empreendedorismo feminino, as dificuldades continuam presentes no cotidiano dessas empresárias. O levantamento indica que 78% enfrentam problemas financeiros na gestão do negócio.

Dentro desse grupo, 46% relatam dificuldade para manter as contas em dia, enquanto 32% afirmam não conseguir pagar todas as despesas mensais.

Entre os principais obstáculos apontados estão acesso ao crédito, citado por 39% das entrevistadas, seguido pela expansão do negócio, mencionada por 29%, e pela falta de conhecimento em gestão, apontada por 27%.

No campo tecnológico, a presença digital ainda cresce de forma gradual. O WhatsApp Business aparece como a ferramenta mais utilizada, presente em 57% dos negócios, seguido pelo Instagram Business, adotado por 27% das empreendedoras.

Apesar disso, 25% das empresárias ainda enfrentam exclusão digital, e 75% não utilizam inteligência artificial em suas atividades.

Os principais motivos para a baixa digitalização estão ligados ao custo das ferramentas e à falta de conhecimento. 34% apontam o alto investimento como barreira, enquanto 33% dizem não saber como vender pela internet.

Receba as principais notícias diariamente em seu celular. Entre no canal de WhatsApp do portal Gazeta Culturismo clicando aqui.


IMG_2367
Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.

Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.