Atividade intensa registrada por sondas da Nasa levanta atenção para riscos ao clima espacial e possíveis interferências tecnológicas
Uma série incomum de explosões solares de grande porte registrada em menos de três dias colocou novamente o Sol no centro das atenções científicas. A Nasa detectou pelo menos cinco erupções solares extremamente energéticas partindo da região ativa chamada AR 4366, evidenciando um período de forte instabilidade magnética no astro.
As explosões mais recentes pertencem à classe X, considerada a categoria mais poderosa de eventos solares. A maior delas arremessou grandes volumes de plasma e partículas carregadas para o espaço, parte desse material segue na direção da Terra e deve interagir com o campo magnético do planeta nos próximos dias.
Pesquisadores avaliam que os efeitos esperados tendem a ser moderados, porém perceptíveis. Entre os cenários estão auroras visíveis em áreas fora das regiões polares e possíveis oscilações em sistemas de comunicação, navegação por satélite e redes de energia.
A atenção se volta especialmente para a AR 4366 por sua combinação rara de tamanho e frequência de atividade. A mancha solar associada à região possui dimensões aproximadas dez vezes maiores que a Terra e, desde o fim de janeiro, já produziu dezenas de explosões de diferentes intensidades.
Uma erupção solar é uma descarga repentina de energia acumulada nos campos magnéticos do Sol. Elas ocorrem como parte natural do ciclo solar, que dura cerca de 11 anos e envolve a inversão dos polos magnéticos do astro.
Embora esses fenômenos não sejam incomuns, a concentração de eventos extremos em um intervalo tão curto desperta preocupação. Especialistas destacam que períodos como este aumentam a probabilidade de tempestades geomagnéticas capazes de afetar tecnologias sensíveis.
A AR 4366 apresenta um padrão magnético altamente complexo, com linhas de campo entrelaçadas e sujeitas a rupturas. Esse tipo de configuração favorece explosões súbitas e difíceis de prever.
O acompanhamento constante dessas regiões tornou-se prioridade para centros de monitoramento ao redor do mundo, já que pequenas variações podem indicar mudanças rápidas no comportamento do Sol.
A importância desse monitoramento ficou clara após estudos recentes sobre outra área extremamente ativa do Sol, a NOAA 13664. Entre abril e julho de 2024, ela foi observada quase continuamente por duas sondas espaciais.
A união de dados do Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia, com o Observatório de Dinâmica Solar, da Nasa, permitiu acompanhar a região ao longo de três rotações completas do Sol, um feito considerado inédito. Quando a NOAA 13664 voltou a ficar visível a partir da Terra, em maio de 2024, desencadeou as tempestades geomagnéticas mais intensas registradas desde 2003.
Auroras foram vistas em partes incomuns da Europa, enquanto satélites apresentaram falhas, comunicações sofreram interrupções e sistemas de posicionamento enfrentaram instabilidades.
Os cientistas observaram que, ao longo de semanas, o campo magnético da NOAA 13664 tornou-se progressivamente mais intrincado. Esse processo culminou em uma das maiores erupções solares das últimas duas décadas, registrada no lado oculto do Sol.
O episódio mostrou que áreas aparentemente estáveis podem evoluir rapidamente para fontes de eventos extremos. Esse comportamento desafia os modelos atuais de previsão.
Hoje, os especialistas conseguem identificar regiões com maior potencial de atividade, mas ainda não é possível determinar com exatidão quando uma grande erupção ocorrerá ou qual será sua força. Para reduzir essa incerteza, agências espaciais desenvolvem novas missões dedicadas exclusivamente ao estudo do clima espacial, como a sonda europeia Vigil, prevista para ser lançada na próxima década.
Cada nova sequência de explosões solares lembra que a dinâmica do Sol não é um espetáculo distante. Ela influencia diretamente uma sociedade cada vez mais dependente de satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação que podem ser impactados por tempestades vindas do espaço.
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