Programa educacional leva alfabetização e certificação escolar para obras da MRV no estado
A rotina dos canteiros de obras em Goiás ganhou um novo significado com a chegada de salas de aula que transformam trajetórias pessoais e profissionais. O programa Escola Nota 10, desenvolvido pela MRV, leva alfabetização, certificação escolar e desenvolvimento humano diretamente aos trabalhadores da construção civil, criando impacto imediato dentro e fora das obras.
Criada em 2011, a iniciativa se espalhou pelo Brasil e passou a ser implantada em Goiás a partir de 2022. Desde então, canteiros em Goiânia e Anápolis abrigam escolas ativas, integradas à rotina de trabalho e pensadas para quem precisou interromper os estudos no passado.
Os resultados chamam atenção. Ao todo, 49 colaboradores em Goiás já participaram das atividades educacionais, com 21 alunos certificados e 44 certificados emitidos. Histórias individuais de retomada dos estudos se somam a ganhos coletivos em engajamento e desempenho.
No cenário nacional, o alcance é ainda maior. O programa soma 319 escolas implantadas em canteiros de obras, com 28 unidades em funcionamento atualmente e impacto direto na formação de 7.039 alunos em diferentes regiões do país.
Para quem acompanha o projeto de perto, os números carregam significado humano. Segundo o gestor de Produção da MRV em Goiás, Antônio Caio Ribeiro, o programa permanece ativo e relevante no estado. “Esses números representam mais do que estatísticas: são histórias de superação, de pessoas que retomaram os estudos e ampliaram suas oportunidades dentro e fora da empresa. Seguimos comprometidos com a educação como ferramenta de transformação, porque vemos na prática o impacto positivo na autoestima, no desempenho profissional e no engajamento da equipe”, afirma.
A partir de 2022, o Escola Nota 10 passou por uma reestruturação metodológica em parceria com o Alicerce Educação. A mudança ampliou a escala do projeto, aumentou o engajamento dos participantes e trouxe indicadores mais consistentes de aprendizagem.
Nessa nova fase, 1.092 colaboradores foram certificados em todo o país. Desse total, 239 se inscreveram no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, o Encceja, que valida o ensino fundamental e médio.
A frequência média dos alunos chegou a 76%. Internamente, a empresa atingiu 81% da meta de implantação de ao menos uma unidade do programa por gestores e vice presidentes em suas operações.
O avanço educacional também se reflete fora dos canteiros. Um estudo apresentado no Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos, durante o Pacto EJA, em 2025, aponta que a alfabetização de adultos pode gerar aumento de renda de até 16%.
Para a MRV, o retorno vai além do aspecto social. O Diretor Executivo de Relações Institucionais e Sustentabilidade, Raphael Lafetá, destaca os efeitos diretos do projeto. “Os resultados do Escola Nota 10 mostram que educação é um vetor poderoso de transformação social e de geração de valor para a empresa, incluindo nossos colaboradores e todo o ecossistema do qual fazemos parte. Ao longo dos anos, o programa evoluiu, ganhou escala e passou a apresentar impactos concretos em produtividade, retenção e engajamento, além de um retorno social significativo. Trata-se de um exemplo claro de como iniciativas bem estruturadas de responsabilidade social podem gerar importantes impactos socioeducacionais para os colaboradores e suas famílias”, diz.
O perfil dos participantes ajuda a explicar o alcance da iniciativa. Entre os alunos, 64% acumulam mais de 10 anos de experiência na construção civil, enquanto 58% ingressaram no programa há menos de seis meses, mostrando adesão rápida.
A faixa etária também revela diversidade. Cerca de 38% têm entre 45 e 59 anos, e 44% trabalham na MRV entre um e três anos. A presença feminina representa 15% do total, enquanto 58% dos participantes se autodeclaram pardos e 27% pretos.
O interesse em avançar nos estudos é elevado. Entre os alunos, 82% manifestam desejo de prestar o Encceja, enxergando a certificação como porta de entrada para novas oportunidades profissionais e pessoais.
Pesquisas internas mostram ganhos percebidos no dia a dia das obras. Entre lideranças, 62% identificam aumento de produtividade e 77% apontam contribuição direta do programa para a permanência dos colaboradores na empresa. Todas as lideranças reconhecem a valorização profissional gerada pela iniciativa.
Do lado dos participantes, 83% afirmam querer permanecer mais tempo na MRV por causa do programa. Outros 89% relatam melhora na produtividade, enquanto 100% avaliam a ação como positiva para trabalhadores e companhia.
O impacto foi mensurado pelo Social Return on Investment, metodologia que traduz efeitos sociais em valores financeiros. O levantamento aponta que cada R$ 1 investido no Escola Nota 10 gerou R$ 13,63 em retorno social.
Entre os efeitos estão aumento médio de 9,3% na valorização dos colaboradores alfabetizados, potencial de R$ 22,4 milhões em renda familiar adicional e R$ 34,1 milhões em economia para o poder público com educação de jovens e adultos.
Os resultados também renderam reconhecimento externo. Em 2025, o programa recebeu o Leão de Bronze no Festival de Cannes e venceu o Troféu Jatobá na categoria Causa e Propósito, ampliando sua visibilidade no cenário nacional e internacional.
Em parceria com o Alicerce Educação, a MRV ainda obteve certificação ESG em Obras, que reconhece práticas sustentáveis nos canteiros. A empresa também conquistou pódios em duas das três modalidades das Olimpíadas de Matemática promovidas pelo parceiro.
Ao levar educação para dentro das obras, o Escola Nota 10 cria um ambiente onde capacitação, autoestima e desempenho caminham juntos. O canteiro deixa de ser apenas espaço de trabalho e passa a ser também território de aprendizado e novas possibilidades.
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