Apresentação reúne obras de Carl Nielsen, Paul Hindemith, Villa-Lobos e Gunther Schuller
A Orquestra Filarmônica de Goiás (OFG) realiza nesta quinta-feira (30), às 20h, o segundo concerto de câmara de 2026. A apresentação ocorre no Teatro Sesi, no Setor Santa Genoveva, em Goiânia. A entrada é gratuita e o público não precisa retirar ingressos antecipadamente. Desta vez, pequenos conjuntos instrumentais assumem o palco para interpretar obras ligadas às transformações da música de concerto no século XX.
O programa reúne composições de Carl Nielsen, Paul Hindemith, Heitor Villa-Lobos e Gunther Schuller. Ao longo da noite, sopros e metais ganham protagonismo em formações menores que permitem perceber características individuais dos instrumentos. Além disso, o repertório aproxima diferentes escolas musicais e mostra como compositores do século XX combinaram novas linguagens com elementos culturais de seus países.
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No primeiro ato, flauta, oboé, clarineta, trompa e fagote formam o conjunto responsável por duas obras. A primeira será o “Quinteto de Sopros”, do compositor dinamarquês Carl Nielsen. A peça explora as particularidades sonoras de cada instrumento e coloca os integrantes em constante diálogo. Assim, o público poderá acompanhar como diferentes timbres se encontram dentro de uma formação reduzida.
Na sequência, a OFG apresenta “Kleine Kammermusik”, do alemão Paul Hindemith. A composição também utiliza o quinteto de sopros, porém trabalha movimentos enérgicos e diferentes combinações entre os instrumentos. Dessa forma, as duas obras mostram possibilidades distintas para uma formação que ganhou espaço na música de câmara do século XX.
O segundo ato muda a formação instrumental e concentra a apresentação nos metais. A obra brasileira “Choros nº 4”, de Heitor Villa-Lobos, integra essa etapa do concerto. A composição aproxima elementos da música de concerto de referências brasileiras e faz parte da série Choros, uma das produções que marcaram a trajetória do compositor.
Já “Music for Brass Quintet”, do norte-americano Gunther Schuller, completa o repertório da noite. Segundo a organização, as obras escolhidas para essa etapa transitam entre tradição e modernidade e apresentam referências às identidades musicais do Brasil e dos Estados Unidos. Enquanto Villa-Lobos dialoga com elementos do choro, a composição de Schuller incorpora referências associadas às tradições musicais norte-americanas.
O segundo concerto de câmara faz parte da temporada 2026 da Orquestra Filarmônica de Goiás, intitulada “Natureza e Sons”. Neste ano, a programação busca explorar relações entre música e natureza a partir de obras de diferentes períodos, gerações e escolas. Com isso, a temporada propõe mostrar como elementos do mundo natural atravessaram a criação de compositores em diferentes contextos.
A apresentação de julho também amplia a experiência oferecida pelos concertos sinfônicos tradicionais. Em vez de reunir toda a orquestra simultaneamente, a música de câmara coloca formações menores diante do público. Assim, sopros e metais ocupam espaços próprios no programa e permitem uma escuta mais concentrada dos timbres e das combinações entre os instrumentos.
A Orquestra Filarmônica de Goiás integra a estrutura da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação por meio da Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França. A unidade tem gestão do Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (CETT) da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Carl Nielsen (1865-1931) foi compositor, violinista e maestro dinamarquês e tornou-se um dos principais nomes da música de seu país. Nascido na ilha de Fiónia, começou a estudar música ainda criança e, mais tarde, integrou a Orquestra Real Dinamarquesa como violinista durante 16 anos. Ao longo da carreira, desenvolveu uma linguagem própria e deixou seis sinfonias, concertos e obras de câmara.
Paul Hindemith (1895-1963) construiu uma trajetória que reuniu composição, interpretação, regência e ensino. Nascido em Hanau, na Alemanha, estudou no Conservatório Hoch, em Frankfurt, e ganhou projeção como um dos nomes da vanguarda musical alemã. Além disso, atuou como violinista e violista e participou da fundação do Amar Quartet. Durante o regime nazista, enfrentou perseguição à sua produção musical e, em 1940, mudou-se para os Estados Unidos. Lá, lecionou na Universidade Yale antes de retornar à Europa.
Heitor Villa-Lobos (1887-1959) tornou-se um dos principais representantes da música brasileira no século XX. Compositor, maestro e instrumentista, construiu uma produção com mais de 2 mil obras e aproximou referências da música popular e de diferentes culturas regionais brasileiras da tradição clássica europeia. Além disso, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e levou sua produção para outros países.
Gunther Schuller (1925-2015) transitou entre a música de concerto e o jazz ao longo de uma carreira como compositor, maestro, trompista, professor e pesquisador. Nascido em Nova York, começou a atuar profissionalmente ainda jovem e chegou a tocar com Miles Davis. Em 1957, criou o termo “Third Stream” para definir uma proposta que combinava técnicas do jazz e da música clássica. Depois, dedicou grande parte da carreira à composição, ao ensino e à regência, além de escrever mais de 190 obras.
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Concerto de Câmara da Orquestra Filarmônica de Goiás
Data: Quinta-feira (30/7)
Horário: 20h
Local: Teatro Sesi - Avenida João Leite, nº 1013, Santa Genoveva, Goiânia (GO)
Entrada: Gratuita
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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