Mudança segue resolução nacional do Contran
A prova prática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) começou a ser aplicada de forma diferente em diversos estados brasileiros. Desde 26 de janeiro, candidatos de São Paulo já realizam o exame sem a exigência da baliza, enquanto em Goiás a mudança passa a valer a partir de 27 de janeiro. A alteração impacta diretamente uma das fases mais temidas do processo.
A novidade segue a Resolução 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito, publicada em dezembro de 2025. Além de São Paulo e Goiás, Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul já adotaram o novo modelo. Outros estados devem oficializar a adesão nas próximas semanas.
Com a atualização, candidatos à categoria A, destinada a motocicletas, deixam de realizar o exercício de rampa. Para quem busca habilitação nas categorias B, C, D e E, não há mais exigência de baliza nem de aclive. A avaliação prática passa a ocorrer em etapa única, baseada exclusivamente no percurso em via pública.
A intenção é concentrar a análise na condução em situação real de trânsito. O modelo busca observar comportamento, atenção às normas e capacidade de reação do candidato durante o trajeto, sem etapas isoladas em circuito fechado.
A resolução também amplia as possibilidades de formação. Os candidatos podem optar por realizar aulas obrigatórias em Centros de Formação de Condutores ou com instrutores autônomos. Os veículos utilizados podem ser de autoescolas ou particulares, com câmbio manual ou automático.
A proposta é ampliar o acesso à habilitação e reduzir barreiras financeiras. Segundo os órgãos de trânsito, a mudança mantém o foco na segurança viária, mas facilita a entrada de novos condutores no sistema formal.
O presidente do Detran-GO avalia que a simplificação não compromete a qualidade da avaliação. “Estamos modernizando o processo, focando no que realmente importa: avaliar se o candidato tem condições de conduzir o veículo com segurança no trânsito real. Além disso, reduzimos custos e barreiras que afastavam milhares de pessoas da habilitação formal”.
Em Goiás, são aplicadas cerca de 30 mil provas práticas por mês em mais de 100 municípios. O volume expressivo reforça o impacto direto das novas regras sobre a população.
Antes das mudanças, o valor médio para obtenção da CNH em uma categoria no estado girava em torno de R$ 3 mil. Com o novo formato, que inclui curso teórico gratuito pela plataforma da CNH do Brasil e apenas duas aulas práticas obrigatórias, o custo total cai para R$ 442,90.
Outra novidade em vigor em Goiás é o primeiro reteste gratuito para candidatos que realizarem a prova prática após 9 de dezembro de 2025. A estimativa é beneficiar aproximadamente 40 mil pessoas por ano.
A expectativa dos órgãos de trânsito é que a redução de preços estimule a busca pela habilitação regular, especialmente entre pessoas de baixa renda e jovens em início de vida profissional.
Dados do Detran mostram que dirigir sem CNH ainda é comum. Em 2023, foram registrados 37.647 flagrantes. Em 2024, o número subiu para 42.799. Já em 2025, alcançou 43.119 ocorrências. O cenário ajuda a explicar a aposta em um processo mais acessível.
Especialistas apontam que ampliar o acesso à habilitação formal pode contribuir para reduzir irregularidades e melhorar a formação dos condutores. A presença de mais motoristas regularizados facilita ações educativas e fiscalização.
A retirada da baliza não significa ausência de avaliação técnica. Durante o trajeto, o examinador observa controle do veículo, respeito à sinalização, postura defensiva e tomada de decisões em situações reais.
Com a tendência de adesão nacional, a nova prova da CNH marca uma mudança histórica no modelo de avaliação brasileiro. Para milhões de candidatos, o caminho até a carteira de motorista passa a ser menos burocrático e financeiramente mais viável.
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