Nasa descobre novo planeta parecido com a Terra com 50% de chance de ser habitável

Corpo celeste está a 146 anos-luz e ocupa região onde água líquida pode existir

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  • . atualizado às 09:54
Nasa descobre novo planeta parecido com a Terra com 50% de chance de ser habitável

A Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) divulgou a descoberta do planeta HD 137010 b, caracterizado por “ser notavelmente semelhante à Terra”. Situado em uma região considerada promissora para a existência de água líquida, o planeta passou a integrar a lista dos principais alvos da busca por vida fora do Sistema Solar.

Localizado a cerca de 146 anos-luz, dentro da Via Láctea, o possível exoplaneta tem dimensões muito próximas às da Terra. As medições indicam que ele é aproximadamente 6% maior que a Terra e, ao que tudo indica, possui natureza rochosa, condição considerada essencial para sustentar ambientes semelhantes aos terrestres.

Outro fator decisivo é a estrela que ele orbita. Apesar de ser parecida com o Sol, ela é mais fria e menos luminosa, o que altera significativamente a quantidade de energia que chega à superfície do planeta. Essa combinação colocou o HD 137010 b em uma posição considerada estratégica pelos cientistas.

Os cálculos apontam que o planeta ocupa a borda externa da chamada “zona habitável”, de acordo com a Nasa. Trata-se da faixa ao redor de uma estrela onde, em tese, a água poderia existir em estado líquido, desde que a atmosfera apresente composição adequada.

HD 137010 b: novo planeta descoberto pela Nasa tem chances de ser habitável

As simulações atmosféricas revelam um cenário complexo. Segundo a Nasa, o planeta HD 137010 b tem cerca de 40% de chance de estar na zona habitável conservadora e 51% de chance de se enquadrar na zona habitável otimista. Por outro lado, existe também uma probabilidade próxima de 50% de que ele esteja completamente fora dessa região.

Mesmo quando considerado dentro da faixa favorável, o planeta pode ser bastante frio. Ele recebe menos de um terço da energia que a Terra recebe do Sol, o que sugere uma temperatura média de superfície em torno de -68 °C, valor comparável ou até inferior ao observado em Marte.

Ainda assim, os cientistas não descartam cenários alternativos. Dependendo da espessura e da composição da atmosfera, o planeta poderia apresentar condições temperadas ou até grandes reservatórios de água líquida sob a forma de oceanos.

A descoberta do planeta HD 137010 b foi possível graças à reanálise de dados do telescópio espacial Kepler/K2, missão da Nasa encerrada em 2018. Embora o equipamento esteja aposentado, seus arquivos continuam rendendo achados relevantes.

Um único sinal, muitas perguntas

O HD 137010 b foi identificado a partir de apenas um trânsito, momento em que o planeta passa diante da estrela e provoca uma pequena queda no brilho observado. Esse evento durou cerca de 10 horas, tempo suficiente para os pesquisadores estimarem o tamanho e a órbita do objeto.

Por enquanto, o corpo celeste permanece classificado como candidato a planeta. A confirmação exige novas observações, capazes de registrar outros trânsitos ou variações gravitacionais causadas por sua presença.

Missões ativas como o TESS, da Nasa, e o CHEOPS, da Agência Espacial Europeia, devem desempenhar papel decisivo nessa próxima etapa. Ambos os telescópios são especializados em detectar e caracterizar exoplanetas em torno de estrelas próximas.

Caso a existência do HD 137010 b seja confirmada pela Nasa, ele poderá se tornar um dos primeiros planetas parecidos com a Terra observados transitando uma estrela do tipo solar suficientemente brilhante para análises detalhadas de atmosfera, massa e composição química.

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