Maio Roxo expõe urgência por diagnóstico, acolhimento e acesso ao tratamento

Campanha Maio Roxo reforça a importância do diagnóstico precoce e cobra a efetivação da nova política nacional voltada aos pacientes com doenças inflamatórias intestinais

Saúde intestinal entra em pauta na campanha 'Maio Roxo' (Foto: Freepik)

Em meio à rotina acelerada e a uma cultura ainda marcada pelo tabu em torno da saúde intestinal, as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) ganham, com o Maio Roxo, um espaço essencial de visibilidade. O que antes era sinônimo de vergonha e silêncio, agora começa, mesmo que timidamente, a ser debatido em praça pública. E isso importa.

Com sintomas debilitantes como diarreia, sangramento, dores abdominais e fadiga, doenças como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa não apenas afetam o sistema digestivo, mas comprometem a qualidade de vida e o bem-estar emocional de milhões de pessoas. Ainda assim, o diagnóstico precoce segue sendo um desafio – por falta de informação, por preconceito, por negligência do próprio paciente e, muitas vezes, por gargalos do sistema público de saúde.

O dado da Sociedade Brasileira de Coloproctologia impressiona: cerca de 5 milhões de pessoas convivem com essas doenças no mundo. No Brasil, a taxa é de 100 casos para cada 100 mil habitantes no SUS. A aprovação recente do Projeto de Lei 5307/2019 pelo Senado, que cria a Política Nacional de Assistência para pacientes com DIIs, representa um avanço. A proposta de instituir campanhas educativas, mutirões para colonoscopias e prazos definidos para exames é louvável – mas precisa sair do papel e chegar aos corredores dos hospitais, onde as filas e a espera ainda falam mais alto que a dor.

Outro ponto que merece atenção é o papel da alimentação. Embora não exista uma dieta universal para pacientes com DIIs, é consenso entre profissionais de saúde que uma nutrição equilibrada pode contribuir de forma significativa para o controle da doença e a recuperação do organismo. No entanto, é preciso garantir acesso não só a atendimento com nutricionistas, mas também a alimentos adequados, em um país em que a insegurança alimentar ainda afeta milhões.

O corpo dá sinais. Ignorá-los por vergonha, desinformação ou por um sistema de saúde ineficaz é colocar vidas em risco. O Maio Roxo é mais do que uma campanha: é um apelo por empatia, acolhimento e políticas públicas efetivas. Que não seja apenas mais um mês colorido no calendário da saúde, mas o ponto de partida para mudanças reais – na escuta, no cuidado e no acesso.


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