Filme dirigido por Julian Schnabel chega ao streaming após quase duas décadas de desenvolvimento
O filme “Nas Mãos de Dante” estreou na Netflix em 24 de junho de 2026 cercado por grande atenção devido ao elenco repleto de estrelas de Hollywood e à longa trajetória até sua conclusão. Dirigido por Julian Schnabel, conhecido por “O Escafandro e a Borboleta”, o longa reúne nomes como Oscar Isaac, Gerard Butler, Jason Momoa, Gal Gadot, Al Pacino, John Malkovich e até o cineasta Martin Scorsese em frente às câmeras.
A produção aposta em uma narrativa ambiciosa ao conectar duas épocas separadas por sete séculos. De um lado, acompanha o poeta italiano Dante Alighieri durante o século XIV. De outro, mostra um escritor contemporâneo envolvido em uma investigação ligada a um suposto manuscrito original de “A Divina Comédia”. Apesar da proposta grandiosa e do elenco de peso, o filme recebeu avaliações bastante negativas da crítica especializada.
A trama se divide entre duas linhas temporais distintas. Na Nova York de 2001, pouco antes dos atentados de 11 de setembro contra o World Trade Center, o escritor Nick Tosches, interpretado por Oscar Isaac, é encarregado de localizar um manuscrito que pode ser a versão original de “A Divina Comédia”. Durante a busca, ele conta com a ajuda de um assassino de aluguel vivido por Gerard Butler.
À medida que a investigação avança, o personagem passa a ser perseguido por integrantes de uma organização criminosa ligada ao chefe do submundo Joe Black, interpretado por John Malkovich. A perseguição leva a história até a Sicília, ampliando o alcance da narrativa.
Paralelamente, o filme acompanha Dante Alighieri, também interpretado por Oscar Isaac, durante uma fase decisiva de sua vida. O poeta enfrenta dificuldades criativas enquanto tenta concluir sua obra literária mais famosa e mantém diálogos com seu mentor Isaiah, personagem vivido por Martin Scorsese.
Ao mesmo tempo, Dante sofre crescente pressão política do Papa Bonifácio, interpretado por Gerard Butler, figura historicamente associada ao exílio do escritor florentino.
Um dos aspectos mais comentados da produção está na escolha visual adotada por Julian Schnabel. As sequências ambientadas na Idade Média aparecem em cores vibrantes e produção visual elaborada. Já os acontecimentos do século XXI são apresentados em preto e branco.
A proposta busca destacar a conexão entre dois personagens separados por aproximadamente 700 anos, mas unidos pela busca por conhecimento, espiritualidade, amor e significado existencial.
Segundo a sinopse oficial, a história acompanha:
“Dois homens separados por sete séculos, conectados inconscientemente pelo tempo e unidos pela mesma obsessão: a busca pelo amor, pela beleza e pelo divino.”

“Nas Mãos de Dante” é baseado no romance homônimo do escritor norte-americano Nick Tosches, falecido em 2019. A adaptação cinematográfica passou por um longo período de desenvolvimento em Hollywood. O projeto começou a ganhar forma há cerca de 17 anos, quando o ator Johnny Depp adquiriu os direitos da obra com a intenção de protagonizar o filme.
Entretanto, dificuldades de produção, mudanças de estúdio e negociações interrompidas fizeram com que o projeto permanecesse parado durante mais de uma década.
A situação mudou quando Julian Schnabel assumiu a direção e retomou a adaptação. Posteriormente, o longa foi apresentado no Festival de Veneza, um dos eventos cinematográficos mais importantes do mundo, antes de ter sua distribuição global adquirida pela Netflix.
Apesar do elenco impressionante e da proposta artística ousada, as primeiras avaliações publicadas pela imprensa especializada foram duras.
O crítico Michael Bendix, do portal alemão FILMSTARTS, atribuiu apenas uma estrela ao longa. Em sua análise, destacou dificuldades na execução da narrativa e na combinação de estilos adotada pelo diretor.
“Em Nas Mãos de Dante, Julian Schnabel tenta fundir um cinema histórico didático-sacro com uma vibe ‘aspirante a Tarantino’ — provando que terminar um filme sem conseguir discernir o que raios acabou de assistir não é, necessariamente, um sinônimo de qualidade.”
A crítica aponta que a mistura entre drama histórico, suspense criminal, elementos religiosos e experimentações visuais acabou tornando a narrativa difícil de acompanhar para parte do público especializado.
O filme reúne alguns dos nomes mais conhecidos da indústria cinematográfica atual. Entre os destaques estão:
Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
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