Conselho da WBD considera proposta de US$ 110 bilhões superior e encerra disputa que movimentou Wall Street
A Netflix anunciou na tarde da última quinta-feira (26) que não seguirá na disputa pela compra da Warner Bros. após o conselho da companhia considerar a proposta da Paramount Skydance superior. A decisão encerra uma negociação que vinha agitando o setor de entretenimento e movimentando investidores ao redor do mundo. A gigante do streaming optou por não cobrir a oferta rival, colocando fim a meses de tratativas.
Em comunicado conjunto, os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, explicaram a decisão. “A transação que negociamos teria criado valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória”. Apesar disso, deixaram claro que a empresa não ultrapassaria seus limites financeiros.
“No entanto, sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente, portanto, estamos recusando a oferta da Paramount Skydance.” A declaração foi vista como um recado direto ao mercado sobre a postura estratégica da empresa.
Logo após o anúncio, as ações da Netflix dispararam mais de 8%, sinalizando alívio entre investidores que temiam um desembolso excessivo. O movimento mostrou confiança na estratégia da companhia de priorizar rentabilidade e crescimento sustentável.
A disputa ganhou novos contornos na terça-feira, 24 de junho, quando a Paramount apresentou uma proposta avaliando toda a Warner Bros. Discovery em US$ 31 por ação. O valor inclui ativos como a CNN e representa um montante aproximado de US$ 110 bilhões, considerando também a dívida da empresa.
Além da cifra elevada, a oferta trouxe uma garantia relevante. A Paramount ampliou a chamada “taxa de rescisão regulatória” para US$ 7 bilhões, valor que seria pago caso o negócio fosse barrado por órgãos reguladores. Antes, essa multa era de US$ 5,8 bilhões.
A proposta anterior da Netflix girava em torno de US$ 83 bilhões e não incluía canais como CNN e Discovery. Esses ativos seriam desmembrados e formariam uma nova companhia, estratégia que fazia parte do desenho da operação idealizado pela plataforma de streaming.
Durante a divulgação dos resultados trimestrais, o CEO da Warner Bros. Discovery, David Zaslav, detalhou a intensidade da disputa. Segundo ele, a concorrência entre as empresas “levou a oito aumentos de preço” e “até o momento alcançou um aumento de 63% no valor em relação à primeira oferta recebida em setembro, proporcionando um valor significativo para os acionistas da WBD ao longo de todo o processo”.
A Paramount comemorou a decisão do conselho da WBD. Em comunicado, David Ellison afirmou: “Estamos satisfeitos que o Conselho da WBD tenha confirmado por unanimidade o valor superior da nossa oferta, que proporciona aos acionistas da WBD valor superior, certeza e rapidez na conclusão do negócio”.
A fala reforça a narrativa da empresa de que sua proposta não se destaca apenas pelo preço, mas também pela previsibilidade na conclusão. Em um cenário de fiscalização rigorosa por autoridades antitruste, garantias regulatórias pesam tanto quanto o valor financeiro.
Do lado da Netflix, o discurso manteve tom estratégico. Sarandos e Peters ressaltaram que a companhia via potencial na operação, mas dentro de limites claros. “Acreditamos que seríamos guardiões fortes das marcas icônicas da Warner Bros., e que nosso acordo teria fortalecido a indústria do entretenimento e preservado e criado mais trabalhos de produção nos EUA”, escreveram.
Eles completaram com uma frase que resume a postura adotada: “Mas essa transação sempre foi uma ‘bom ter’ no preço certo, não uma ‘deve ter’ a qualquer preço.” A declaração evidencia que, apesar do interesse, a aquisição nunca foi tratada como indispensável para o futuro da empresa.
O desfecho da negociação altera o tabuleiro do entretenimento global. Caso seja aprovada pelos reguladores, a união entre Paramount e Warner Bros. Discovery poderá criar um conglomerado ainda maior, reunindo estúdios, canais de notícias e plataformas de streaming sob o mesmo guarda-chuva.
Para a Netflix, a decisão preserva caixa e evita riscos regulatórios complexos. A empresa segue focada em produção própria, expansão internacional e fortalecimento do catálogo, sem assumir uma dívida bilionária neste momento.
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Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.
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