Nova versão do DLSS usa IA generativa para renderizar rostos 3D; anúncio foi criticado por alterar a identidade visual de jogos
A NVIDIA anunciou o DLSS 5 nesta segunda-feira (16), durante a NVIDIA GTC. A tecnologia usa IA generativa para renderizar jogos com mais qualidade sem perder desempenho. As imagens reacenderam o inevitável debate atual sobre a autoria do que é produzido por uma IA.
Versões anteriores do DLSS já utilizavam IA via machine learning sem alterar a essência dos games. A nova versão aplica IA generativa na renderização e foi definida pelo CEO Jensen Huang (63), preocupantemente, como “o GPT para gráficos”.
Uma imagem exibida no evento mostrou a tecnologia em “Resident Evil: Requiem”. A captura repercutiu por alterar completamente o visual de Grace (Angela Sant’Albano, 25), gerando críticas.
Em resposta, Jensen Huang afirmou que “os jogadores estão completamente errados”, defendendo que o DLSS 5 combina geometria, texturas e outros elementos com IA generativa, sob controle dos desenvolvedores, justificando a introdução da tecnologia que, inclusive, não precisará do aval das desenvolvedoras para ser aplicada aos jogos.
“Isso é muito diferente de IA generativa; é IA generativa com controle de conteúdo. Por isso chamamos de renderização neural”, concluiu o CEO, em contradição com as imagens exibidas.

A nova versão do DLSS sobrepõe os gráficos originais por uma interpretação da IA generativa. O problema é que ela usa todo o banco da IA, não só de games, permitindo a criação de imagens em uma base fechada de dados.

A busca por gráficos fotorrealistas segue como obsessão da indústria, que há anos investe em fórmulas padronizadas — cenário reforçado pela nova tecnologia.
Esse fenômeno não é exclusivo dos videogames. Como aponta André Bazin (1918–1958), “a fotografia (…) liberou as artes plásticas de sua obsessão pela semelhança”, ao satisfazer a busca pelo realismo.
Se a fotografia impulsionou novas linguagens, o DLSS desvirtua a inovação nos videogames, representando um retrocesso criativo e maior padronização ao se basear no que já foi feito, descaracterizando pessoas e ideias.
Gabriel Dias é estudante de Jornalismo na UFG, repórter, gamer e apreciador da sétima arte. Além de ser jornalista, ama profundamente estudar filosofia; afinal, sempre foi extremamente curioso com o mundo à sua volta. Por fim, pensa que a beleza da existência está na simplicidade e nas conexões que nos fazem humanos. Contatos: [email protected] / @gabrieldiasjornal.
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