Alessandro Alarcão explica sintomas, gatilhos e tratamentos da rosácea, condição crônica que atinge cerca de 5% da população mundial
Recentemente, o goleiro Alisson Becker, da Seleção Brasileira, revelou que convive com rosácea, doença inflamatória crônica que atinge principalmente a região central do rosto. A condição pode causar vermelhidão, ardência, vasos aparentes e lesões inflamatórias. Embora não tenha cura, o acompanhamento dermatológico permite controlar os sintomas e reduzir a ocorrência de crises.
Além disso, a rosácea pode aparecer de maneiras diferentes e até ser confundida com outros problemas dermatológicos. Um estudo epidemiológico internacional divulgado em 2024, realizado no âmbito do projeto ALL, estimou prevalência global de 5%. O dermatologista Alessandro Alarcão explica que reconhecer as características da doença ajuda a diferenciá-la de quadros como acne e alergias.
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A rosácea afeta principalmente bochechas, nariz, testa e queixo. Segundo Alarcão, fatores genéticos, alterações do sistema imunológico, inflamação dos vasos sanguíneos e disfunções da barreira cutânea participam do quadro. Além da vermelhidão, algumas pessoas desenvolvem pápulas e pústulas, o que pode provocar confusão com acne.
“É muito comum ser confundida com acne porque alguns pacientes apresentam pápulas e pústulas, semelhantes às espinhas. Também pode ser confundida com alergias ou pele sensível devido à vermelhidão, ardência e sensação de queimação. No entanto, diferentemente da acne, a rosácea normalmente não apresenta cravos e, ao contrário das alergias, não é uma reação passageira, mas uma condição crônica que evolui em fases de melhora e piora”, explica Alessandro Alarcão.
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No início, a pessoa pode perceber episódios de vermelhidão que surgem e desaparecem. Entretanto, com a evolução do quadro, essa alteração pode permanecer mesmo durante períodos de repouso.
“Também podem surgir vasos aparentes, sensação de ardor, queimação, aumento da sensibilidade da pele e lesões inflamatórias”, afirma Alarcão.
O médico acrescenta que outra queixa aparece com frequência: “Muitos pacientes relatam que praticamente qualquer cosmético provoca ardência ou desconforto.”
Exposição solar, temperaturas elevadas, bebidas alcoólicas, alimentos condimentados, estresse e exercícios físicos podem desencadear manifestações em algumas pessoas. Contudo, os fatores variam entre os pacientes. Por isso, identificar situações associadas às crises faz parte do acompanhamento da doença.
A atividade física, porém, não precisa sair da rotina. “A prática de atividade física é extremamente saudável. O objetivo é adaptar alguns cuidados, como treinar em horários mais frescos, manter boa hidratação, utilizar fotoproteção adequada e evitar ambientes excessivamente quentes”, orienta o dermatologista.
Alguns pacientes relacionam as crises ao consumo de bebidas alcoólicas, especialmente vinho tinto, alimentos muito apimentados e bebidas quentes. Produtos ricos em capsaicina também aparecem entre os possíveis gatilhos citados pelo médico. Ainda assim, a reação não ocorre da mesma maneira em todas as pessoas.
Por esse motivo, Alarcão não indica uma dieta única para quem convive com a doença. “Cada pessoa possui fatores desencadeantes diferentes. Uma parte importante do tratamento consiste justamente em identificar esses gatilhos individuais.”
A doença não se limita à pele. A rosácea ocular pode causar vermelhidão nos olhos, ardor, lacrimejamento, ressecamento, sensibilidade à luz e sensação de areia. Além disso, casos mais graves podem atingir a córnea e exigir avaliação oftalmológica.
Por outro lado, reconhecer os sintomas dermatológicos logo no início pode favorecer o controle do quadro.
“Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de controlar a inflamação, evitar a progressão da doença e preservar a qualidade da pele”, explica Alarcão.
O tratamento depende das manifestações de cada paciente e pode incluir medicamentos tópicos ou orais, além de tecnologias direcionadas à vermelhidão e aos vasos aparentes. Lasers vasculares e fontes de luz estão entre os recursos citados pelo dermatologista.
“O tratamento deve ser individualizado. Hoje conseguimos controlar a inflamação, reduzir significativamente a vermelhidão, diminuir os vasos aparentes e evitar novas crises. Muitos pacientes permanecem longos períodos praticamente sem sintomas quando seguem corretamente o tratamento”, explica Alarcão.
Produtos abrasivos, ácidos em altas concentrações e corticoides tópicos usados sem orientação médica aparecem entre os erros apontados pelo especialista. Dessa forma, tentar tratar a vermelhidão sem conhecer sua causa pode irritar a pele e dificultar o controle dos sintomas.
“A rosácea não deve ser encarada apenas como um problema estético. Trata-se de uma doença inflamatória crônica que pode impactar a autoestima e a qualidade de vida. Com diagnóstico precoce e tratamento individualizado, é possível controlar a doença de forma muito eficaz”, conclui Alarcão.
Um levantamento do projeto ALL, divulgado pelos Laboratórios Pierre Fabre em 2024 e publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, estimou que 5% da população mundial apresenta rosácea. O estudo reuniu informações de 50.552 adultos de 20 países, distribuídos por cinco continentes, para avaliar a prevalência e o impacto de diferentes doenças dermatológicas.
Além disso, os dados indicaram diferenças entre homens e mulheres e entre regiões pesquisadas. Segundo os resultados divulgados, 5,9% das mulheres e 4,4% dos homens apresentavam rosácea. O levantamento também analisou efeitos além das manifestações cutâneas, como dificuldades relacionadas à qualidade de vida e à estigmatização de pessoas que convivem com dermatoses visíveis.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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