Anemia por deficiência de ferro afeta milhões de brasileiras; saiba como identificar

Ciclo menstrual, alimentação inadequada e mudanças hormonais aumentam o risco da doença entre brasileiras em idade reprodutiva

Anemia por deficiência de ferro afeta milhões de brasileiras; saiba como identificar

O ciclo menstrual faz com que milhões de brasileiras estejam mais vulneráveis à anemia por deficiência de ferro, condição responsável por cerca de 90% dos casos de anemia no país. Segundo o Ministério da Saúde, a doença atinge 29,4% das mulheres em idade reprodutiva e pode provocar sintomas que muitas vezes são confundidos com cansaço da rotina, atrasando o diagnóstico.

A perda recorrente de sangue durante a menstruação reduz as reservas de ferro do organismo, especialmente quando há fluxo intenso. O quadro pode se agravar durante o climatério, fase que antecede a menopausa, período marcado por alterações hormonais que frequentemente aumentam o volume do sangramento menstrual. Identificar os sinais precocemente e manter acompanhamento médico são medidas importantes para evitar complicações.

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Quais sintomas podem indicar anemia nas mulheres?

A anemia ferropriva ocorre quando o organismo não possui ferro suficiente para produzir hemoglobina em quantidade adequada. A proteína presente nas hemácias é responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos, e sua redução compromete o funcionamento de diversos órgãos.

De acordo com a hematologista Maria Amorelli, que atua no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, muitas pacientes convivem com os sintomas sem relacioná-los à doença.

“A mulher pode estar com dificuldade de praticar exercícios físicos e, às vezes, não percebe que perdeu capacidade física. Até uma taquicardia excessiva em um momento de pouco esforço físico pode ser um sintoma”, afirma a médica.

Além da redução da disposição física, outros sinais frequentes incluem:

  • cansaço persistente;
  • sonolência durante o dia;
  • palidez;
  • queda de cabelo acima do habitual;
  • dores nas pernas;
  • redução do rendimento em atividades físicas.

Como esses sintomas podem surgir gradualmente, muitas mulheres acabam considerando o quadro como algo normal da rotina.

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Por que a menstruação aumenta o risco de anemia?

Durante um ciclo menstrual, que normalmente dura cerca de 28 dias, ocorre perda natural de sangue. Em pessoas saudáveis, essa perda pode chegar a aproximadamente 80 mililitros por ciclo, mas mulheres com fluxo menstrual intenso podem apresentar perdas significativamente maiores.

Quando essa perda não é compensada por uma alimentação rica em ferro ou quando já existem reservas reduzidas do mineral, aumenta o risco de desenvolvimento da anemia por deficiência de ferro.

Segundo Maria Amorelli, muitas mulheres acreditam que seu fluxo menstrual é normal e, por isso, deixam de investigar sintomas persistentes de fadiga. A avaliação depende da observação do padrão menstrual e da investigação clínica realizada por um profissional de saúde.

Por que o climatério exige atenção especial?

A maior incidência da doença costuma ocorrer em mulheres que estão entrando no climatério, geralmente a partir dos 40 anos.

Nessa fase, oscilações hormonais podem provocar ciclos menstruais irregulares e sangramentos mais intensos, ampliando a perda de ferro acumulada após décadas de menstruação.

“A mulher passa pelos ciclos menstruais há vários anos, então sua reserva de ferro pode estar baixa. Por isso, é muito comum que a mulher que está quase entrando na menopausa desenvolva uma anemia por ausência de ferro”, conta a hematologista.

Gestantes e crianças também fazem parte dos grupos de maior risco?

Embora a doença seja bastante frequente entre mulheres em idade fértil, outros grupos exigem atenção.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 37% das gestantes convivem com anemia em nível global. A condição aumenta o risco de complicações durante a gravidez e pode afetar o desenvolvimento do bebê quando não tratada adequadamente.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que 20,9% das crianças menores de cinco anos apresentam anemia, tornando esse um dos principais problemas nutricionais da infância.

Homens também podem desenvolver anemia, porém a incidência costuma ser menor, já que não ocorre a perda sanguínea mensal provocada pela menstruação. Nesses casos, a investigação clínica frequentemente busca outras causas, como doenças crônicas, sangramentos digestivos, alterações da medula óssea ou deficiência de vitaminas.

Como prevenir a anemia por deficiência de ferro?

A prevenção passa principalmente pela manutenção de uma alimentação equilibrada e pelo acompanhamento médico quando houver sintomas persistentes ou fluxo menstrual intenso.

Segundo a hematologista, alimentos ricos em ferro devem fazer parte da rotina alimentar. A carne vermelha fornece o chamado ferro heme, que apresenta maior absorção pelo organismo. Já vegetais como couve, grão-de-bico e beterraba também contêm ferro, embora em uma forma cuja absorção seja menor.

A ingestão de vitamina C junto às refeições ajuda a aumentar a absorção do ferro presente nos alimentos.

Nas pessoas vegetarianas ou veganas, pode ser necessária avaliação médica para verificar a necessidade de suplementação de ferro e vitamina B12, evitando deficiências nutricionais que favoreçam o desenvolvimento da doença.

“O ferro da carne é muito mais absorvido. Também existe o ferro nos vegetais, como na beterraba, no grão-de-bico, na couve, mas não é o mesmo ferro da carne, então sua absorção será menor. As pacientes que optam por serem vegetarianas, precisam de suplementação também”, conclui a hematologista.

Quando procurar atendimento médico?

Pessoas que apresentam cansaço persistente, falta de ar aos esforços, palpitações, palidez ou queda de desempenho físico devem procurar avaliação médica. O diagnóstico da anemia é realizado por exames laboratoriais, principalmente o hemograma, podendo ser complementado por exames que avaliam os estoques de ferro, como a ferritina, conforme a investigação clínica. O tratamento depende da causa identificada e pode incluir mudanças na alimentação, suplementação de ferro e tratamento da condição responsável pela perda ou deficiência do mineral.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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