Especialistas afirmam que a cirurgia íntima feminina também pode aliviar desconfortos físicos
A cirurgia íntima feminina tem registrado crescimento no Brasil e despertado um debate cada vez maior sobre saúde, conforto e qualidade de vida. O país lidera o ranking mundial desse tipo de procedimento e especialistas afirmam que a intervenção não deve ser associada apenas à estética, já que também pode corrigir alterações anatômicas, aliviar desconfortos físicos e contribuir para o bem-estar de mulheres que convivem com limitações na rotina.
Além disso, a evolução das técnicas cirúrgicas, o acesso a informações confiáveis e a redução do tabu sobre a saúde íntima fizeram com que mais pacientes buscassem avaliação médica especializada. Nesse contexto, médicos destacam que a indicação da cirurgia íntima feminina deve ser individualizada, levando em conta fatores como sintomas, anatomia, expectativas e impacto na qualidade de vida, sempre com foco na segurança e na funcionalidade da região íntima.
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Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) mostram que o Brasil ocupa a primeira posição no ranking mundial de cirurgias íntimas femininas. Nos últimos anos, o país passou de cerca de 20 mil procedimentos anuais para uma estimativa próxima de 30 mil cirurgias por ano, superando os Estados Unidos e consolidando esse segmento como um dos que mais crescem dentro da cirurgia plástica.
Esse movimento acompanha uma mudança no comportamento das mulheres. Hoje, temas relacionados à saúde íntima são discutidos com mais naturalidade, permitindo que questões antes ignoradas passem a ser avaliadas durante consultas médicas.
Segundo especialistas, a maioria das pacientes procura atendimento devido a sintomas que interferem na rotina, como atrito durante atividades físicas, desconforto ao usar roupas justas, dor nas relações sexuais, irritações frequentes, dificuldade na higiene íntima e alterações provocadas pela gestação, pelo envelhecimento ou por grandes perdas de peso.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), também podem ser realizados procedimentos como a lipoaspiração do monte de Vênus, indicada para reduzir o excesso de gordura na região superior da vulva, e a labioplastia dos grandes lábios, utilizada para corrigir flacidez ou perda de volume decorrentes do envelhecimento, da gestação ou de grandes perdas de peso. A definição da técnica depende sempre de avaliação médica individualizada.
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A cirurgiã plástica especialista em cirurgia íntima, Dra. Renata Magalhães, explica que a indicação nunca deve ser baseada apenas na aparência da região íntima.
“Existe uma ideia equivocada de que a cirurgia íntima tem apenas finalidade estética. Na prática, muitas pacientes procuram atendimento por questões funcionais que impactam o conforto, a autoestima e até a qualidade de vida. Por isso, é fundamental avaliar cada caso de forma personalizada.”
De acordo com a médica, não existe um padrão único para a cirurgia íntima feminina. O cirurgião escolhe a técnica conforme as características anatômicas, as necessidades e os objetivos de cada paciente.
“A cirurgia deve respeitar a funcionalidade da região íntima, priorizando sempre a segurança e resultados naturais.”
Entre os procedimentos mais realizados está a ninfoplastia, também chamada de labioplastia, indicada para reduzir o tamanho dos pequenos lábios vaginais quando há hipertrofia ou assimetria capaz de provocar desconforto físico ou emocional.
Também podem ser indicadas cirurgias para correção dos grandes lábios e redução do acúmulo de gordura no monte de Vênus, sempre após avaliação médica.
Além da escolha de um profissional qualificado, o sucesso do procedimento está diretamente relacionado aos cuidados antes e depois da cirurgia.
Antes da operação, a paciente passa por exames clínicos e recebe orientações específicas para o preparo cirúrgico. Já no pós-operatório, os médicos normalmente recomendam repouso, higiene adequada da região íntima, uso correto das medicações prescritas e suspensão temporária das atividades físicas e das relações sexuais.
Segundo a Dra. Renata Magalhães, muitas pacientes retomam a rotina antes do prazo definido pelo médico.
“Mesmo quando a recuperação parece evoluir bem, é importante respeitar o tempo de cicatrização. O descumprimento das orientações médicas pode aumentar o risco de complicações e comprometer o resultado final.”
Especialistas também orientam que a paciente deve retomar as atividades diárias somente após liberação médica. Dependendo da técnica utilizada, a recuperação completa pode levar alguns meses, embora boa parte das pacientes retome gradualmente a rotina nas primeiras semanas.
Uma revisão publicada na revista científica Aesthetic Plastic Surgery, que analisou pesquisas sobre o procedimento, verificou que mais de 87% das pacientes relataram melhora da autoestima, enquanto cerca de 80% afirmaram maior conforto durante as relações sexuais após a cirurgia.
O levantamento também mostrou que quase 90% das mulheres observaram redução ou desaparecimento dos atritos e irritações que motivaram a intervenção, reforçando os benefícios funcionais do procedimento quando há indicação médica.
Nesse contexto, especialistas reforçam que a paciente deve tomar a decisão de forma consciente e baseada em informações confiáveis, sem influência de padrões estéticos ou comparações.
Para a Dra. Renata Magalhães, o principal objetivo da cirurgia é promover bem-estar quando existe uma indicação clínica.
“Mais do que uma questão estética, trata-se de um procedimento que pode trazer benefícios importantes para a saúde, o conforto e a autoestima de muitas mulheres. O mais importante é que cada paciente seja avaliado de forma individualizada e segura.”
Os especialistas costumam indicar a cirurgia quando a mulher apresenta sintomas ou alterações que comprometem sua qualidade de vida. Entre as situações mais frequentes estão:
Apenas um cirurgião plástico habilitado pode avaliar a necessidade do procedimento, indicar a técnica mais adequada e esclarecer riscos, benefícios e expectativas em relação aos resultados.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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