Queda da testosterona ocorre de forma gradual, não afeta todos os homens
Com o avanço da idade, muitos homens passam a associar mudanças no corpo e no desempenho físico à chamada andropausa. Apesar de o termo ser popular, especialistas alertam que a queda da testosterona ocorre de forma gradual, não afeta todos os homens e exige diagnóstico médico antes de qualquer tratamento.
Cansaço constante, diminuição da libido, irritabilidade, perda de massa muscular e falta de disposição. Esses sintomas costumam levantar uma dúvida comum entre muitos homens a partir dos 40 anos: afinal, a andropausa realmente existe? E quando a redução da testosterona deixa de fazer parte do envelhecimento natural e passa a exigir tratamento?
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Embora o termo “andropausa” seja amplamente utilizado, médicos explicam que a condição é conhecida cientificamente como Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM).
Diferentemente da menopausa feminina, ela não acontece de forma repentina e nem atinge todos os homens. Além disso, a reposição hormonal só deve ser indicada após avaliação clínica e confirmação laboratorial da deficiência de testosterona.
Dados do Ministério da Saúde mostram que os homens ainda procuram menos os serviços de saúde preventiva. Entre 2015 e 2022, eles representaram apenas 26,1% dos atendimentos individuais na Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS) na faixa etária entre 20 e 59 anos.
A baixa procura por consultas faz com que alterações hormonais e outras doenças sejam investigadas apenas quando os sintomas já comprometem a qualidade de vida.
Segundo o urologista Hudson de Sousa Ribeiro, que atende no Centro Clínico do Órion Complex, em Goiânia, a principal dificuldade é diferenciar sinais provocados pela deficiência hormonal daqueles relacionados a outras doenças ou ao próprio processo de envelhecimento.
“A andropausa é uma condição relacionada à redução gradual dos níveis de testosterona, que pode ocorrer com o avanço da idade em alguns homens. Diferente da menopausa feminina, essa queda não acontece de forma abrupta e nem todos os homens irão apresentá-la. O tema ainda gera muitas dúvidas porque existe muita informação incompleta nas redes sociais, além de mitos que levam alguns homens a acreditarem que qualquer cansaço ou diminuição da libido significa falta de testosterona”, explica.
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Um dos principais equívocos, segundo os especialistas, sobre a andropausa é associar qualquer queda de energia ou redução do desejo sexual à falta de testosterona.
Diversos problemas de saúde podem provocar sintomas semelhantes, tornando indispensável uma investigação médica antes de qualquer diagnóstico.
Os principais sinais de andropausa incluem:
No entanto, esses sintomas também podem estar relacionados a outras doenças, como: “problemas na tireoide, depressão, diabetes ou distúrbios do sono. Por isso, é fundamental procurar um urologista para uma avaliação completa”, diz o especialista.
A procura por testosterona e outros anabolizantes tem crescido no Brasil, mesmo com as restrições impostas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Dados divulgados pelo Jornal Nacional mostram que as vendas legais de testosterona aumentaram mais de 700% entre 2018 e 2025.
Somente de 2024 para 2025, o crescimento foi de 20%, refletindo a alta demanda por produtos utilizados para ganho de massa muscular, melhora da aparência e aumento da disposição, muitas vezes sem indicação clínica.
No entanto, apesar do aumento nas vendas, o uso indiscriminado do hormônio pode provocar consequências graves à saúde. Entre os principais riscos, estão o aumento da probabilidade de problemas cardiovasculares, como tromboses e infarto, além da redução da produção natural de testosterona, atrofia dos testículos e diminuição da produção de espermatozoides, comprometendo a fertilidade masculina.
Além disso, mesmo com a proibição do CFM para a prescrição de hormônios com finalidade estética, anúncios de testosterona continuam sendo encontrados facilmente na internet, alimentando um mercado clandestino que preocua autoridades de saúde.
Segundo Hudson Ribeiro, o tratamento para andropausa só é indicado quando exames laboratoriais confirmam a redução da testosterona e os resultados são compatíveis com os sintomas apresentados pelo paciente.
“O tratamento deve ser individualizado, baseado em critérios médicos bem estabelecidos e sempre após uma investigação cuidadosa da causa da queda hormonal. Fazer reposição sem indicação pode trazer riscos e mascarar outros problemas de saúde”, explica.
Antes de iniciar qualquer tratamento, o paciente deve passar por avaliação clínica, exame físico e exames laboratoriais. Também é necessário investigar fatores como doenças cardiovasculares, alterações na próstata, fertilidade e distúrbios metabólicos.
Nem toda redução dos níveis de testosterona significa que o homem desenvolveu a Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM).
Fatores como obesidade, diabetes tipo 2, apneia do sono, depressão, estresse crônico e até o uso de alguns medicamentos podem provocar alterações hormonais temporárias ou sintomas semelhantes aos da condição. Por isso, a presença isolada de testosterona baixa em um exame não é suficiente para confirmar o diagnóstico.
Além dos exames laboratoriais, a avaliação médica considera o histórico clínico, os sintomas apresentados e possíveis doenças associadas.
Em alguns casos, mudanças no estilo de vida ou o tratamento da condição que está provocando a redução hormonal são suficientes para melhorar os sintomas, sem necessidade de iniciar a reposição de testosterona.
Além do acompanhamento médico quando necessário, especialistas reforçam que hábitos saudáveis continuam sendo a principal estratégia para preservar os níveis hormonais e a qualidade de vida ao longo do envelhecimento e evitar a andropausa.
O que fazer:
Para Hudson Ribeiro, procurar atendimento apenas quando os sintomas já estão avançados reduz as chances de um diagnóstico precoce e pode atrasar o tratamento adequado.
“O homem costuma procurar atendimento apenas quando os sintomas já estão impactando sua qualidade de vida. A prevenção continua sendo o melhor caminho. Consultas periódicas permitem identificar precocemente alterações hormonais e diversas outras doenças, muitas vezes antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Cuidar da saúde é um investimento na longevidade, na qualidade de vida e no bem-estar físico, emocional e sexual”, comenta.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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