Goiânia registra mais de 210 mil atendimentos à população em situação de rua

Abordagem social e Centro POP concentram atendimentos

Goiânia registra mais de 210 mil atendimentos à população em situação de rua

A rede de assistência social de Goiânia registrou 210.916 atendimentos à população em situação de rua entre janeiro de 2025 e abril de 2026, considerando os números informados pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) e pelo Centro POP. Nesse período, o SEAS contabilizou 16.002 atendimentos nas ruas, enquanto o Centro POP somou 194.914. Os serviços integram as ações da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).

Além do atendimento imediato, as equipes encaminham usuários para diferentes áreas da rede pública. As ações envolvem emissão de documentos, acesso a benefícios sociais, serviços de saúde e, quando necessário, tratamento para dependência química. Também incluem fortalecimento dos vínculos familiares, qualificação profissional e encaminhamento para oportunidades de trabalho.

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Abordagem social percorre diferentes regiões de Goiânia

As equipes do SEAS realizam buscas ativas diariamente para identificar pessoas em situação de vulnerabilidade e oferecer acesso à rede socioassistencial. Durante as abordagens, os profissionais fazem escuta, orientação e avaliam quais serviços podem atender às necessidades apresentadas por cada usuário.

Quando existe possibilidade de retomada dos vínculos familiares, a rede também trabalha para viabilizar esse contato. Em outros casos, o atendimento pode seguir para acolhimento institucional, documentação civil, saúde ou benefícios. Entre janeiro de 2025 e abril de 2026, o serviço registrou 16.002 atendimentos nessas ações.

Já o Centro POP concentrou o maior volume no período, com 194.914 atendimentos. A unidade oferece alimentação, espaço para higiene pessoal, guarda de pertences e atendimento técnico especializado. Além disso, auxilia na obtenção de documentos e encaminha usuários para outros serviços públicos.

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Acolhimento emergencial alcançou mais de mil pessoas

A rede municipal também mantém unidades para pessoas que precisam deixar temporariamente as ruas. Segundo os números apresentados pela Semasdh, Goiânia registrou 6.158 acolhimentos emergenciais, que atenderam 1.052 pessoas entre janeiro de 2025 e abril de 2026. As unidades oferecem alimentação, higiene, proteção e acompanhamento profissional.

As Casas de Acolhida Cidadã também integram essa estrutura. No período informado pela prefeitura, a Casa de Acolhida Cidadã 1 registrou 2.442 acolhimentos. Já a Casa de Acolhida Cidadã 2 recebeu 1.003 pessoas, conforme os dados divulgados pela administração municipal.

A secretária municipal Erizania Freitas afirma que o atendimento busca criar caminhos para além do acolhimento imediato.

“As equipes estão diariamente nas ruas oferecendo acolhimento, orientação e oportunidades para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas. Cada atendimento representa uma chance de recomeço, por meio de uma rede de serviços que busca promover autonomia, fortalecimento de vínculos e inclusão social”, acrescenta.

Prefeitura aponta redução da população em situação de rua

A Prefeitura de Goiânia afirma que houve queda no número estimado de pessoas vivendo nas ruas da capital desde o início de 2025. Segundo a administração municipal, mais de 4 mil pessoas estavam nessa condição em janeiro daquele ano. Atualmente, ainda conforme a prefeitura, a estimativa está abaixo de mil.

O material divulgado pelo município relaciona a redução ao trabalho das equipes de assistência social e à articulação com outros órgãos e parceiros. No entanto, os dados apresentados pela prefeitura não detalham, no conteúdo divulgado, a metodologia usada para chegar às duas estimativas. Por isso, os números representam o levantamento informado pela própria administração municipal.

O prefeito Sandro Mabel afirma que a atuação busca combinar atendimento imediato e acompanhamento.

“Não basta retirar a pessoa da situação de rua, é preciso oferecer acolhimento, acompanhamento e oportunidades para que ela possa reconstruir sua vida. Hoje, Goiânia apresenta uma redução significativa no número de pessoas em situação de rua porque existe um trabalho diário das equipes de assistência social, com abordagens em toda a cidade, acolhimento, encaminhamentos e uma rede preparada para atender quem mais precisa”, afirma.

Onde buscar atendimento em Goiânia

O Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 23h. Aos sábados, domingos e feriados, o atendimento ocorre das 7h às 19h. O contato é pelo telefone (62) 99208-5086.

O Centro POP fica na Rua Francisca Costa Cunha Tita, nº 679, Setor Aeroporto. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h. O telefone para contato é (62) 99204-8704.

A Casa de Acolhida Cidadã 1 funciona de forma ininterrupta na Avenida 24 de Outubro, nº 253, Setor dos Funcionários. Já a Casa de Acolhida Cidadã 2 fica na Rua 220, nº 977, Setor Leste Universitário, e também mantém atendimento ininterrupto. Os contatos informados para as unidades são (62) 99207-7758 e (62) 3416-2668.

Brasil chega a 365 mil pessoas em situação de rua

O Brasil chegou a 365.822 pessoas nessa condição no fim de 2025, ante 327.925 em dezembro de 2024. Os dados são do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG) e foram divulgados pela Agência Brasil. O levantamento utiliza informações do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). A série mostra ainda que, após uma queda entre 2020 e 2021, o número voltou a subir em 2022 e manteve trajetória de crescimento nos anos seguintes.

A maior concentração está no Sudeste, com 222.311 pessoas, o equivalente a 61% do total nacional. O Nordeste aparece em seguida, com 54.801. Entre os estados, São Paulo reúne 150.958 pessoas em situação de rua, seguido por Rio de Janeiro, com 33.656, e Minas Gerais, com 33.139. Os pesquisadores relacionam o avanço nacional a fatores como maior alcance do CadÚnico, insuficiência de políticas estruturantes de moradia, trabalho e educação, precarização das condições de vida após a pandemia e deslocamentos associados a emergências climáticas.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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