RPG de ação da chinesa S-Game coloca jogador na pele de um assassino com 66 dias de vida e aposta em combate rápido, mundo semiaberto e estética batizada de “kungfupunk”
“Phantom Blade Zero” está a poucas semanas do lançamento depois de três anos de apresentações, demonstrações e mudanças no desenvolvimento. O RPG de ação da S-Game chega ao PlayStation 5 e PC no fim de outubro, com preço inicial de R$ 229,90 no Brasil. Já a edição Digital Deluxe custa R$ 279,90 e acrescenta visuais exclusivos, livro de arte digital e trilha sonora.
Por trás das lutas cinematográficas, porém, há uma história sobre conspiração e sobrevivência. O protagonista Soul é acusado de assassinar seu mestre e sofre um ferimento mortal durante a perseguição. Depois de receber um tratamento que prolonga temporariamente sua vida, ele passa a ter apenas 66 dias para descobrir quem está por trás da trama que tomou conta do mundo marcial conhecido como Wulin.
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A origem de “Phantom Blade Zero” remonta a 2010, quando Soulframe Liang, fundador da S-Game, desenvolveu sozinho “Rainblood: Town of Death” no RPG Maker. Na época, ele estudava arquitetura e transformou o projeto independente no primeiro passo de uma franquia que, posteriormente, ganhou o nome Phantom Blade. Segundo o desenvolvedor, os títulos seguintes alcançaram principalmente celulares e construíram uma base superior a 20 milhões de jogadores, embora muitos deles nunca tenham saído oficialmente da China.
Depois, a S-Game decidiu reconstruir essa ideia em uma escala maior. Apresentado no PlayStation Showcase de 2023, “Phantom Blade Zero” foi descrito pelo estúdio como um renascimento espiritual daquele primeiro “Rainblood”, agora desenvolvido na Unreal Engine 5. Ao mesmo tempo, o projeto manteve personagens, conceitos e referências que acompanham a série desde suas primeiras versões.
A S-Game define a estética do jogo como “kungfupunk”, uma combinação de artes marciais chinesas, elementos de fantasia, máquinas de inspiração industrial e uma atmosfera sombria. O wuxia, por sua vez, vem de uma tradição chinesa de histórias sobre guerreiros, códigos de honra, rivalidades e jornadas ligadas às artes marciais.
Nesse caso, o estúdio também buscou referências no cinema. Soulframe Liang já citou produções de kung fu, Bruce Lee, Michelle Yeoh e Donnie Yen ao explicar como queria transportar para o controle movimentos rápidos e coreografias que normalmente aparecem nas telas. Por isso, a movimentação abandona a lentidão de alguns RPGs de ação e privilegia sequências de golpes, contra-ataques e defesas executadas em ritmo acelerado.
O mundo, no entanto, não seguirá a estrutura de um mapa aberto contínuo. Desde a apresentação inicial, a S-Game descreve “Phantom Blade Zero” como uma experiência semiaberta, dividida em áreas de tamanhos diferentes e construídas manualmente. Assim, exploração, caminhos escondidos, mecanismos e missões paralelas aparecem dentro de regiões conectadas à narrativa.

Uma das principais novidades reveladas em 2026 foi o tamanho do arsenal. Ao explorar Wulin, Soul poderá desbloquear mais de 30 armas principais, além de 25 armas secundárias chamadas Phantom Edges. Espadas e outras armas tradicionais dividem espaço com equipamentos de funcionamento menos convencional, o que permite montar estilos diferentes de combate.
Por outro lado, investir recursos em uma arma não obrigará o jogador a permanecer com ela até o fim. A S-Game confirmou um sistema de reformulação que permite recuperar materiais utilizados nas melhorias e aplicá-los posteriormente em outro equipamento. Com isso, o jogador poderá testar novas combinações sem perder todo o investimento feito anteriormente.
Durante as batalhas, esquivas, bloqueios, contra-ataques e golpes formam uma sequência contínua. Ao mesmo tempo, a desenvolvedora afirma que buscou simplificar os comandos necessários para executar coreografias complexas, estratégia que começou ainda durante os anos em que o estúdio desenvolvia jogos para celulares.
Desde os primeiros trailers, “Phantom Blade Zero” recebeu comparações com jogos do gênero soulslike por causa dos confrontos contra chefes, esquivas e sistema de defesa. A própria S-Game, porém, evita colocar o projeto dentro dessa categoria e descreve a experiência como um RPG de ação construído a partir de diferentes referências.
Enquanto jogos soulslike costumam trabalhar com ritmo mais cadenciado e punições maiores, a proposta da S-Game privilegia velocidade e sequências de movimentos inspiradas pelo cinema de kung fu. Ainda assim, exploração, evolução do personagem, chefes exigentes e descoberta de caminhos aproximam o projeto de elementos presentes naquele gênero.
As opções de dificuldade também procuram atender públicos diferentes. O modo Wayfarer privilegia quem deseja acompanhar a história, enquanto Hellwalker aumenta o desafio e utiliza comportamentos inimigos mais avançados e adaptativos. Já Sixty-Six Days foi apresentado como uma alternativa destinada a quem procura condições ainda mais severas de combate.

O mundo de Wulin não servirá apenas como cenário para os combates. Durante a exploração, Soul encontrará moradores e personagens com problemas próprios, enquanto algumas missões opcionais poderão abrir novos caminhos narrativos e revelar outras informações sobre a conspiração que conduz a campanha.
Ao mesmo tempo, áreas escondidas e mecanismos espalhados pelos mapas pretendem recompensar quem se afasta do percurso principal. A página oficial na Steam menciona passagens secretas e histórias distribuídas pelo Phantom World, além de locais ligados a conceitos como Memory Flowers, Discordance e Inanis’ Dreamscape.
Essa estrutura aproxima exploração e narrativa sem transformar cada região em um grande mapa preenchido por atividades repetidas. Desde 2023, o estúdio afirma que prefere trabalhar com áreas menores e detalhadas em vez de uma única extensão aberta construída a partir da reutilização constante de elementos.
A ligação com o cinema de artes marciais ganhou um nome conhecido mundialmente. Donnie Yen atua como consultor criativo de “Phantom Blade Zero” e também interpreta o personagem Mó Yuan, emprestando rosto e movimentos por meio de captura facial e corporal.
Segundo a S-Game, Yen participa do projeto desde 2023 e contribui com conhecimentos acumulados nas artes marciais e no cinema de ação. Nesse trabalho, o ator auxilia principalmente na construção de movimentos e na maneira como o kung fu aparece durante os confrontos.
Outro nome importante é Kenji Tanigaki, responsável pela direção de ação. Desde a primeira apresentação do projeto, o estúdio explica que Tanigaki demonstra movimentos planejados para que a equipe de animação possa transformá-los em golpes dentro do jogo. Assim, técnicas reais de artes marciais serviram como referência para posições, ataques e deslocamentos vistos durante as batalhas.

Originalmente, “Phantom Blade Zero” chegaria em 9 de setembro de 2026, mas a S-Game alterou o lançamento para o fim de outubro. Ao anunciar a mudança em junho, Soulframe Liang explicou que a equipe identificou a possibilidade de melhorar modelos de personagens, reformular cenários e trabalhar na qualidade visual antes de colocar o jogo no mercado.
O estúdio também direcionou parte desse período para preservar o nível visual mesmo em configurações sem ray tracing. Segundo Liang, a intenção era evitar que melhorias importantes fossem deixadas apenas para atualizações posteriores ao lançamento.
“Um adiamento de 50 dias não pode resolver tudo. Mas nos dá tempo suficiente para concluir uma série de melhorias claramente definidas e realmente importantes”, afirmou o diretor criativo ao explicar a decisão.
Oficialmente, a S-Game divulga 29 de outubro de 2026 como data de lançamento de “Phantom Blade Zero”. A PlayStation Store brasileira também apresenta o dia 29 para o PS5, enquanto a Steam no Brasil exibe 28 de outubro como data de liberação no PC.
A diferença coincide com os horários utilizados para a liberação global, mas a S-Game não publicou uma explicação específica para a divergência entre as duas lojas brasileiras. Por isso, a data oficial anunciada pelo estúdio permanece em 29 de outubro, enquanto jogadores de PC devem observar o horário indicado diretamente pela Steam.
Até agora, o lançamento confirmado inclui PlayStation 5 e PC. No computador, o jogo estará disponível pela Steam e também teve pré-venda anunciada na Epic Games Store. Já uma versão para Xbox Series X|S não foi anunciada para a estreia.

A edição padrão de “Phantom Blade Zero” custa R$ 229,90 na pré-venda brasileira. Já a Digital Deluxe Edition sai por R$ 279,90 e inclui dois visuais exclusivos, intitulados Lenda Wulin e Forma de Aço-Sangue, além de livro de arte digital e trilha sonora.
Quem realizar a compra antecipada também recebe acesso antecipado ao acessório Bacia da Fortuna, que aumenta em 10% a obtenção de Poeira Vestigial, e ao visual Legado. No entanto, a própria S-Game informa que os dois itens também poderão ser desbloqueados normalmente durante a progressão.
No PS5, o jogo terá suporte aos recursos de vibração e gatilhos do DualSense, além de otimização para PS5 Pro. A loja brasileira também lista recursos como dificuldade ajustável, pausa durante a campanha offline, salvamento manual, lembretes de controles e legendas avançadas.
No computador, os requisitos mínimos incluem Intel Core i7-8700K ou Ryzen 5 3600, 16 GB de RAM e uma GTX 1660 de 6 GB ou Radeon RX 5500 XT de 8 GB. Segundo a Steam, essa configuração mira 1080p e 30 quadros por segundo com upscaling ativado, enquanto a instalação obrigatoriamente precisa ser feita em SSD.
Já a configuração recomendada sobe para Core i5-10600K ou Ryzen 5 5600X, mantendo os 16 GB de memória. Na placa de vídeo, a indicação passa para uma RTX 3060 Ti de 8 GB ou RX 6700 XT de 12 GB, com meta de 1440p e 60 quadros por segundo também utilizando upscaling.
Para o público brasileiro, há ainda interface e legendas em português do Brasil. O áudio completo, entretanto, fica restrito aos idiomas inglês e chinês simplificado na listagem atual da Steam.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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