Praias impróprias para banho disparam nas buscas e Rio lidera ranking das mais questionadas do Brasil

Levantamento aponta alta de 243% nas pesquisas sobre qualidade da água e revela praias que mais geram dúvida entre turistas

Praias impróprias para banho disparam nas buscas e Rio lidera ranking das mais questionadas do Brasil

Durante as férias, é cresce a preocupação dos brasileiros sobre quais praias estão próprias para banho. A dúvida, que antes surgia apenas na areia, agora domina a internet. Nos últimos 12 meses, as buscas por “quais praias estão impróprias para banho?” aumentaram 243%, segundo levantamento da Descarbonize Soluções. O estudo analisou o comportamento digital entre novembro de 2024 e dezembro de 2025 e identificou quais destinos mais despertam incertezas sobre a qualidade do mar.

O estado do Rio de Janeiro aparece no topo da lista. Seis das 10 praias mais pesquisadas ficam no litoral fluminense, incluindo as três primeiras posições. Os dados mostram que turistas e moradores estão atentos às condições da água antes de planejar um dia de descanso, refletindo uma mudança no perfil do viajante, que busca informação e segurança.

De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, o INEA, são monitorados 291 pontos distribuídos em 197 praias do estado. As coletas seguem padrão semanal e ocorrem sempre nos mesmos locais, o que permite acompanhar a evolução dos índices de balneabilidade. Esse controle se tornou peça central na decisão de quem pretende aproveitar o calor.

Na liderança do ranking aparece a Praia do Flamengo, que apresenta situação dividida. Segundo dados oficiais, há dois trechos monitorados, sendo um considerado próprio e outro impróprio para banho. Em seguida surgem Botafogo, classificado como impróprio, e Icaraí, em Niterói, onde três das quatro áreas avaliadas estão inadequadas para os banhistas.

Busca por praias limpas cresce no Sudeste

A preocupação não se limita ao Rio de Janeiro. O ranking também inclui praias de Alagoas, Fortaleza, Florianópolis e São Paulo. O interesse por informações sobre qualidade da água se espalha por diferentes regiões, mostrando que o tema virou prioridade nacional em períodos de alta temporada.

Quando o assunto é praia limpa, o Sudeste concentra a maior parte das pesquisas. O litoral paulista ocupa sete das 10 posições entre os destinos mais buscados nesse quesito. Perequê-Açu, em São Paulo, lidera o ranking, seguida por Itacuruçá, no litoral fluminense, com 4.290 buscas, e Itanhaém, também em São Paulo, com 4.220. As demais posições são dominadas por praias do Rio de Janeiro.

O avanço das buscas está diretamente ligado ao aumento do lixo nas faixas de areia durante o verão. O relatório “Fragmentos da Destruição”, da Oceana, revela que o Brasil despeja cerca de 1,3 milhão de toneladas de plástico nos oceanos todos os anos. O volume coloca o país como o maior poluidor marinho da América Latina e entre os 10 maiores do mundo.

Para Milena Andrade, gerente de marketing da Descarbonize Soluções, o problema vai além da aparência. “Mais do que uma questão estética, o descarte incorreto de resíduos além de comprometer a qualidade da água e afetar a saúde pública, desequilibra o ecossistema e coloca em risco a segurança dos banhistas. Além disso, o descuido com as praias tem o poder de afastar turistas, o que pode impactar na economia de algumas cidades litorâneas”.

Por que as praias ficam impróprias para banho

O interesse em entender as causas também avançou. Nos últimos 12 meses, as buscas por “por que as praias ficam impróprias para banho?” cresceram 21%. O dado revela que o público quer compreender o que está por trás das bandeiras vermelhas e dos alertas emitidos por órgãos ambientais.

Segundo a resolução 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, o CONAMA, as praias são classificadas como “própria” ou “imprópria”. A avaliação considera a concentração de bactérias fecais em análises feitas durante cinco semanas consecutivas ou quando a última coleta ultrapassa o dobro dos limites permitidos. Quando os índices superam os padrões estabelecidos, o local é considerado inadequado.

A presença dessas bactérias geralmente está associada ao despejo de esgoto doméstico sem tratamento, resíduos urbanos e águas contaminadas. O contato com água poluída pode provocar infecções gastrointestinais, problemas de pele e doenças respiratórias. Além disso, situações como derramamentos de óleo, maré vermelha ou floração de algas tóxicas também podem levar à interdição.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos recomenda evitar o banho de mar nas primeiras 24 horas após chuvas intensas. A orientação é ainda mais importante em áreas próximas a canais ou galerias pluviais, onde a água da chuva carrega resíduos acumulados nas cidades e os despeja diretamente no mar.

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