Queda no turismo em março liga alerta para hotéis, voos e reservas no Brasil

Setor de serviços caiu 1,2% no mês, enquanto atividades turísticas recuaram 4,0% e tiveram impacto de hospedagem, transporte aéreo e locação de veículos

Queda no turismo em março liga alerta para hotéis, voos e reservas no Brasil

O turismo no Brasil sentiu uma forte desaceleração em março de 2026, em um mês marcado por queda nos serviços, nos transportes e na receita ligada à hospedagem. Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo IBGE em 15 de maio, o volume de serviços caiu 1,2% frente a fevereiro, após estabilidade no mês anterior. O movimento atingiu todas as cinco atividades pesquisadas e teve peso relevante dos transportes, que recuaram 1,7%.

Mesmo com o tom negativo no curto prazo, o setor ainda mostra avanço na comparação anual. Frente a março de 2025, os serviços cresceram 3,0%, chegando ao 24º resultado positivo consecutivo. O dado, porém, convive com uma perda acumulada desde outubro de 2025, quando a atividade havia alcançado o ponto mais alto da série recente.

“Nos últimos 5 meses, foram observados um mês de estabilidade e 4 meses de variação negativa, o que faz com que o setor de serviços acumule queda de 1,7% desde outubro de 2025, mês em que foi observado o ponto mais alto da série. Setorialmente, todas as 5 atividades investigadas mostraram queda na comparação com o mês imediatamente anterior. O setor de transportes foi o principal responsável pela queda observada no Brasil neste tipo de comparação. O recuo no setor foi influenciado principalmente pela queda observada no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros”, explicou o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior.

A leitura do mês chama atenção porque atinge diretamente áreas ligadas à circulação de pessoas, viagens e consumo fora de casa. Os serviços prestados às famílias, que incluem atividades sensíveis ao lazer e à hospedagem, caíram 1,5%. Já os outros serviços recuaram 2,0%, enquanto informação e comunicação tiveram baixa de 0,9%.

Queda no turismo atinge hotéis, reservas e transporte aéreo

O índice de atividades turísticas caiu 4,0% em março de 2026, na comparação com fevereiro. Foi o segundo resultado negativo seguido do segmento, que acumulou perda de 5,4% nesse intervalo. Apesar disso, o turismo ainda opera 6,5% acima do nível de fevereiro de 2020, período anterior à pandemia.

O recuo também mostra que o setor está abaixo do melhor momento da série histórica. Em março de 2026, as atividades turísticas ficaram 6,3% distantes do pico registrado em dezembro de 2024. A retração veio de áreas essenciais para a experiência de viagem, como hotéis, reservas de hospedagem, locação de automóveis e transporte aéreo.

“No agregado especial de atividades turísticas, observou-se uma queda de 4,0% no índice na margem. Esta retração foi influenciada pelos recuos observados nos serviços de hotéis, serviços de reserva relacionados à hospedagem, transporte aéreo e locação de automóveis”, comentou Luiz Carlos.

Entre os 17 locais avaliados no recorte turístico, 14 acompanharam a queda nacional. São Paulo teve o impacto negativo mais forte, com baixa de 6,3%. Depois vieram Rio de Janeiro, com 2,4%, Bahia, com 5,3%, Pernambuco, com 9,2%, e Minas Gerais, com 2,8%.

Estados mostram desempenho desigual no mês

Na contramão do resultado nacional, poucos estados conseguiram avançar nas atividades turísticas em março. O Rio Grande do Sul liderou os ganhos, com alta de 1,4%. Rio Grande do Norte cresceu 1,3%, enquanto Goiás teve variação positiva de 0,4%, mesmo diante de um cenário marcado pela queda no turismo em boa parte do país.

No conjunto dos serviços, 13 das 27 unidades da federação tiveram retração em março, na comparação com fevereiro. São Paulo exerceu o principal impacto negativo, com queda de 2,1%. Mato Grosso, Pernambuco e Mato Grosso do Sul também aparecem entre os resultados que mais pressionaram o índice nacional.

“A principal influência negativa veio de São Paulo, com uma queda de 2,1%, puxado principalmente pela queda observada nas atividades jurídicas e serviços financeiros auxiliares”, destacou Luiz Carlos.

Na comparação com março de 2025, o quadro muda. O volume de serviços cresceu em 14 das 27 unidades da federação. São Paulo teve alta de 4,0%, Rio de Janeiro avançou 5,2%, Distrito Federal subiu 16,2%, Rio Grande do Sul cresceu 3,5% e Santa Catarina marcou 3,4%.

Transportes pressionam o setor e afetam a dinâmica das viagens

O transporte de passageiros caiu 3,4% em março de 2026 frente ao mês anterior. Foi a segunda taxa negativa consecutiva, com perda acumulada de 4,3% no período. A queda no turismo acendeu alerta para setores ligados a deslocamentos, hospedagens e reservas, embora o segmento ainda esteja 1,7% acima do nível pré-pandemia. Mesmo assim, permanece 22,1% abaixo do maior ponto da série, registrado em fevereiro de 2014.

O transporte de cargas também teve retração no mês, com baixa de 1,0%, após alta de 0,8% em fevereiro. Mesmo assim, o segmento permanece 37,1% acima de fevereiro de 2020. Em relação ao pico de julho de 2023, porém, ainda está 5,1% abaixo.

No acumulado do ano, o volume de serviços cresceu 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já em 12 meses, o avanço ficou em 2,8% em março, mesmo ritmo observado em fevereiro. Essa foi a taxa menos intensa desde outubro de 2024, quando o índice havia registrado 2,7%.

Na comparação anual, quatro das cinco atividades pesquisadas cresceram. Informação e comunicação puxou o resultado positivo, com alta de 7,9%. Transportes avançaram 2,0%, serviços profissionais, administrativos e complementares subiram 1,1%, e outros serviços cresceram 2,7%. O único impacto negativo veio dos serviços prestados às famílias, pressionados pela menor receita dos hotéis.


Vinícius Lima
Autor: Vinícius Lima

Jornalista e pós-graduando em Marketing, apaixonado por comunicação e pela criação de conteúdo geek. Entusiasta de cultura, viagens e esportes, busca transformar informação e experiência em conteúdos claros, acessíveis e que realmente facilitem a vida das pessoas.

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