Lei sancionada valoriza memória cultural da Rua 8 e fortalece políticas públicas para preservação do espaço
A Rua do Lazer, um dos pontos mais tradicionais de Goiânia, agora é oficialmente patrimônio imaterial da cidade. A medida foi sancionada pelo prefeito Sandro Mabel na sexta-feira, 24, e reconhece a relevância histórica e cultural do espaço localizado na Rua 8, no Setor Central. O ato ocorre em meio às ações de revitalização da região central, que buscam resgatar a ocupação urbana e a vida cultural do local.
A proposta, aprovada anteriormente pela Câmara Municipal, foi apresentada pelo vereador Wellington Bessa. O texto destaca o valor simbólico da rua para a memória coletiva da população. Segundo o documento, o local representa um elo entre tradição, convivência social e manifestações culturais que marcaram gerações na capital.
A justificativa da lei enfatiza o papel da Rua do Lazer como espaço democrático de encontro em Goiânia. “A Rua do Lazer consolidou-se como ponto de encontro de artistas, estudantes, trabalhadores, turistas e moradores, tornando-se um verdadeiro palco de manifestações culturais, feiras de artesanato, apresentações musicais, intervenções artísticas e atividades comunitárias, desempenhando um papel central na formação da identidade cultural goianiense”, diz a proposta.
Com o reconhecimento, a Prefeitura passa a ter respaldo para desenvolver ações voltadas à preservação do espaço. A intenção é garantir que a Rua 8 continue sendo referência cultural e de convivência para as próximas gerações, mantendo viva sua essência histórica.
Inaugurada em 1981, a Rua do Lazer foi planejada como um ambiente exclusivo para pedestres. Desde o início, o objetivo era estimular a convivência social e incentivar atividades culturais em um espaço aberto e acessível. Ao longo dos anos, o local se transformou em símbolo da vida boêmia e artística de Goiânia.
Com o crescimento de grandes centros comerciais, o movimento no Setor Central diminuiu significativamente. Esse esvaziamento afetou diretamente a Rua do Lazer, que perdeu parte de sua força ao longo do tempo. Nos últimos anos, no entanto, iniciativas de requalificação urbana tentam resgatar o protagonismo da região.
Hoje, a dinâmica da rua mostra sinais de recuperação. O espaço é fechado para veículos às sextas-feiras e sábados a partir das 18h, além de domingos e feriados durante todo o dia. À noite, mesas, cadeiras e música tomam conta do ambiente, devolvendo à rua o clima de encontro e celebração.
Frequentadores destacam a atmosfera vibrante do local. “Tem muitas pessoas, muitos jovens, a rua é cheia de cultura. É muito especial, para as pessoas virem um pouco e saírem de casa para se divertir”, contou a cliente de um dos bares em entrevista à TV Anhanguera.
A valorização da Rua do Lazer também dialoga com iniciativas mais amplas de reocupação do Centro. A Rua 8, que abriga o espaço, é considerada estratégica dentro desse processo. A região, inclusive do outro lado da Avenida Anhanguera, tem sido foco de intervenções voltadas à mobilidade e ao uso cultural.
Na defesa da proposta, o vereador Wellington Bessa destacou a importância histórica do local. “a Rua do Lazer é um dos marcos mais simbólicos da vida urbana e cultural de Goiânia”. Em outro trecho, ele acrescenta: “localizada na Rua 8, no coração do Setor Central, esse espaço foi idealizado como um ambiente voltado pra o convívio social, a expressão artística e a promoção de cidadania”.
O parlamentar também apontou o caráter pioneiro da iniciativa, criada ainda nos anos 1980. Para ele, o espaço sempre foi referência na ocupação urbana voltada ao lazer e à cultura. Essa vocação permanece como elemento central na identidade do local.
Outro destaque da região é a presença de pontos culturais históricos. Entre eles, está o Cine Ritz, conhecido como o último cinema de rua em funcionamento na capital, o que reforça o valor simbólico da área para a cultura goianiense.
Desde 2024, ações voltadas à reocupação do Centro vêm sendo implementadas por meio do projeto “Ocupa o Centro”. A iniciativa propõe restringir a circulação de veículos em trechos estratégicos da Rua 8, incentivando o uso do espaço por pedestres e atividades culturais.
A medida abrange o trecho entre a Avenida Anhanguera e a Rua 4, seguindo o mesmo modelo aplicado à Rua do Lazer. A proposta busca ampliar a circulação de pessoas e fortalecer o comércio local, além de estimular eventos culturais e atividades comunitárias.
Com a nova lei, a tendência é que essas ações ganhem ainda mais consistência. O reconhecimento como patrimônio imaterial cria um novo cenário para investimentos e políticas públicas voltadas à preservação e valorização da área.
Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.
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