Observação das gigantes do mar movimenta turismo ecológico e fortalece ações de conservação no litoral baiano
Salvador deu início oficialmente à temporada de observação de baleias nesta terça-feira (15), em evento promovido pela Prefeitura e pelo Instituto Baleia Jubarte. A temporada começou com números impressionantes: 27 baleias foram vistas em apenas um dia, na última segunda-feira (14), no posto de observação instalado no Farol da Barra.
Entre os meses de julho e outubro, as águas da Baía de Todos-os-Santos recebem milhares de baleias jubarte que deixam a Antártica para se reproduzir no litoral brasileiro. A expectativa do Instituto é que cerca de 35 mil animais passem pelo Brasil neste ano, superando os 1.012 avistamentos registrados em Salvador em 2024. Além da capital, outras cidades como Prado, Porto Seguro e Ilhéus também se destacam para a observação dos animais.
“Há turistas internacionais que vêm observar baleias em Salvador – nos últimos dias, recebemos um grupo de 40 deles”, destacou a vice-prefeita Ana Paula Matos, que também comanda a Secult. Segundo ela, a temporada impulsiona o setor hoteleiro, os pacotes turísticos e o intercâmbio cultural.
A vice-prefeita aproveitou o lançamento para exaltar os diferenciais naturais da cidade. “É linda desde a sua composição geológica, dividida entre as cidades Alta e Baixa, tem a segunda maior baía do mundo e 64 quilômetros de costa de orla”, disse. Ana Paula ainda lembrou que Salvador é Patrimônio Cultural da Humanidade e destacou o turismo náutico como um motor crescente da economia local.
A secretária do Mar, Maria Eduarda Lomanto, reforçou a importância da parceria com o Projeto Baleia Jubarte. “Mais um ano de parceria com o projeto Baleia Jubarte, uma iniciativa respeitada mundialmente”, disse. Segundo ela, ações de qualificação profissional e turismo responsável estão sendo intensificadas nesta temporada.
Gegê Magalhães, diretor de Turismo de Salvador, ressaltou o papel da Baía de Todos-os-Santos como berçário das jubartes. “É o segundo maior ecossistema marítimo do mundo. E as baleias escolhem a nossa baía para o acasalamento e a gestação”, comentou. Para ele, o fenômeno fortalece o compromisso com um turismo sustentável.
Ele também destacou que as ações de incentivo ao turismo de observação são fruto de políticas públicas integradas entre secretarias como a Secult, Semar, Secis e Smed. Entre as iniciativas, está o trabalho educativo com crianças da rede municipal, que visitam o projeto e aprendem sobre a importância da preservação ambiental desde cedo.
“Se eles são sensibilizados na infância e adolescência, vão se tornar adultos responsáveis”, pontuou Magalhães. A proposta envolve desde pesquisa científica até ações práticas de fomento ao turismo ecológico.
Para Enrico Marcovaldi, vice-presidente do Projeto Baleia Jubarte, esse crescimento na população é resultado direto de políticas de proteção ambiental. “A tendência é sempre termos um número maior de animais, se compararmos ao ano anterior”, disse. Desde a proibição da caça na década de 1980, o litoral brasileiro se tornou uma rota segura para reprodução.
“Com agregação do valor econômico das baleias, reduzimos o risco do retorno à caça”, avaliou Marcovaldi. Segundo ele, a preservação é o caminho para que as novas gerações também possam ver de perto esse espetáculo natural.
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