“The Last Day”: Wagner Moura é confirmado em novo filme internacional

Ator brasileiro já atua em novo longa enquanto disputa vaga ao Oscar por "O Agente Secreto"

“The Last Day” Wagner Moura é confirmado em novo longa internacional

A primeira imagem de Wagner Moura em seu novo filme foi revelada nesta semana e rapidamente chamou a atenção do público. O registro apresenta o ator em cena de “The Last Day”, produção internacional que já garantiu distribuição na Europa e nos Estados Unidos. Ainda não há previsão de estreia no Brasil.

A divulgação ocorre em meio à campanha do brasileiro ao Oscar por “O Agente Secreto”, longa que vem ganhando visibilidade na corrida por indicações. Inspirado no livro “Mrs Dalloway”, de Virginia Woolf, o filme mergulha em questões emocionais profundas. A história acompanha Julia, personagem que enfrenta bloqueio criativo e carrega um luto mal resolvido. Ao mesmo tempo, lida com a transição da filha para a adolescência.

A trama ganha intensidade quando Julia cruza o caminho de uma enfermeira obstétrica durante uma crise pós-parto. Esse encontro desencadeia reflexões sobre as escolhas feitas ao longo da vida. A protagonista passa a questionar se ainda é possível se redescobrir dentro da realidade que construiu.

Wagner Moura divide a tela com Alicia Vikander, vencedora do Oscar por “A Garota Dinamarquesa”, e com Victoria Pedretti, conhecida pela série “Você”. O trio forma o núcleo central da narrativa, que aposta em conflitos íntimos e diálogos densos.

A direção é assinada por Rachel Rose, cineasta reconhecida por projetos de abordagem contemplativa. Para Moura, o momento marca uma fase intensa na carreira internacional. Além de “The Last Day”, o ator também está envolvido em produções como “11817” e “The Outsider”, previstas para os próximos anos.

“The Last Day” Wagner Moura é confirmado em novo filme internacional
Primeira imagem de “The Last Day”, novo filme com Wagner Moura (Foto: Killer Films)

Wagner Moura: da Bahia para o mundo

Wagner Moura construiu uma trajetória rara no audiovisual brasileiro. Aos 49 anos, o ator baiano se tornou referência dentro e fora do país, acumulando papéis marcantes, prêmios internacionais e reconhecimento da crítica. Do início no teatro, nos anos 1990, até as grandes produções de Hollywood, sua carreira é marcada por escolhas intensas e personagens complexos. O artista nasceu em 27 de junho de 1976, em Salvador, Bahia, e desde cedo mostrou inclinação para as artes cênicas.

O reconhecimento nacional veio com força no cinema. Em “Tropa de Elite” (2007), Moura deu vida ao Capitão Nascimento, personagem que rapidamente se tornou um fenômeno cultural. O sucesso se repetiu em “Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro” (2010), que ampliou sua projeção e levou multidões às salas de exibição. Antes disso, ele já havia atuado em novelas e filmes brasileiros, construindo uma base sólida que o preparou para voos mais altos.

A transição para produções internacionais começou a ganhar forma com participações em projetos como “Elysium” (2013). O longa de ficção científica abriu portas no mercado estrangeiro e colocou o nome do ator em produções de maior alcance global. A partir dali, a carreira passou a alternar trabalhos no Brasil e nos Estados Unidos, ampliando seu repertório e sua visibilidade.

A consagração internacional veio com a série “Narcos” (2015–2016), da Netflix. Interpretando Pablo Escobar, Moura mergulhou no espanhol e transformou o personagem em um dos retratos mais comentados da televisão na década. O desempenho lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro e o colocou definitivamente no radar das grandes produções mundiais.

Nos anos seguintes, ele diversificou ainda mais seus projetos. Atuou em “Sergio” (2020), emprestou a voz ao personagem Death em “Puss in Boots: The Last Wish” (2022) e integrou o elenco de “Civil War” (2024). Também participou de séries como “Dope Thief”, consolidando espaço em diferentes formatos e gêneros.

Paralelamente à atuação, Moura assumiu a direção de seu primeiro longa, “Marighella” (2019). O filme aborda a trajetória do líder revolucionário Carlos Marighella e revelou outra faceta do artista, agora atrás das câmeras. O projeto reforçou seu interesse por temas políticos e sociais, frequentemente presentes em sua filmografia.

O ápice recente veio com “O Agente Secreto” (2025), dirigido por Kleber Mendonça Filho. Pelo trabalho no longa, Wagner Moura se tornou o primeiro ator brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama. Também foi o primeiro sul-americano a conquistar o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. A performance ainda garantiu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator, feito inédito para um artista brasileiro de língua portuguesa.

Essas conquistas colocaram o nome de Moura em uma posição histórica no cinema internacional. Sua carreira passou a ser vista como símbolo de um novo momento para atores brasileiros no exterior. O reconhecimento não veio apenas pelos prêmios, mas pela consistência e pela intensidade de suas escolhas artísticas.

Ao longo de quase três décadas, Wagner Moura construiu um percurso marcado por personagens densos, engajamento político e busca por desafios criativos. Da Bahia para o mundo, ele se transformou em um dos rostos mais importantes do cinema brasileiro contemporâneo, com presença consolidada em Hollywood e nas principais premiações globais.

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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.

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