Em estudo da ANAC, cerca de 53% dos participantes PNAE evitam viajar devido a falta de estrutura
O direito de viajar com autonomia ainda não é uma realidade para muitos brasileiros. A acessibilidade no turismo segue sendo um desafio no país, mesmo com avanços legais. Dados do Ministério do Turismo mostram que 53% das pessoas com deficiência já desistiram de viajar por falta de infraestrutura adequada.
Na prática, a dificuldade vai além da adaptação de espaços físicos. Falhas na comunicação de direitos, despreparo de serviços e ausência de padronização tornam o planejamento de uma viagem mais complexo para esse público.
A legislação brasileira garante uma série de direitos às pessoas com deficiência. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) estabelece a acessibilidade como um princípio fundamental, assegurando igualdade de condições no acesso ao lazer, transporte e turismo.
No setor aéreo, as regras são mais específicas. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) define como Passageiros com Necessidade de Assistência Especial aqueles que precisam de suporte adicional durante a viagem. Isso inclui pessoas com deficiência, idosos, gestantes e indivíduos com mobilidade reduzida.
Nesses casos, as companhias aéreas devem oferecer assistência desde o embarque até o desembarque. O suporte inclui atendimento prioritário, ajuda no deslocamento dentro do aeroporto e acompanhamento durante o voo.
Quando o passageiro não consegue viajar sozinho, a legislação garante o direito a um acompanhante.
“A legislação prevê que a companhia aérea disponibilize sem custo adicional ou permita que o próprio passageiro escolha alguém de confiança, para que o acompanhe, pagando uma tarifa reduzida, limitada a 20% do valor da passagem original. Em alguns casos, já está regulamentado o desconto de 80% para o assento dessa segunda pessoa”, explica Marco Lisboa, CEO da 3, 2, 1 GO!, rede especializada em turismo acessível nacional e internacional.
Apesar disso, especialistas apontam que a aplicação dessas regras varia entre as companhias, o que gera insegurança e dúvidas entre os passageiros.
Os direitos das pessoas com deficiência não se restringem às viagens de avião. A legislação brasileira também prevê garantias em diferentes etapas da experiência turística.
Entre os principais direitos estão o atendimento prioritário em serviços públicos e privados, além do transporte gratuito de equipamentos de mobilidade, como cadeiras de rodas e andadores, sem cobrança adicional.
Outro ponto importante é o acesso à cultura. A lei da meia-entrada assegura desconto em ingressos para eventos culturais, esportivos e de lazer, benefício que também pode ser estendido ao acompanhante quando necessário.
“Quando uma viagem inclui parques, shows ou museus, o impacto financeiro pode ser alto. A meia-entrada reduz barreiras econômicas e amplia as possibilidades de lazer e cultura para esse público, que historicamente esteve à margem dessas experiências”, reforça o CEO da 3, 2, 1 GO!.
Esse tipo de medida tem impacto direto na inclusão social. O acesso ao turismo e ao lazer é considerado um fator importante para qualidade de vida e participação plena na sociedade.
Mesmo com um conjunto robusto de leis, a desinformação continua sendo um dos principais entraves. Muitas pessoas com deficiência e seus familiares desconhecem direitos básicos, como o desconto para acompanhantes ou a gratuidade no transporte de equipamentos.
Além disso, a divulgação dessas informações por empresas do setor ainda é limitada. Sites de companhias aéreas e agências de turismo nem sempre apresentam orientações claras, o que dificulta o acesso aos benefícios.
Nos últimos anos, propostas em discussão no Congresso Nacional buscam ampliar essas garantias. Entre elas, estão iniciativas de passe livre aéreo para pessoas com deficiência de baixa renda e maior padronização das regras para acompanhantes.
Enquanto novas medidas não avançam, especialistas defendem que o principal desafio está na fiscalização e no cumprimento das normas já existentes.
Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
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