Produção da A24 apresenta um Robin Hood envelhecido, marcado pela violência do passado e em busca de redenção nos últimos dias de vida
A clássica história de Robin Hood ganhará uma nova releitura nos cinemas com o filme “A Morte de Robin Hood”, produção da A24 dirigida por Michael Sarnoski, de “Um Lugar Silencioso: Dia Um”. O longa estreia nos cinemas brasileiros em agosto, com distribuição da Imagem Filmes, e coloca Hugh Jackman no papel de um Robin Hood envelhecido que enfrenta os fantasmas da própria trajetória enquanto busca redenção após décadas como fora da lei.
O novo filme resgata aspectos pouco explorados da lenda original. Em vez do herói que rouba dos ricos para entregar aos pobres, a narrativa acompanha um homem desgastado física e emocionalmente, obrigado a confrontar as consequências de suas escolhas. Dessa forma, “A Morte de Robin Hood” aproxima o personagem das versões medievais que inspiraram sua criação e se distancia da imagem popularizada pelo cinema e pela animação da Disney.
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No filme “A Morte de Robin Hood“, ambientado por volta de 1247, Robin Hood vive isolado na fronteira celta após anos de conflitos. Entretanto, sua rotina muda quando Pequeno João, interpretado por Bill Skarsgard, convence o antigo companheiro a participar de mais uma batalha. Durante o confronto, Robin sofre ferimentos graves e acaba levado para um priorado isolado, onde inicia uma jornada de recuperação física e emocional ao lado de uma pequena comunidade.
Enquanto tenta sobreviver aos ferimentos, o personagem passa a refletir sobre a própria história e questiona se ainda existe espaço para reparar os erros que cometeu ao longo da vida.
Nesse período, ele convive com Irmã Brigid, vivida por Jodie Comer, além de um homem misterioso e de uma menina traumatizada. Aos poucos, o longa troca as grandes cenas de ação por conflitos internos, transformando a busca pela sobrevivência em uma reflexão sobre culpa e redenção.
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Ao apresentar um protagonista fragilizado, o diretor Michael Sarnoski rompe com a imagem tradicional do arqueiro heroico que marcou o cinema durante décadas. O cineasta explicou que a inspiração veio da antiga balada “Robin Hood’s Death”, obra que retrata os últimos dias do personagem.
“Eu não quis que a prioresa fosse apenas aquela freira malvada, nem que Robin fosse simplesmente aquele herói bom”, afirmou.
Segundo ele, o filme “A Morte de Robin Hood” se transforma em “uma história sobre ele, que enfrenta sua própria lenda e seu desejo sobre o que seria uma morte correta”.
Essa proposta também aproxima a produção das origens medievais do personagem. As primeiras narrativas retratavam Robin Hood como um vigarista medieval moralmente questionável, distante do justiceiro altruísta que se tornou popular nas adaptações modernas.
As primeiras avaliações internacionais revelam opiniões bastante diferentes sobre o longa. Parte da imprensa elogiou a atuação de Hugh Jackman, a fotografia assinada por Pat Scola e a decisão de transformar Robin Hood em um personagem marcado pelo desgaste físico e psicológico.
O portal JoBlo, por exemplo, recomendou o filme aos fãs de “Logan” e “O Homem do Norte”, enquanto Matt Neglia, do Next Best Picture, definiu a produção como uma jornada sombria conduzida por uma interpretação intensa de Jackman.
Por outro lado, alguns veículos apontaram problemas relacionados ao ritmo da narrativa. O The Hollywood Reporter avaliou que o longa aposta em uma atmosfera melancólica durante praticamente toda a projeção, o que pode afastar parte do público acostumado às aventuras tradicionais do personagem.
As primeiras avaliações publicadas no Rotten Tomatoes refletiram essa divisão, com índices de aprovação variando entre aproximadamente 64% e 69% conforme novas críticas passaram a integrar o agregador.
O filme “A Morte de Robin Hood” chega aos cinemas brasileiros no dia 13 de agosto.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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