Documentário reúne artistas, DJs e produtores que transformaram um movimento da periferia em fenômeno nacional
Das festas de som automotivo nas periferias de Goiânia aos palcos nacionais, o eletrofunk goiano construiu uma trajetória que agora será contada no cinema. O documentário “A Tropa de Goiânia!”, dirigido por João Lucas Ribeiro e Iuri Moreno, estreia nas salas de Goiás em novembro. Com 70 minutos de duração, o longa apresenta as origens do gênero musical, seus principais personagens e os caminhos que levaram o ritmo, marcado pela combinação de house e funk, a conquistar milhões de ouvintes pelo país.
Produzido pela Caolha Filmes em parceria com a Fósforo Cultural e a Matuta Produções, o filme reúne registros de grandes eventos, imagens de bastidores e entrevistas com nomes que participaram diretamente da formação e da popularização do movimento.
Muito antes de alcançar as plataformas digitais e os grandes eventos musicais, o eletrofunk surgiu da cultura do som automotivo em Goiás. Uma das principais referências dessa história é a Abelvolks, empresa fundada em 1967 e especializada no segmento.
A partir dos anos 1990, as festas organizadas pela Abelvolks contribuíram para a popularização da marca e para o desenvolvimento de uma cena musical própria. O ambiente das equipes de som, marcado por equipamentos potentes e encontros de público, ajudou a formar as bases do gênero que posteriormente ganharia projeção nacional.
O crescimento do eletrofunk ganhou força durante a pandemia, especialmente após o lançamento do álbum “22 Eletro Funk Especial de Quarentena”, produzido pelo DJ Wam Baster. O trabalho marcou uma etapa importante da expansão do ritmo para novos públicos.
Em 2023, o movimento recebeu uma homenagem da Assembleia Legislativa de Goiás, que promoveu uma sessão solene dedicada aos DJs e produtores ligados ao gênero. A iniciativa representou um reconhecimento institucional para uma manifestação cultural que enfrentou preconceitos ao longo de sua trajetória.
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Entre os artistas apresentados em “A Tropa de Goiânia!” está MC Jacaré, um dos principais representantes do eletrofunk. O cantor acumula, conforme os números apresentados pela produção, 15 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 3,1 milhões de seguidores no Instagram.
A participação do artista ajuda a dimensionar o alcance de um movimento que ultrapassou as fronteiras de Goiás. Representantes do gênero já realizaram apresentações internacionais em países como Inglaterra, Portugal e Estados Unidos.
O documentário também reúne depoimentos de Dan Better, DJ Brenno Paixão, DJ Fabrício Rodrigues, DJ Índia, DJ Jiraya Uai, DJ Junim Dantes, DJ Low, DJ Tubas, DJ Vinícius Cavalcante, Maaju, MC Lozin e Wam Baster.
Além dos músicos, participam o produtor musical Nadir Netto, os empresários Glauber Silva e Silvibel Silva, ligados à Abelvolks, e Santiago Maia, da Sam Music.
Os relatos desses personagens são acompanhados por imagens dos bastidores de eventos, permitindo conhecer diferentes momentos da formação do eletrofunk e o papel de quem trabalhou para levar o gênero a novos espaços.
A valorização dos profissionais que construíram o movimento é um dos pontos centrais do documentário. Para o codiretor Iuri Moreno, registrar essa trajetória no cinema também representa uma oportunidade de apresentar ao público uma manifestação cultural desenvolvida fora dos grandes centros tradicionais da indústria musical.
“A gente quis contar a história do eletrofunk a partir de quem construiu esse movimento. É uma cultura que nasceu na periferia de Goiânia, cresceu muitas vezes à margem dos grandes meios e hoje alcança milhões de pessoas pelo Brasil. Para nós, é motivo de muito orgulho poder contar essa história a partir de Goiás, por uma produtora goiana e com uma equipe majoritariamente goiana. Existe uma potência muito grande em podermos olhar para as histórias que nascem aqui e levá-las para as telas do cinema a partir de quem vive e produz no estado. Realizar um longa-metragem dessa dimensão no estado é uma conquista que mostra a importância das políticas públicas de incentivo ao audiovisual. Foi através da Lei Paulo Gustavo que tivemos a oportunidade de produzir aqui, com profissionais daqui, um filme que registra e valoriza uma manifestação cultural tão importante para Goiás”, comenta Moreno.
O diretor João Lucas Ribeiro também chama atenção para a identidade regional do gênero e para a importância de apresentar seus protagonistas ao público brasileiro.
“O eletrofunk é um movimento de música genuinamente goiano, popular, e que cada vez mais ganha espaço. Os personagens são de uma riqueza ímpar e mostrar está cena pro Brasil foi urgente pra mim, quando decidi me empenhar neste projeto. É a nova música de Goiás com potencial para nos representar. É o funk goiano!”, analisa Ribeiro.
A realização do longa contou com recursos da Lei Paulo Gustavo, mecanismo de incentivo ao audiovisual que possibilitou a produção do filme em Goiás, com participação majoritária de profissionais do próprio estado.
A direção do documentário reúne dois profissionais com trajetórias ligadas à música, à produção cultural e ao cinema.
João Lucas Ribeiro atua há mais de duas décadas na cena musical brasileira. É fundador do coletivo Fósforo Cultural e idealizador dos festivais Vaca Amarela, La Bomba Latina e Grito Rock.
Jornalista de formação, músico e radialista, Ribeiro também trabalha como produtor da Rádio MOOV FM. Embora tenha iniciado sua carreira no audiovisual, “A Tropa de Goiânia!” marca sua estreia na direção de um longa-metragem.
Iuri Moreno é diretor, roteirista e produtor executivo da Caolha Filmes. Em 2023, recebeu o troféu Grande Otelo, concedido pela Academia Brasileira de Cinema, pelo curta-metragem “A Menina Atrás do Espelho”.
Ao longo da carreira, participou de mais de 500 festivais de cinema no Brasil e no exterior com produções desenvolvidas pela Caolha Filmes. Moreno também está entre os idealizadores do festival de animação Lanterna Mágica.
O cineasta possui pós-graduação em cinema e realizou cursos livres de roteiro e produção executiva na Escola Internacional de Cinema e Televisão (EICTV), em Cuba.
O documentário “A Tropa de Goiânia!” estreia nos cinemas de Goiás em 12 de novembro, com distribuição da Caolha Filmes.
A produção tem duração de 70 minutos e apresenta a trajetória do eletrofunk desde suas raízes na cultura do som automotivo até sua expansão para o mercado musical brasileiro e apresentações internacionais.
Outros detalhes sobre o filme podem ser conferidos diretamente nas redes sociais: instagram.com/atropadegoiania.
Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo
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