Mercado de aluguel por temporada movimentou R$ 113,2 bilhões no Brasil em 2025 e exige atenção a manutenção, limpeza, estrutura e segurança
Com férias escolares, feriados e festas de fim de ano se aproximando, proprietários que apostam no aluguel por temporada precisam olhar além das fotos usadas no anúncio. Fechaduras, limpeza, utensílios, áreas externas, espaço para bagagens e proteção contra imprevistos estão entre os pontos que podem interferir diretamente na experiência do hóspede e, depois da estadia, aparecer nas avaliações deixadas na plataforma.
O mercado de aluguel por temporada movimenta cifras relevantes no país. Estudo da FGV Projetos, elaborado a pedido do Airbnb, aponta que a atividade gerou R$ 113,2 bilhões na economia brasileira em 2025, alta de 13,4% em relação ao ano anterior. O impacto calculado inclui R$ 62,8 bilhões no Produto Interno Bruto, 703,9 mil postos de trabalho e R$ 9 bilhões em tributos diretos.
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Um detalhe comum para quem mora na casa pode virar um problema para quem chega pela primeira vez. Fechaduras que precisam de determinado movimento, portões difíceis de abrir e chaves desgastadas devem ser testados antes do início das reservas.
Pedro HS Rocha, diretor de Vendas e Marketing da Aliança Metalúrgica, recomenda que a revisão também alcance componentes ligados ao sistema de gás, como válvulas e mecanismos que apresentem sinais de desgaste.
O cuidado com o acesso tem peso inclusive nas avaliações. No Airbnb, check-in, limpeza, exatidão do anúncio, comunicação, localização e custo-benefício estão entre as categorias avaliadas pelos hóspedes. Esses indicadores também participam dos critérios usados pela plataforma para destacar acomodações bem avaliadas. Instruções simples também evitam transtornos. Informações sobre entrada no imóvel, uso de portões, senhas ou outras particularidades devem estar atualizadas e ser fáceis de entender.
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Piscina e área verde costumam ganhar destaque nas imagens de imóveis de temporada, mas precisam chegar ao hóspede nas mesmas condições apresentadas no anúncio. Água sem tratamento adequado, jardim sem manutenção ou área externa mal cuidada podem comprometer a percepção sobre toda a hospedagem.
José Roberto Campanelli, diretor da rede Mary Help, orienta programar serviços de limpeza e manutenção entre uma reserva e outra. Dentro da residência, a atenção inclui sofás, tapetes e cortinas, principalmente nos imóveis que permitem a presença de animais.
Uma cozinha bem fotografada não necessariamente é uma cozinha funcional. Quem escolhe uma casa ou apartamento para as férias frequentemente espera conseguir preparar pelo menos algumas refeições no local.
Pratos, copos, talheres, panelas e utensílios básicos precisam estar disponíveis em quantidade compatível com a capacidade informada no anúncio. Itens simples, como abridor, faca adequada ou recipiente para armazenar alimentos, também podem fazer diferença no uso cotidiano.
Rogério Zorzeto, CEO da Prioridade 10, recomenda avaliar aquilo que será efetivamente utilizado durante a hospedagem, evitando tanto a falta de utensílios quanto ambientes sobrecarregados.
A mesma lógica vale para quartos e banheiros. Roupas de cama e toalhas devem considerar o número máximo de pessoas que o imóvel recebe. Entre suas orientações para anfitriões, o Airbnb cita utensílios de cozinha, itens essenciais e roupas de cama adicionais como elementos ligados à qualidade da estadia.
Armários cheios de pertences do proprietário podem criar outro desconforto. Mesmo imóveis pequenos precisam reservar algum espaço para roupas, malas e objetos de quem ficará hospedado por alguns dias. Laercio Carlos Marchioni Filho, especialista em móveis planejados, indica soluções como nichos, cabideiros, locais específicos para bagagens e móveis multifuncionais para aproveitar ambientes compactos.
A recomendação também passa por reduzir a quantidade de objetos pessoais deixados nos espaços destinados ao hóspede. Um guarda-roupa pode estar disponível no anúncio, mas perde utilidade quando todas as gavetas e prateleiras permanecem ocupadas.

Um problema no imóvel durante a alta temporada pode gerar duas despesas simultâneas, o custo do reparo e a perda de receita enquanto a propriedade permanece indisponível. Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, recomenda verificar se o seguro residencial é compatível com aluguel por temporada, além de conferir coberturas, limites, exclusões e assistências incluídas na apólice.
A própria plataforma orienta anfitriões a revisar seus seguros particulares. O AirCover inclui proteção contra determinados danos e um seguro de responsabilidade civil para anfitriões, mas não substitui o seguro residencial, de locação ou uma cobertura específica de responsabilidade civil.
Quem pretende disponibilizar a residência durante as férias também deve considerar as regras aplicáveis à modalidade. A Lei do Inquilinato define como locação para temporada aquela destinada à residência temporária por razões como lazer, cursos, tratamento de saúde ou outras situações por tempo determinado.
A legislação estabelece prazo de até 90 dias para esse tipo de contrato, esteja o imóvel mobiliado ou não. Além da legislação nacional, anfitriões precisam observar eventuais regras de condomínios e normas locais. O próprio Airbnb orienta que cada responsável pelo anúncio conheça as obrigações aplicáveis ao endereço onde a hospedagem é oferecida.
Uma última revisão pode revelar falhas que passam despercebidas na rotina do proprietário. O exercício é simples: entrar no imóvel como se fosse a primeira visita, abrir a porta, testar o chuveiro, preparar uma refeição, usar a internet, guardar uma mala e verificar o funcionamento dos principais equipamentos.
O mesmo cuidado pode ser aplicado às informações do anúncio. Fotos, número de camas, comodidades disponíveis e instruções de acesso precisam corresponder ao que será encontrado na chegada. Essa precisão também afeta a visibilidade dentro da plataforma.
O Airbnb considera avaliações, qualidade, conteúdo do anúncio, comunicação, comodidades e outros indicadores na ordenação dos resultados de busca; acomodações com notas e avaliações melhores tendem a alcançar posições mais altas.
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Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
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