Campanha nacional alerta para falhas no tratamento e ensina uso correto de inaladores em todo o país
De acordo com o Ministério da Saúde, a asma no Brasil segue causando impacto significativo na saúde pública e provoca cerca de 2.500 mortes por ano. Mesmo com medicamentos eficazes disponíveis, especialistas alertam que o uso incorreto de inaladores continua sendo um dos principais obstáculos para o controle da doença respiratória crônica, que atinge cerca de 300 milhões de pessoas no mundo.
Mesmo com medicamentos eficazes disponíveis, o controle da doença ainda enfrenta obstáculos básicos. O principal deles está na forma como pacientes utilizam as chamadas bombinhas, fundamentais para levar o remédio diretamente aos pulmões. O problema, recorrente há décadas, continua comprometendo resultados e aumentando riscos de agravamento.
Uma revisão científica com pacientes nos Estados Unidos revelou um cenário preocupante. Segundo o levantamento publicado no Journal of the COPD Foundation, 86,7% dos usuários cometem erros ao utilizar inaladores e 76,9% falham em pelo menos 20% das etapas necessárias, comprometendo a eficácia do tratamento
O estudo também chama atenção para outro ponto crítico. Apenas 15,5% dos profissionais de saúde dominam completamente a técnica correta, o que dificulta a orientação adequada aos pacientes e perpetua o uso incorreto dos dispositivos.
Entre as falhas mais frequentes estão etapas simples, mas decisivas para o funcionamento do medicamento. Muitos pacientes não esvaziam os pulmões antes da inalação ou inspiram rápido demais, quando o ideal seria uma respiração lenta e profunda.
Outros erros incluem não agitar o inalador antes do uso, não prender a respiração após a aplicação e deixar de utilizar o espaçador quando indicado. Esses deslizes são considerados críticos porque podem praticamente anular o efeito do remédio.
Mesmo com anos de campanhas e orientação médica, os índices de erro permanecem altos. A repetição dessas falhas mostra que o problema não está apenas no acesso ao tratamento, mas na forma como ele é aplicado no dia a dia.
Diante desse cenário, o Conselho Federal de Farmácia iniciou uma mobilização nacional para enfrentar a questão da asma no Brasil. A campanha busca ampliar diagnósticos, orientar pacientes e reduzir complicações associadas ao uso incorreto dos medicamentos.
Batizada de “Respira + Brasil”, a iniciativa começou nesta quina-feira 5 de maio em João Pessoa e Belém. A ação segue até 21 de junho, com atividades previstas em diversas regiões do país. A proposta é levar informação direta à população e destacar um alerta simples e impactante: “Respirar é automático até deixar de ser”.
Durante a campanha, serão oferecidos serviços gratuitos, incluindo avaliação da função pulmonar, vacinação e atendimento farmacêutico. A população também receberá orientações práticas sobre o uso correto de inaladores.
Além do atendimento direto, a ação envolve capacitação profissional. Mais de 11 mil farmacêuticos participam de um curso voltado ao cuidado de pessoas com asma, ampliando a rede de orientação em todo o país.
A asma é caracterizada por inflamação persistente das vias aéreas, com sintomas como falta de ar, chiado e tosse. Embora não tenha cura, pode ser controlada com acompanhamento adequado e uso correto dos medicamentos.
No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com a doença. O impacto também aparece nas internações, que chegam a aproximadamente 350 mil por ano.
A condição pode surgir em qualquer fase da vida e apresenta diferentes formas clínicas, incluindo tipos alérgicos, não alérgicos, de início tardio e associados à obesidade.
O avanço no controle da asma depende de dois fatores centrais. Diagnóstico precoce e uso correto dos dispositivos. Sem isso, mesmo tratamentos eficazes perdem resultado e aumentam o risco de complicações graves.
Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.
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