Especialistas alertam para impactos da pressão profissional, problemas financeiros e relações pessoais na saúde mental
O aumento dos casos de estresse emocional no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas em saúde mental. Dados da International Stress Management Association no Brasil, a ISMA-BR, apontam que 69% dos profissionais brasileiros apresentam sintomas físicos e emocionais ligados ao estresse ocupacional, cenário associado à sobrecarga diária e à dificuldade de equilibrar diferentes áreas da vida.
O tema ganhou ainda mais atenção após a divulgação de um teste criado para ajudar pessoas a identificarem sinais de desgaste psicológico e analisarem o próprio nível de satisfação com a rotina. A proposta busca estimular uma reflexão sobre hábitos, relações pessoais, ambiente de trabalho e qualidade de vida.
Segundo a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR, o problema não está ligado apenas à pressão profissional. “O desequilíbrio entre vida pessoal e profissional tem impacto importante no aumento do nível de estresse das pessoas”, afirma a especialista.
Ela também destaca que reduzir a discussão apenas ao chamado equilíbrio entre trabalho e vida pessoal pode limitar a compreensão do problema. “Mas acreditar que o problema ocorre apenas devido ao equilíbrio work-life é uma visão simplista. Há outros fatores que interferem, entre eles pressões financeiras, saúde, relações interpessoais e demandas pessoais.”
Especialistas do instituto apontam que a combinação entre excesso de responsabilidades, cobranças constantes e dificuldades emocionais tem provocado impactos diretos na saúde mental de trabalhadores brasileiros. Problemas financeiros, relações interpessoais desgastantes e insegurança profissional aparecem entre os fatores mais associados ao aumento do estresse.
De acordo com Ana Maria Rossi, pequenas mudanças na rotina podem contribuir para diminuir os efeitos do estresse emocional causados pela pressão diária. A psicóloga destaca a importância de reservar tempo para descanso, lazer e convivência social, mesmo em períodos marcados por excesso de tarefas.
“Esses hábitos têm comprovada importância na saúde mental. Reiteradamente, estudos científicos indicam que o relaxamento reduz o nível de cortisol, ajudando a diminuir o nível de estresse”, explica a presidente da ISMA-BR.
Outro ponto destacado pela especialista envolve a criação de vínculos afetivos e redes de apoio emocional. Segundo ela, relações saudáveis ajudam pessoas a enfrentarem momentos difíceis com maior estabilidade emocional e sensação de pertencimento.
A convivência social aparece como um dos elementos considerados essenciais para reduzir sintomas relacionados ao estresse emocional. A especialistaa afirma que pessoas com vínculos afetivos sólidos costumam apresentar maior capacidade de lidar com pressões cotidianas.
“Relacionamentos interpessoais são indispensáveis para a manutenção de núcleos de apoio e criam um vínculo de pertencimento, oferecendo apoio emocional e ajudando a lidar com a ansiedade e a depressão. Também, aumentam a resiliência diante de dificuldades, melhorando o bem-estar e a autoconfiança”, acrescenta Ana Maria Rossi.
O teste desenvolvido pela especialista foi criado justamente para ajudar pessoas a observarem como diferentes áreas da vida podem estar impactando o bem-estar emocional. As perguntas abordam satisfação pessoal, rotina profissional, equilíbrio emocional e percepção sobre qualidade de vida.
A avaliação esta disponivel no site da instituição, ele propõe reflexões simples sobre o cotidiano, permitindo identificar sinais que muitas vezes passam despercebidos durante períodos de alta pressão emocional e desgaste mental contínuo.
Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.
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