Eleições Brasil 2026: quem são os pré-candidatos à Presidência da República

Lista reúne 12 nomes já posicionados para a corrida presidencial; cenário ainda pode mudar até o registro no TSE

Eleições Brasil 2026 quem são os pré-candidatos à Presidência da República

A disputa pelo Palácio do Planalto em 2026 já ganha contornos definidos: 12 pré-candidatos à Presidência da República que se movimentam nos bastidores políticos. Embora o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estipule o período de 20 de julho a 5 de agosto para as convenções que oficializam as candidaturas, o cenário político brasileiro já apresenta as principais lideranças que disputarão o pleito de outubro. 

Mesmo com a lista já definida neste momento, o quadro ainda pode sofrer alterações. Até a oficialização das candidaturas, desistências e novas alianças devem influenciar diretamente o rumo da eleição.

Confira a lista completa dos pré-candidatos à Presidência da República em 2026

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Aldo Rebelo (DC)
  • Augusto Cury (Avante)
  • Cabo Daciolo (Mobiliza)
  • Ciro Gomes (PSDB)
  • Edmilson Costa (PCB)
  • Flávio Bolsonaro (PL)
  • Hertz Dias (PSTU)
  • Renan Santos (Missão)
  • Romeu Zema (Novo)
  • Ronaldo Caiado (PSD)
  • Rui Costa Pimenta (PCO)
  • Samara Martins (UP)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Natural de Caetés (PE), Lula consolidou sua base política na Grande ABC paulista como líder sindical dos metalúrgicos durante a década de 1970. Foi um dos principais fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980 e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1983. Após três tentativas (1989, 1994, 1998), foi eleito presidente em 2002 e reeleito em 2006. Em 2018, teve sua candidatura barrada após ser preso no âmbito da Operação Lava Jato, passando 580 dias na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

 Em 2021, o STF anulou suas condenações, devolvendo-lhe os direitos políticos. Venceu a eleição de 2022 em um segundo turno. Aos 80 anos, tenta um quarto mandato inédito, focando sua plataforma na continuidade de programas de transferência de renda e na reindustrialização do país.

Flávio Bolsonaro (PL)

Advogado de formação e empresário, Flávio é o primogênito de Jair Bolsonaro. Iniciou a carreira parlamentar aos 21 anos como deputado estadual no Rio de Janeiro, cargo que exerceu por quatro mandatos consecutivos (2003–2019). No Palácio Tiradentes, presidiu comissões e focou em pautas de segurança pública e defesa dos militares.

Em 2018, foi eleito senador com mais de 4 milhões de votos. Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro decretada pelo TSE e sua posterior prisão, Flávio foi alçado pelo PL como o herdeiro direto do capital político bolsonarista, defendendo pautas conservadoras, o liberalismo econômico e o direito ao armamento.

Ronaldo Caiado (PSD)

Médico ortopedista com especialização na França, Caiado descende de uma influente linhagem política goiana. Ganhou notoriedade nacional nos anos 80 à frente da União Democrática Ruralista (UDR), defendendo o direito de propriedade e o agronegócio. Foi deputado federal por cinco mandatos e senador. 

Eleito governador de Goiás em 2018 e reeleito em 2022 com 85% de aprovação, focou sua gestão em segurança pública e austeridade fiscal. No início de 2026, articulou sua saída do União Brasil para o PSD de Gilberto Kassab, buscando uma estrutura partidária mais coesa para viabilizar sua candidatura a Presidência da República com apoio do setor produtivo.

Romeu Zema (Novo)

Graduado em Administração de Empresas pela FGV, Zema construiu sua trajetória no setor privado, transformando o Grupo Zema em uma das maiores redes de varejo e distribuição de combustível do interior do Brasil. Estreou na política em 2018 pelo partido Novo, apresentando-se como um gestor “outsider” termo utilizado para candidatos que vêm do setor privado, sem carreira prévia na política, e que defendem uma administração técnica em oposição ao modelo político tradicional.

Venceu a eleição para o governo de Minas Gerais e foi reeleito em primeiro turno em 2022 e deixou o governo estadual com 56% de aprovação. Sua gestão foi marcada pela adesão ao Regime de Recuperação Fiscal e pela privatização de ativos estaduais. Em 2026, renunciou ao governo mineiro para se dedicar integralmente à campanha nacional.

Ciro Gomes (PSDB)

Ciro Gomes, o candidato de papel – CartaCapital

Ciro é advogado e professor universitário, tendo passado por diversos partidos ao longo de quatro décadas. Foi o governador mais jovem do Ceará (1991–1994) e ministro da Fazenda durante a implantação do Plano Real no governo Itamar Franco. No primeiro governo Lula, comandou o Ministério da Integração Nacional.

Concorreu à presidência em 1998, 2002, 2018 e 2022, sempre defendendo o seu “Projeto Nacional de Desenvolvimento”. Após um período de reclusão política, filiou-se ao PSDB em 2025, buscando reconstruir o centro democrático e apresentando propostas focadas na reforma do sistema de crédito e na tributação de grandes fortunas.

Augusto Cury (Avante)

Psiquiatra, pesquisador e um dos autores mais lidos do mundo na última década, Cury desenvolveu a teoria da Inteligência Multifocal, que estuda o processo de construção dos pensamentos. Com mais de 40 milhões de livros vendidos em 70 países, ele decidiu entrar para a política institucional pelo Avante.

Sua pré-candidatura a Presidência da República é pautada na “humanização da política”, propondo a inclusão da gestão da emoção nas escolas públicas e no serviço público como forma de combater a violência e a polarização social, utilizando sua influência digital para mobilizar o eleitorado.

Renan Santos (Missão)

Formado em Direito, Renan é um dos estrategistas por trás do Movimento Brasil Livre (MBL), que utilizou as redes sociais para mobilizar grandes protestos de rua a partir de 2014. Atuou intensamente nos bastidores do impeachment de Dilma Rousseff e na renovação parlamentar de 2018. 

Em 2025, conseguiu registrar o partido Missão no TSE, após uma longa coleta de assinaturas. Sua pré-candidatura representa a tentativa do MBL de ter independência total das siglas tradicionais, focando em um discurso de combate aos privilégios do funcionalismo e na reforma profunda do Estado brasileiro.

Aldo Rebelo (DC)

Natural de Alagoas, Aldo iniciou na política no movimento estudantil e foi presidente da UNE. Como deputado federal por São Paulo, foi o relator do Novo Código Florestal e presidente da Câmara dos Deputados (2005–2007). Ocupou quatro ministérios diferentes nos governos do PT (Coordenação Política, Esporte, Ciência e Tecnologia e Defesa).

 Nos últimos anos, distanciou-se do PT por divergências sobre pautas ambientais e identitárias, adotando um discurso nacionalista de defesa da Amazônia e da soberania militar, o que o levou a se candidatar pela Democracia Cristã (DC).

Cabo Daciolo (Mobiliza)

Pré-candidatos à Presidência da República

Benevenuto Daciolo é bombeiro militar e ganhou fama nacional durante a greve da categoria no Rio em 2011, que resultou em sua prisão. Eleito deputado federal em 2014 pelo PSOL (do qual foi expulso posteriormente), Daciolo tornou-se um fenômeno de redes sociais na eleição a Presidência da República de 2018.

Suas transmissões ao vivo e discursos com forte teor bíblico e denúncias contra organizações internacionais marcaram sua campanha, na qual obteve mais de 1,3 milhão de votos. Retorna em 2026 pelo partido Mobiliza, mantendo o foco no eleitorado evangélico e nas classes populares.

Samara Martins (UP)

Pré-candidatos à Presidência da República

Cirurgiã-dentista e servidora pública do SUS, Samara tem uma trajetória de militância ligada aos movimentos de moradia e de mulheres. Como vice-presidente da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), partido registrado em 2019, ela defende a nacionalização de setores estratégicos da economia e a reforma agrária popular.

Foi candidata a vice-presidente em 2022 e, agora, encabeça a chapa da UP como a principal voz da esquerda revolucionária na disputa, focando no combate à fome e na redução da jornada de trabalho.

Edmilson Costa (PCB)

Economista com sólida carreira acadêmica, Edmilson é autor de diversas obras sobre a economia política brasileira e a crise do capitalismo mundial. Secretário-geral do PCB, ele representa a ala que defende a ruptura com o sistema financeiro internacional.

Sua plataforma para 2026 inclui a revogação de todas as reformas de cunho liberal dos últimos anos (trabalhista, previdenciária e teto de gastos) e a estatização do sistema bancário, levando o debate da “revolução brasileira” para o horário eleitoral.

Rui Costa Pimenta (PCO)

Quem são os candidatos a presidente em 2026

Jornalista e fundador do PCO, Rui é um dos mais antigos dirigentes partidários em atividade no país. Ex-membro do PT, de onde saiu para fundar uma organização trotskista, ele utiliza suas análises políticas semanais na internet para dialogar com uma base fiel.

Sua candidatura em 2026 mantém a linha de denúncia do que chama de “ditadura do judiciário” e defende o armamento da população e a dissolução de órgãos de controle que, segundo ele, ferem a soberania popular.

Hertz Dias (PSTU)

Quem são os candidatos a presidente em 2026

Professor da rede pública e historiador, Hertz é uma figura central do Hip Hop militante no Maranhão. Sua pré-candidatura a Presidência da República pelo PSTU foca na organização dos conselhos populares e na autogestão dos trabalhadores.

Defende a suspensão do pagamento da dívida pública para investir em saúde e educação e tem como um dos pilares de sua campanha a reparação histórica para a população negra e o fim da violência policial nas periferias.


Felipe Cordeiro
Autor: Felipe Cordeiro

Felipe Cordeiro é poeta, escritor e radialista com ampla experiência no universo da comunicação. Nordestino, carrega na voz e na escrita a força da cultura popular. Apaixonado por música, arte e pelas histórias que brotam do cotidiano, dedica-se aos estudos e vive intensamente o que a rua, a noite e a vida têm a ensinar.

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