Aeronave da Embraer usou combustível eletrossintético produzido a partir de CO₂ e energia renovável em rota no Texas
A American Airlines operou, em 6 de agosto de 2026, o primeiro voo comercial de passageiros nos Estados Unidos abastecido com combustível sustentável de aviação eletrossintético (eSAF) entregue a um aeroporto comercial do país. A aeronave, um jato Embraer E175-E1, partiu do Aeroporto Internacional de Corpus Christi e pousou no Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth, ambos no Texas, em um trajeto de aproximadamente 30 minutos.
A operação foi resultado de uma parceria entre a companhia aérea e a Infinium, empresa especializada em combustíveis sintéticos. Segundo as duas empresas, o voo marca a primeira entrega de combustível de aviação sustentável produzido sem matéria-prima de origem biológica a um aeroporto comercial norte-americano, um passo considerado relevante no processo de descarbonização do setor aéreo.
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O eSAF utilizado no voo foi fabricado na planta Pathfinder, da Infinium, localizada em Corpus Christi. A unidade é descrita pela companhia como a primeira instalação comercial do mundo dedicada à produção de combustíveis do tipo power-to-liquids, em operação desde 2023. O processo combina dióxido de carbono residual capturado e eletricidade renovável para gerar um combustível líquido que substitui o querosene de origem fóssil.
Antes de ser distribuído, o lote de eSAF foi misturado ao querosene de aviação convencional e submetido a testes para atender à especificação internacional ASTM Jet A, certificação que garante o uso do combustível em motores e sistemas de abastecimento já existentes, sem necessidade de qualquer adaptação técnica. Depois de aprovado, o combustível seguiu para os tanques comuns do aeroporto de Corpus Christi e foi alocado ao voo da American Airlines com destino a Dallas Fort Worth.
De acordo com a Infinium, o eSAF tem potencial para reduzir em mais de 90% as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do combustível, na comparação com o querosene de aviação tradicional.
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O modelo escolhido para a operação, o Embraer E175-E1, é um jato bimotor desenvolvido pela fabricante brasileira Embraer para rotas de curta e média distância, equipado com motores turbofan General Electric CF34, amplamente utilizados em aeronaves regionais. A escolha reforça o argumento das empresas de que o eSAF pode ser incorporado a aeronaves e infraestruturas já em operação comercial, sem exigir frotas ou equipamentos específicos.
O CEO da American Airlines, Robert Isom, comentou o significado da operação para a estratégia de sustentabilidade da companhia:
“O voo representa um momento significativo para a aviação. Por meio da nossa parceria com a Infinium, estamos demonstrando como tecnologias de nova geração, como o eSAF, podem sair da fase de investimento inicial e chegar à aplicação prática. Ampliar a produção de SAF a custos menores é essencial para reduzir emissões e fortalecer nossa competitividade de longo prazo.”
A American Airlines mantém acordo de compra futura de volumes comerciais de eSAF junto à Infinium, vinculado ao Project Roadrunner, unidade em construção no oeste do Texas. Segundo informações divulgadas pelas empresas, a planta deverá iniciar a produção em 2027, com capacidade projetada para superar 5 milhões de galões de eSAF por ano quando estiver em operação plena.
O acordo entre as companhias também está associado a um modelo comercial que permite à instituição financeira Citi compensar emissões de escopo 3 relacionadas a viagens corporativas por meio da compra de créditos vinculados ao SAF da American Airlines, mecanismo apresentado como alternativa para financiar a descarbonização de viagens empresariais.
Apesar do avanço tecnológico demonstrado no voo, o combustível sustentável de aviação ainda representa menos de 1% do consumo mundial de querosene de aviação, segundo dados citados pela American Airlines e pela Infinium. O setor aéreo global consome cerca de 100 bilhões de galões de combustível por ano e transporta mais de 4 bilhões de passageiros anualmente, volume que evidencia a distância entre a capacidade atual de produção de eSAF e a demanda real da aviação comercial.
A ampliação da produção de combustíveis eletrossintéticos depende, entre outros fatores, da disponibilidade de hidrogênio renovável e de eletricidade limpa em escala industrial, insumos essenciais ao processo de fabricação do eSAF e que ainda enfrentam gargalos de infraestrutura e custo em diferentes regiões do mundo.
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Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo
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