Clima seco em Goiás aumenta risco de pele ressecada e exige reforço nos cuidados

Baixa umidade durante o inverno favorece ressecamento, coceira e fissuras

Dermatologista dá dicas para proteger a pele no inverno (Foto: Pixabay)

O período mais seco do ano em Goiás, que coincide em grande parte com o inverno, aumenta a exposição da população a condições ambientais que favorecem o ressecamento da pele. Em 2026, o inverno começou em 21 de junho e termina em 22 de setembro.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a estação corresponde ao período climatologicamente menos chuvoso no Centro Oeste, quando a persistência de massas de ar seco reduz a umidade relativa. Com menos água disponível no ambiente, a pele tende a perder hidratação com maior facilidade, o que pode provocar sensação de repuxamento, coceira, descamação e, em casos mais intensos, fissuras.

Em Goiânia, dados do Instituto Nacional de Meteorologia reunidos em avaliação ambiental da Prefeitura mostram queda progressiva da umidade média ao longo da estação seca.

➡️Clique aqui e entre no canal do WhatsApp para receber notícias de forma gratuita

Ar seco prejudica a capacidade da pele de conservar água

A camada mais externa da pele exerce uma função essencial de barreira. Ela ajuda a impedir a entrada de agentes irritantes e, ao mesmo tempo, reduz a perda de água do organismo para o ambiente.

Quando essa barreira é prejudicada, a pele perde água com maior facilidade. O resultado pode aparecer na forma de aspereza, descamação, coceira, ardência e rachaduras. De acordo com a Academia Americana de Dermatologia, quadros mais intensos de ressecamento podem causar fissuras e até sangramento.

A dermatologista Maria Claudia Trombin, que atua em Goiânia, chama atenção para a necessidade de reforçar a hidratação da pele durante os meses mais secos.

O cuidado é especialmente relevante para pessoas que já apresentam tendência a pele seca ou doenças que comprometem a barreira cutânea. Na dermatite atópica, por exemplo, alterações nessa barreira facilitam a perda de água e contribuem para a sensação de pele seca e para a coceira.

>> Leia também: Anvisa proíbe cosméticos e apreende lote falsificado de “botox”; veja lista

Hidratante deve ser aplicado enquanto a pele ainda está úmida

Uma das medidas mais eficientes para enfrentar o ressecamento é aplicar hidratante logo depois do banho ou da lavagem da pele, antes que ela esteja completamente seca.

A recomendação da Academia Americana de Dermatologia é aplicar o produto enquanto a pele permanece levemente úmida. O objetivo é ajudar a reter parte da água presente na superfície e reduzir sua perda para o ambiente. O hidratante pode ser reaplicado ao longo do dia sempre que houver sensação de ressecamento.

Para peles muito secas, cremes e pomadas costumam oferecer maior capacidade de retenção de umidade do que loções mais fluidas. A Academia também recomenda preferência por produtos sem fragrância para pessoas com pele seca ou sensível, já que fragrâncias podem causar irritação em indivíduos suscetíveis.

Ingredientes como glicerina e ácido hialurônico podem fazer parte de formulações destinadas à hidratação. O produto ideal, entretanto, varia de acordo com o tipo de pele, presença de doenças dermatológicas e sensibilidade individual.

Beber água é importante para a saúde, mas não substitui o hidratante

A ingestão adequada de líquidos continua sendo importante para o funcionamento do organismo, especialmente durante períodos quentes e secos. Isso não significa, porém, que simplesmente aumentar o consumo de água seja suficiente para tratar pele ressecada.

Para o ressecamento provocado pela alteração da barreira cutânea, as principais recomendações dermatológicas concentram se no uso de hidratantes, na redução da agressão provocada pela higiene e no controle de fatores ambientais.

Por isso, hidratação do organismo e hidratação da superfície da pele não devem ser tratadas como equivalentes. Pessoas com restrição à ingestão de líquidos por doenças renais, cardíacas ou outras condições também devem seguir a quantidade recomendada pelo profissional de saúde responsável.

Banhos muito quentes e demorados pioram o ressecamento

O banho merece atenção especial durante o tempo seco. Apesar de a água quente ser mais procurada em dias de temperatura amena, temperaturas elevadas podem favorecer a retirada de componentes oleosos que ajudam a proteger a pele.

Para quem apresenta ressecamento, a Academia Americana de Dermatologia recomenda usar água morna e limitar o banho a aproximadamente cinco a dez minutos. Também é indicado secar a pele delicadamente com a toalha, sem esfregar.

Depois do banho, o hidratante deve ser aplicado enquanto ainda existe um pouco de umidade na superfície da pele. Esse hábito contribui para manter água na camada mais externa e diminuir a sensação de ressecamento.

Buchas e esponjas ásperas podem aumentar a irritação

Esfregar vigorosamente a pele também deve ser evitado, principalmente quando ela já está seca, sensível ou com coceira. A Academia Americana de Dermatologia recomenda métodos suaves de limpeza e alerta que escovas e materiais que produzem atrito podem irritar a pele. O uso das próprias mãos ou de um tecido macio pode ser uma alternativa para quem apresenta sensibilidade.

A lógica é simples. Durante o período seco, a prioridade deve ser limpar a pele sem aumentar desnecessariamente a agressão à barreira cutânea.

Limpadores suaves podem ser melhores do que sabonetes tradicionais

A escolha do produto de higiene também interfere no ressecamento. Sabonetes tradicionais, principalmente formulações mais alcalinas ou agressivas, podem alterar a barreira da pele e favorecer a retirada de lipídios de sua superfície.

Uma alternativa são os chamados syndets, abreviação de detergentes sintéticos. Diferentemente dos sabonetes produzidos pelo processo tradicional de saponificação, esses produtos utilizam agentes de limpeza sintéticos e podem ser formulados com pH mais próximo ao da pele. Estudos dermatológicos indicam que syndets suaves tendem a provocar menos alteração da barreira cutânea do que sabonetes alcalinos convencionais.

Isso não significa que todo syndet seja automaticamente indicado para qualquer pessoa. A formulação completa do produto importa. Para pele seca ou sensível, a recomendação geral é escolher limpadores suaves e sem fragrância e suspender o uso caso apareçam ardência ou irritação.

Protetor solar continua necessário no inverno e em dias nublados

O tempo mais fresco não elimina a exposição à radiação ultravioleta. A radiação solar continua atingindo a pele durante o inverno e também está presente em dias nublados.

A Academia Americana de Dermatologia recomenda proteção solar ao longo de todo o ano. Para as áreas da pele que permanecerem expostas, a orientação é utilizar protetor de amplo espectro, com proteção contra UVA e UVB, resistente à água e com fator de proteção solar igual ou superior a 30.

Quando a pessoa permanece ao ar livre, a reaplicação deve ocorrer aproximadamente a cada duas horas e também depois de nadar ou suar. Roupas, chapéus, óculos com proteção ultravioleta e a busca por sombra complementam a proteção.

O filtro solar não deve ser apresentado como um tratamento para pele seca. Sua função principal é proteger contra os efeitos da radiação ultravioleta, incluindo queimaduras, envelhecimento precoce da pele e aumento do risco de câncer de pele.

Dermatite atópica pode piorar quando a pele fica excessivamente seca

Pessoas com dermatite atópica precisam de atenção adicional durante períodos de baixa umidade. A doença está associada a alterações da barreira cutânea, o que facilita a perda de água e deixa a pele mais vulnerável ao ressecamento e à coceira.

A hidratação frequente é uma das medidas utilizadas no controle da doença. A recomendação é aplicar hidratante sem fragrância depois do banho e sempre que a pele estiver seca. Cremes e pomadas geralmente são preferidos a loções em pessoas com eczema porque apresentam maior capacidade de retenção de umidade.

Quem possui dermatite, psoríase ou outra doença de pele não deve iniciar medicamentos ou tratamentos por conta própria apenas porque os sintomas aumentaram durante o período seco. A avaliação dermatológica permite diferenciar um simples ressecamento de uma doença que exige tratamento específico.

Fissuras, sangramento e sintomas persistentes exigem avaliação

Na maior parte das situações leves, mudanças na rotina ajudam a diminuir o desconforto provocado pela pele seca. No entanto, o quadro merece avaliação médica quando persiste apesar desses cuidados ou quando surgem manifestações mais intensas.

Fissuras profundas, sangramento, ardência, dor, coceira importante e irritação persistente são sinais de que a barreira cutânea pode estar significativamente comprometida.

A Academia Americana de Dermatologia recomenda procurar um dermatologista quando o ressecamento não melhora com os cuidados habituais. Isso é importante porque pele excessivamente seca também pode estar associada a condições como dermatite atópica, psoríase e outras doenças.

Em Goiás, onde a queda das chuvas e da umidade é característica deste período do ano, alguns hábitos simples podem fazer diferença. Banhos curtos e mornos, hidratação da pele imediatamente após o banho, limpeza suave, redução do atrito e proteção contra a radiação solar ajudam a preservar a barreira cutânea durante os meses mais secos.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Leia Mais Sobre
IMG_2367
Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.