Shopping Cerrado recebe tarde de capoeira, samba e maculelê em Goiânia

Ginga Cerrado será realizado a partir das 16h e recebe iniciantes, crianças e adultos sem necessidade de inscrição

Capoeira

A capoeira ganha uma tarde de atividades gratuitas neste sábado (26), a partir das 16h, no Shopping Cerrado, em Goiânia. O Ginga Cerrado será realizado no Espaço Pequi, no piso 1, próximo ao Vapt Vupt, com roda, aulão para iniciantes, samba de roda e maculelê. A programação é aberta ao público de todas as idades e não exige inscrição antecipada.

Realizado em parceria com o Grupo Muzenza e coordenado pelo professor Nego, o encontro reunirá integrantes que já praticam capoeira e visitantes interessados em conhecer a manifestação pela primeira vez.

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Aulão de capoeira abre a roda para quem nunca praticou

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O aulão será direcionado especialmente aos iniciantes e não exige qualquer experiência anterior. A atividade apresenta movimentos básicos e permite um primeiro contato com a dinâmica de uma roda, sem necessidade de matrícula ou vínculo com o Grupo Muzenza. Depois da aula, os participantes poderão acompanhar o jogo entre integrantes que já praticam a modalidade.

Durante a roda, dois jogadores ocupam o espaço delimitado pelos demais participantes enquanto instrumentos, palmas e cantigas determinam o ritmo. Ataques, esquivas, giros e movimentos acrobáticos surgem a partir do diálogo corporal entre os jogadores, sem uma sequência previamente determinada. Na capoeira, a música não funciona apenas como acompanhamento, mas interfere diretamente na velocidade e na maneira como o jogo se desenvolve.

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Samba de roda e maculelê ampliam a programação da tarde

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O Ginga Cerrado também terá samba de roda e maculelê, duas manifestações ligadas à cultura afro-brasileira e presentes em encontros de grupos de capoeira. No samba de roda, canto, dança, palmas e instrumentos formam uma prática coletiva construída pela interação entre os participantes. O maculelê é marcado por movimentos coreografados tradicionalmente com bastões, que são batidos de acordo com o ritmo musical.

Ginga Cerrado leva a tradição para novos públicos desde 2021

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Realizado no Shopping Cerrado há cinco anos, o Ginga Cerrado mantém uma programação voltada à apresentação da capoeira fora dos ambientes dedicados exclusivamente ao treinamento. As edições permitem que pessoas que nunca frequentaram uma academia ou projeto cultural acompanhem uma roda, conheçam os instrumentos e tenham contato com praticantes. A gratuidade também elimina a necessidade de matrícula para quem deseja apenas experimentar a atividade.

A parceria é realizada com o Grupo Muzenza, fundado em 5 de maio de 1972, no Rio de Janeiro, por Paulo Sérgio da Silva, o Mestre Paulão. Em 1975, Mestre Burguês, Antônio Carlos de Menezes, levou o trabalho para Curitiba e participou da expansão da organização. Atualmente, o próprio grupo informa presença em 26 estados brasileiros e 61 países, resultado de uma trajetória iniciada há mais de cinco décadas.

História da capoeira atravessa resistência, criminalização e reconhecimento cultural

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A trajetória da capoeira está diretamente relacionada à experiência histórica da população negra no Brasil. O Iphan descreve a roda como uma manifestação de herança africana recriada no país, na qual canto, instrumentos, dança, golpes, brincadeira e rituais aparecem simultaneamente. Os conhecimentos são transmitidos principalmente pela convivência entre mestres, mestras e aprendizes, com aprendizado baseado na oralidade, observação e prática.

O reconhecimento atual contrasta com o tratamento dado à manifestação no início da República. Em 1890, o Decreto nº 847, que instituiu o primeiro Código Penal republicano, passou a proibir e penalizar a prática da chamada capoeiragem. A medida inseriu em lei uma perseguição que atingia uma expressão fortemente associada às populações negras no período posterior à abolição.

A mudança dessa trajetória ganhou força nas primeiras décadas do século 20. Em Salvador, Mestre Bimba, Manuel dos Reis Machado, abriu uma escola em 1932 e desenvolveu a Capoeira Regional, estruturando um modelo de ensino que levou a prática para ambientes formais. Por volta de 1937, sua academia recebeu registro oficial como escola de educação física, um episódio considerado decisivo para a mudança da imagem pública da manifestação.

Outro nome fundamental foi Mestre Pastinha, Vicente Ferreira Pastinha, principal referência da Capoeira Angola no século 20. Enquanto Bimba desenvolveu um método associado à Regional, Pastinha dedicou-se à preservação e transmissão de fundamentos da Angola, vertentes que seguiram caminhos próprios e tiveram papel importante na difusão da capoeira pelo Brasil e posteriormente por outros países.

Patrimônio brasileiro ganhou reconhecimento internacional em 2014

Em 2008, a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres foram registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Cultural do Brasil. A roda entrou no Livro de Registro das Formas de Expressão, enquanto o ofício reconheceu os conhecimentos transmitidos por quem preserva e ensina a prática entre gerações. Em 2024, o Iphan revalidou o título e atualizou a denominação para Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira.

O reconhecimento internacional veio em 2014, quando a Unesco incluiu a Roda de capoeira na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A organização destacou a manifestação como uma prática afro-brasileira que reúne luta e dança e funciona como espaço de transmissão de conhecimentos, memória da resistência à opressão e convivência entre diferentes grupos. A decisão também reconheceu o papel dos mestres na preservação dos códigos, ritmos e saberes da roda.

>>SE LIGA
Roda de Capoeira
Data: sábado, 26 de setembro
Horário: 16h
Local: Espaço Pequi, piso 1 do Shopping Cerrado; Avenida Anhanguera, nº 10.790, Setor Aeroviário, Goiânia
Entrada: gratuita

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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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