Check-up: exames de rotina ajudam a detectar doenças antes dos sintomas

Check-up simples ajuda a detectar riscos de infarto, AVC e diabetes antes do surgimento de sinais clínicos

Check-up: exames de rotina ajudam a detectar doenças antes dos sintomas

Milhões de pessoas convivem com alterações de saúde sem perceber. Hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e dislipidemias, que são alterações nos níveis de colesterol e outras gorduras no sangue, podem permanecer durante anos sem provocar sintomas claros. As condições poderiam ser tratadas facilmente caso o paciente realizasse um simples check-up anual.

Enquanto passam despercebidas, essas condições podem contribuir para danos progressivos aos vasos sanguíneos e a órgãos como coração, cérebro, rins e olhos. Em determinadas situações, um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) pode ser a primeira manifestação de uma doença cardiovascular que vinha se desenvolvendo silenciosamente.

É justamente nesse intervalo, antes das complicações, que a avaliação preventiva ganha importância. Medir corretamente a pressão arterial, avaliar a glicose no sangue e analisar o perfil lipídico são procedimentos relativamente simples que ajudam a identificar fatores de risco cardiovascular e metabólico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica pressão arterial elevada, glicemia elevada e alterações dos lipídios sanguíneos entre os principais fatores metabólicos associados às doenças crônicas não transmissíveis. As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo. Segundo estimativa publicada pela OMS em 2025, foram responsáveis por aproximadamente 19,8 milhões de mortes em 2022, cerca de 32% das mortes globais. Aproximadamente 85% dessas mortes cardiovasculares decorreram de infartos e AVCs.

Mas prevenção não significa simplesmente solicitar a maior quantidade possível de exames. A abordagem moderna procura avaliar o risco de cada indivíduo e definir, a partir de idade, histórico clínico, antecedentes familiares, hábitos e outros fatores, quais exames são necessários e com que frequência devem ser repetidos.

Check-up não é sinônimo de bateria indiscriminada de exames

A expressão “check-up” costuma ser associada a uma longa lista de exames laboratoriais e de imagem. Do ponto de vista científico, porém, essa não é necessariamente a melhor estratégia.

Em artigo publicado na Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, os cardiologistas Ana Paula Marte Chacra e Raul Dias dos Santos Filho destacam a importância da avaliação do risco cardiovascular, mas observam que o uso indiscriminado de testes na população não é custo-efetivo. A proposta é identificar fatores de risco e utilizar ferramentas de estratificação para reconhecer quem tem maior probabilidade de desenvolver eventos cardiovasculares e, portanto, quem mais pode se beneficiar de intervenções preventivas.

Isso significa que uma avaliação preventiva adequada começa antes do exame de sangue. Histórico familiar, idade, tabagismo, alimentação, atividade física, peso corporal, pressão arterial, doenças preexistentes e uso de medicamentos ajudam a determinar o risco individual.

A partir dessas informações, o profissional de saúde pode decidir quais exames são indicados e quando devem ser repetidos.

Por que algumas doenças permanecem silenciosas?

A ausência de sintomas é uma das principais dificuldades no enfrentamento das doenças crônicas. Muitas alterações cardiovasculares e metabólicas não produzem sinais perceptíveis em suas fases iniciais. Uma pessoa pode se sentir bem e, ainda assim, apresentar pressão arterial elevada, LDL-colesterol acima da meta adequada para seu risco ou alterações da glicemia.

Essa característica explica por que o rastreamento é importante. Esperar pelo aparecimento de sintomas pode significar perder uma oportunidade de intervir mais cedo.

Hipertensão: milhões não sabem que têm pressão alta

Check-up exames de rotina ajudam a detectar doenças antes dos sintomas

A hipertensão arterial é um dos exemplos mais importantes. Segundo a OMS, aproximadamente 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos viviam com hipertensão em 2024, o equivalente a cerca de um terço da população mundial nessa faixa etária. Aproximadamente 600 milhões, ou 44% das pessoas hipertensas, não sabiam que tinham a condição.

Na maioria das vezes, a hipertensão não provoca sintomas. Quando não controlada, entretanto, aumenta o risco de doenças cardiovasculares e pode contribuir para AVC, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal.

A pressão muito elevada pode provocar sintomas como dor de cabeça intensa, alterações visuais, dor no peito, tontura e dificuldade para respirar, mas esses sinais não devem ser utilizados como método para descobrir se alguém tem hipertensão. A maneira adequada de identificá-la é medir a pressão corretamente.

No Brasil, o atual Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hipertensão Arterial Sistêmica do Ministério da Saúde recomenda que todos os adultos com 18 anos ou mais, sem diagnóstico de hipertensão, sejam rastreados anualmente, com duas medidas da pressão arterial no consultório. Pessoas com pressão igual ou superior a 140/90 mmHg nessa avaliação devem ser encaminhadas para confirmação diagnóstica.

Uma única aferição alterada, portanto, não deve ser interpretada isoladamente como diagnóstico definitivo. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 recomenda que o diagnóstico de hipertensão seja estabelecido quando a pressão medida no consultório for igual ou superior a 140/90 mmHg em duas ocasiões diferentes. A diretriz também recomenda o uso da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) ou da Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) para confirmar o diagnóstico.

A pressão arterial pode variar ao longo do dia e sofrer influência de atividade física, estresse, dor, medicamentos e das próprias condições em que a medição é realizada. Por isso, valores elevados precisam ser avaliados adequadamente por um profissional de saúde.

Diabetes tipo 2 pode evoluir durante anos antes do diagnóstico, por isso é importante realizar um check-up

O diabetes tipo 2 também pode permanecer pouco perceptível por muito tempo, caso não seja realizado um check-up periódico. A OMS alerta que seus sintomas podem ser leves e levar anos para serem notados. Entre os possíveis sinais estão sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço, visão embaçada e perda de peso não intencional. Entretanto, muitas pessoas não apresentam manifestações suficientemente claras para procurar atendimento nas fases iniciais.

Ao longo do tempo, a glicose elevada pode lesar vasos sanguíneos e afetar coração, rins, olhos e nervos. O diabetes aumenta o risco de infarto, AVC, doença renal, perda visual e problemas nos pés relacionados a alterações neurológicas e circulatórias.

Dados da OMS mostram a dimensão do problema. O número de pessoas vivendo com diabetes no mundo passou de cerca de 200 milhões em 1990 para 830 milhões em 2022.

A detecção precoce permite não apenas identificar o diabetes, mas também reconhecer pessoas com pré-diabetes, condição intermediária em que os níveis de glicose estão acima do considerado normal, porém ainda não atingem os critérios diagnósticos do diabetes.

Ter pré-diabetes não significa que a evolução para diabetes tipo 2 seja inevitável. Alimentação adequada, atividade física e controle do peso podem reduzir o risco de progressão, e algumas pessoas necessitam de intervenções adicionais definidas individualmente.

A partir de que idade é recomendado rastrear diabetes?

As recomendações foram atualizadas nos últimos anos. A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2026 recomenda o rastreamento de diabetes tipo 2 para todos os indivíduos com 35 anos ou mais, mesmo sem sintomas.

Antes dessa idade, o rastreamento também é recomendado para adultos com sobrepeso ou obesidade quando existe pelo menos um fator de risco adicional, como histórico familiar de diabetes tipo 2 em parente de primeiro grau, hipertensão, doença cardiovascular, sedentarismo, HDL baixo, triglicerídeos elevados, síndrome dos ovários policísticos ou acantose nigricans.

A diretriz brasileira recomenda glicemia de jejum e/ou hemoglobina glicada (HbA1c) como exames iniciais de rastreamento. A HbA1c fornece uma estimativa da exposição média à glicose nos meses anteriores e, portanto, não equivale a uma glicemia medida em um único momento.

Para pessoas de menor risco, com exames normais, a repetição do rastreamento pode ocorrer depois de três anos. Pessoas com pré-diabetes, múltiplos fatores de risco ou risco elevado podem necessitar de reavaliações mais frequentes.

Portanto, não existe uma periodicidade única válida para toda a população.

Colesterol alto: ausência de sintomas não significa ausência de risco

As dislipidemias também costumam ser silenciosas. O colesterol é uma substância necessária ao organismo, mas determinadas partículas que transportam colesterol no sangue estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento da aterosclerose.

Entre elas, o LDL ocupa posição central. Em excesso, partículas aterogênicas podem penetrar na parede das artérias e participar do processo que leva à formação de placas de aterosclerose. Esse processo pode evoluir durante décadas sem sintomas. Dependendo das artérias comprometidas, a aterosclerose pode contribuir para doença coronariana, AVC e doença arterial periférica.

Por isso, dizer simplesmente que uma pessoa tem “colesterol alto” pode ser insuficiente. A interpretação depende não apenas do resultado laboratorial, mas também do risco cardiovascular individual.

O que realmente aparece no perfil lipídico solicitado no check-up?

O perfil lipídico convencional geralmente inclui ou permite obter informações como:

  • colesterol total;
  • LDL-colesterol;
  • HDL-colesterol;
  • triglicerídeos;
  • colesterol não HDL.

O LDL-colesterol é um dos principais alvos utilizados na prevenção cardiovascular. Já o HDL é útil na avaliação do risco, mas a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 ressalta que não há evidência robusta de que simplesmente elevar o HDL por meio de medicamentos reduza eventos cardiovasculares.

Outra informação importante é que o perfil lipídico nem sempre precisa ser realizado em jejum. A diretriz brasileira de 2025 considera aceitável a avaliação inicial sem jejum em diferentes circunstâncias. Se os triglicerídeos estiverem acima de 440 mg/dL em uma amostra sem jejum, pode ser recomendada nova coleta após jejum de 12 horas, conforme avaliação médica.

A mesma diretriz também recomenda, quando disponível, a dosagem da lipoproteína(a), ou Lp(a), pelo menos uma vez na vida na população geral, para auxiliar na estratificação do risco cardiovascular. A concentração de Lp(a) é fortemente determinada geneticamente e níveis elevados podem representar um fator adicional de risco cardiovascular.

Não existe um único valor de LDL ideal para todas as pessoas

Uma das informações mais importantes para interpretar um exame de colesterol é que a meta de LDL depende do risco cardiovascular.

De acordo com a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, os objetivos terapêuticos tornam-se progressivamente mais rigorosos conforme aumenta o risco do paciente. A diretriz estabelece metas de LDL inferiores a 115 mg/dL para pessoas classificadas como de baixo risco, inferiores a 100 mg/dL para risco intermediário, inferiores a 70 mg/dL para alto risco, inferiores a 50 mg/dL para risco muito alto e inferiores a 40 mg/dL para risco extremo.

Isso ajuda a explicar por que dois pacientes com exatamente o mesmo LDL podem receber recomendações diferentes. Uma pessoa jovem, sem diabetes, sem hipertensão, não fumante e sem outros fatores relevantes pode ter uma conduta diferente daquela indicada para alguém que já sofreu um infarto, por exemplo. Em outras palavras, o exame não deve ser interpretado fora do contexto clínico.

O risco cardiovascular é a soma de vários fatores

Pressão, glicemia e colesterol não funcionam de maneira isolada. Idade, tabagismo, histórico familiar, diabetes, doença renal, obesidade, sedentarismo e outras condições podem modificar substancialmente o risco de um evento cardiovascular.

É por isso que a medicina preventiva moderna trabalha com o conceito de risco cardiovascular global. Em vez de perguntar apenas “meu colesterol está alto?”, procura-se responder a uma questão mais ampla: qual é a probabilidade de essa pessoa desenvolver um evento cardiovascular e o que pode ser feito para diminuir esse risco?

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 recomenda a avaliação do risco cardiovascular e dos demais fatores de risco nos pacientes com hipertensão. A diretriz recomenda ainda a utilização do escore PREVENT para avaliação do risco cardiovascular.

Esse raciocínio também evita dois problemas opostos: subestimar alguém de alto risco porque um exame isolado parece “normal” e submeter uma pessoa de baixo risco a procedimentos ou tratamentos dos quais provavelmente obterá pouco benefício.

Check-up: Por que esperar sintomas pode ser perigoso?

Nas doenças cardiovasculares, sintomas nem sempre aparecem antes de uma complicação. A OMS destaca que a doença subjacente dos vasos sanguíneos pode não apresentar manifestações e que, em algumas pessoas, um infarto ou AVC pode ser o primeiro sinal da doença cardiovascular.

O mesmo raciocínio vale para os fatores de risco. A hipertensão frequentemente não provoca sintomas. O colesterol elevado normalmente é descoberto por exames laboratoriais. No diabetes tipo 2, manifestações podem permanecer discretas por anos.

Por isso, prevenção não significa procurar atendimento apenas quando alguma coisa “começa a doer”. Significa identificar riscos em momento no qual ainda seja possível reduzi-los.

O que fazer quando um exame vem alterado?

Um resultado fora do intervalo esperado não deve ser interpretado isoladamente. O primeiro passo é entender o contexto. Dependendo do exame, pode ser necessário confirmar o resultado, revisar as condições em que a coleta ou medição foi realizada e analisar outros fatores clínicos.

Na hipertensão, medidas repetidas são importantes para confirmar o diagnóstico. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 recomenda diagnóstico a partir de pressão no consultório igual ou superior a 140/90 mmHg em duas ocasiões diferentes e recomenda MAPA ou MRPA para confirmação diagnóstica.

No diabetes, existem critérios laboratoriais específicos e, em indivíduos assintomáticos, um resultado isolado compatível com diabetes pode precisar de confirmação.

No colesterol, a decisão de iniciar medicamentos não depende simplesmente de marcar no laudo se o LDL está “alto” ou “baixo”. É necessário considerar a concentração encontrada e, sobretudo, a categoria de risco cardiovascular do paciente.

Mudanças no estilo de vida continuam sendo parte central da prevenção

Independentemente da necessidade de medicamentos, hábitos de vida têm papel fundamental na prevenção cardiovascular e metabólica. Entre as medidas recomendadas estão:

  • não fumar;
  • manter atividade física regular;
  • adotar alimentação baseada predominantemente em alimentos in natura ou minimamente processados;
  • reduzir o consumo excessivo de sal;
  • limitar gorduras saturadas e evitar gorduras trans;
  • controlar o peso corporal quando houver excesso de peso;
  • aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes e fontes adequadas de fibras;
  • evitar o consumo nocivo de bebidas alcoólicas;
  • acompanhar pressão arterial, glicemia e lipídios de acordo com a indicação profissional.

Para prevenção ou atraso do diabetes tipo 2, alimentação saudável, atividade física regular e controle adequado do peso estão entre as principais estratégias.

Em pessoas com pré-diabetes e excesso de peso, intervenções estruturadas no estilo de vida podem reduzir o risco de progressão. Para determinados pacientes, medicamentos também podem ser considerados.

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Quando medicamentos são necessários?

Mudanças de hábitos são fundamentais, mas não substituem automaticamente medicamentos quando há indicação clínica.

Pessoas com hipertensão podem precisar de anti-hipertensivos. Pacientes com diabetes podem necessitar de medicamentos para controle glicêmico e, conforme o caso, proteção cardiovascular ou renal. Pessoas com risco cardiovascular elevado ou LDL acima da meta individual podem precisar de estatinas e, em determinadas situações, de outras terapias para redução do colesterol.

A decisão depende do risco individual, da intensidade das alterações, da presença de outras doenças e da resposta às intervenções adotadas.

Check-up: mais exames não significam necessariamente mais prevenção

Um dos equívocos associados ao conceito de check-up é acreditar que quanto maior a quantidade de exames, maior será a proteção. Nem sempre.

Exames solicitados sem indicação podem produzir achados incidentais, resultados falso-positivos e investigações adicionais desnecessárias. Por isso, uma avaliação preventiva de qualidade não é medida pelo tamanho da lista de exames solicitados, mas pela capacidade de identificar riscos relevantes e agir sobre eles.

No artigo da SOCESP sobre avaliação cardiovascular em indivíduos aparentemente saudáveis, Chacra e Santos Filho destacam que a literatura não sustenta o uso indiscriminado de testes na população. A estratificação do risco é utilizada para selecionar indivíduos que mais provavelmente se beneficiarão de intervenções preventivas.

Essa distinção é importante: prevenção não é sinônimo de excesso de exames. É a utilização adequada das ferramentas disponíveis para identificar e reduzir riscos evitáveis.

>> Leia também: Expectativa de vida no Brasil chega a 76,6 anos e amplia foco em prevenção e saúde

Quem merece atenção especial?

A necessidade e a frequência da avaliação variam de pessoa para pessoa, mas alguns fatores justificam atenção adicional, entre eles:

  • idade mais avançada;
  • sobrepeso ou obesidade;
  • hipertensão ou pressão frequentemente elevada;
  • diabetes ou pré-diabetes;
  • colesterol ou triglicerídeos alterados;
  • tabagismo;
  • sedentarismo;
  • doença renal crônica;
  • histórico pessoal de doença cardiovascular;
  • histórico familiar de doença cardiovascular precoce;
  • histórico familiar de diabetes tipo 2;
  • hipercolesterolemia familiar ou suspeita da condição;
  • diabetes gestacional prévio;
  • síndrome dos ovários policísticos associada a outros fatores metabólicos.

Pessoas jovens também não estão automaticamente livres de risco. Alterações genéticas, como a hipercolesterolemia familiar, podem produzir LDL muito elevado desde o nascimento e aumentar a exposição das artérias ao colesterol ao longo da vida.

Três números importantes, mas que não contam toda a história

Conhecer pressão arterial, glicemia e perfil lipídico pode revelar alterações que permaneceriam invisíveis por anos. Mas o principal avanço da prevenção cardiovascular não está simplesmente em acumular resultados laboratoriais. Está em interpretá-los em conjunto.

Uma pressão discretamente elevada pode assumir importância diferente em uma pessoa que também fuma e tem diabetes. Um LDL aparentemente não muito elevado pode exigir tratamento mais intensivo em alguém que já sofreu um infarto. Da mesma forma, um resultado laboratorial isoladamente alterado pode precisar ser confirmado antes de se estabelecer um diagnóstico.

Essa visão integrada transforma o chamado check-up de uma “bateria de exames” em uma avaliação de risco individualizada.

Pressão elevada, alterações da glicemia e dos lipídios estão entre os principais fatores associados às doenças cardiovasculares. Eles podem ser identificados antes do surgimento de complicações, justamente quando medidas preventivas e tratamentos adequados podem reduzir o risco futuro.


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Autor: João Pedro Oliveira

Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.

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