Novo filme sobre Chorão revisita amor, música e trajetória do Charlie Brown Jr.

“Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?” terá José Loreto como vocalista do Charlie Brown Jr. após passagem premiada pelo Festival de Gramado

  • Por
  • . atualizado às 10:39
cinebiografia de Chorão

A cinebiografia de Chorão ganhou título definitivo e novo cartaz nesta terça-feira (22). Antes apresentada como “Chorão: Só os Loucos Sabem”, a produção passa a se chamar “Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?”, mesmo nome do livro de memórias escrito por Graziela Gonçalves sobre a relação com o vocalista do Charlie Brown Jr. José Loreto interpreta Alexandre Magno Abrão, enquanto Nanda Marques vive Graziela. Dirigido por Hugo Prata e Felipe Novaes, o longa tem estreia prevista nos cinemas brasileiros em 2027.

A mudança ocorre pouco mais de um mês depois da primeira exibição pública do filme, realizada em 17 de agosto, na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado. A produção saiu da Serra Gaúcha com dois Kikitos: José Loreto dividiu o prêmio de Melhor Ator com Christian Malheiros, de “Justino: Nos Bastidores do Reino”, e Otavio de Moraes venceu na categoria Melhor Trilha Musical. Loreto também deixou sua marca na Calçada da Fama do festival.

➡️Clique aqui e entre no canal do WhatsApp para receber notícias de forma gratuita

Novo título aproxima a cinebiografia de Chorão da história de Graziela

A escolha de “Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?” deixa mais evidente a perspectiva utilizada para contar a trajetória do músico. O roteiro não se limita à ascensão do Charlie Brown Jr. ou aos acontecimentos públicos da carreira de Chorão, mas acompanha essa história a partir da relação construída com Graziela Gonçalves, presença decisiva em sua vida pessoal e inspiração para diferentes composições.

O nome vem do livro Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz? – Minha História de Amor com Chorão, publicado originalmente em 2018 pela Paralela. Nas memórias, Graziela percorre um relacionamento de quase duas décadas, iniciado antes da fama do Charlie Brown Jr., e passa por momentos de ascensão profissional, crises pessoais e pela morte do cantor, em 2013. A editora informa que a obra ultrapassou 150 mil exemplares vendidos no Brasil e ganhou uma edição especial em 2025.

O título também remete ao universo musical da banda e à relação de Chorão com Graziela, conhecida pelo apelido Grazon. A ligação aparece de forma direta em “Proibida Pra Mim (Grazon)”, uma das canções do primeiro álbum do Charlie Brown Jr. e uma das faixas mais associadas à história do casal.

>> Leia também: “Perfeitos Mentirosos”: filme traz jovem que se infiltra entre herdeiros para investigar morte do irmão

José Loreto venceu o Kikito antes da estreia comercial do filme

cinebiografia de Chorão

A primeira grande resposta pública à cinebiografia de Chorão veio antes mesmo de sua chegada ao circuito comercial. O longa entrou na Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros do Festival de Gramado ainda com o título “Chorão: Só os Loucos Sabem” e teve première mundial durante o evento.

Dias depois, José Loreto recebeu o Kikito de Melhor Ator em uma decisão compartilhada com Christian Malheiros. A trilha original de Otavio de Moraes também foi premiada pelo júri do festival, fazendo do filme um dos títulos reconhecidos na competição de 2026.

A interpretação exigiu uma aproximação com a personalidade e com a trajetória artística de Chorão sem depender apenas da semelhança física. Em entrevista durante o festival, Loreto definiu o trabalho como “o projeto da minha vida” e relacionou o personagem à própria adolescência, marcada pelo skate e pela identificação com a rebeldia presente nas músicas do Charlie Brown Jr.

Nanda Marques interpreta Graziela após mergulhar nas memórias do casal

Ao lado de Loreto, Nanda Marques interpreta Graziela Gonçalves e assume uma função importante na estrutura narrativa da cinebiografia de Chorão. A personagem não aparece apenas como companheira do músico: a história do relacionamento serve de fio condutor para atravessar diferentes períodos da vida de Alexandre e da formação do Charlie Brown Jr.

Durante a passagem por Gramado, a atriz contou que utilizou diretamente o livro de Graziela durante a preparação. “Eu li o livro cinco vezes e fiquei apaixonada pela forma que ela vê o mundo”, afirmou Nanda ao comentar o processo de construção da personagem.

A obra que inspira o filme acompanha Graziela desde os anos em que Chorão ainda buscava espaço na música até a transformação do Charlie Brown Jr. em um fenômeno nacional. A própria editora destaca a participação dela na trajetória do cantor e a influência da relação sobre letras que posteriormente fariam parte do repertório da banda.

História passa por Santos, skate e nascimento do Charlie Brown Jr.

cinebiografia de Chorão

Santos ocupa posição fundamental na cinebiografia de Chorão. Foi na cidade do litoral paulista que Alexandre Magno Abrão desenvolveu a ligação com o skate, iniciou sua trajetória musical e participou da criação do Charlie Brown Jr., formado em 1992 ao lado de Renato Pelado, Marcão, Champignon e Thiago Castanho.

O filme acompanha esse período e avança pela transformação do grupo em um dos principais nomes do rock brasileiro. O primeiro disco, Transpiração Contínua Prolongada, apresentou faixas como “O Côro Vai Comê!”, “Tudo que Ela Gosta de Escutar” e “Proibida Pra Mim (Grazon)”, além de estabelecer a mistura entre rock, hardcore, reggae, rap e referências da cultura do skate que marcaria a identidade da banda.

Segundo a Prefeitura de Santos, o Charlie Brown Jr. lançou dez discos com Chorão e vendeu mais de 5 milhões de cópias. O vocalista também desenvolveu trabalhos fora da música, atuou no cinema, manteve projetos ligados ao skate e transformou Santos em uma referência constante nas letras, apresentações e na própria identidade pública do grupo. Chorão morreu em 6 de março de 2013, aos 42 anos.

Diretores retornam à história de Chorão depois de documentário premiado

Esta não é a primeira vez que Hugo Prata e Felipe Novaes trabalham com a trajetória do cantor. Antes da atual cinebiografia de Chorão, Novaes dirigiu “Chorão: Marginal Alado”, com produção de Hugo Prata. O documentário teve sua primeira exibição na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2019 e chegou comercialmente ao público em 2021.

Construído a partir de imagens de arquivo e depoimentos de pessoas próximas ao músico, “Chorão: Marginal Alado” percorreu carreira, relações pessoais e episódios controversos da vida do artista. Entre os entrevistados estavam nomes como Champignon, João Gordo, Zeca Baleiro e Serginho Groisman.

O trabalho venceu, pelo voto do público, o prêmio de Melhor Documentário Brasileiro na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Posteriormente, também foi escolhido pelo público como Melhor Documentário Nacional no 48º Festival Sesc Melhores Filmes.

Filme transforma memórias do livro em narrativa de ficção

cinebiografia de Chorão

O roteiro da cinebiografia de Chorão é assinado por Duda de Almeida, que também trabalhou em “Sintonia” e “Angela”. A adaptação utiliza o livro de Graziela como base e acompanha a relação do casal paralelamente à formação da identidade artística de Chorão.

Essa escolha permite que acontecimentos conhecidos da carreira apareçam sob uma perspectiva pessoal. A chegada a Santos, o skate, os primeiros passos na música, a criação da banda e a projeção nacional dividem espaço com o relacionamento, os conflitos e as vulnerabilidades vividas longe dos palcos.

Além de Loreto e Nanda, Pedro Tirolli aparece entre os nomes associados ao elenco no papel de Champignon, baixista que participou de diferentes fases do Charlie Brown Jr. Na equipe técnica, Marcelo Trotta assina a direção de fotografia, Marcelo Escañuela responde pela direção de arte, Carolina Agresta pelo figurino e Mary de Rosemary Paiva pela maquiagem. A montagem é de Tiago Feliciano, enquanto Otavio de Moraes assina a trilha original premiada em Gramado.

Por enquanto, a produção confirma a estreia nos cinemas brasileiros em 2027, mas ainda não divulgou uma data nacional definitiva.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.