Cantora goiana chegou ao 7º lugar do pop nacional nas rádios e já escreveu mais de 300 músicas

Conhecida como Safí, Geovanna Simão Merzian fala sobre a carreira independente, o sucesso de “Profecia” e os planos de lançar seu primeiro álbum

cantora goiana Safí

A cantora goiana Safí, nome artístico de Geovanna Simão Merzian, já escreveu mais de 300 músicas e conquistou espaço entre as mais executadas do pop nacional nas rádios monitoradas pela Crowley Brasil. Nascida em Goiânia, a artista alcançou a 7ª posição no Top 10 Pop Nacional, no fim de 2024, com o single “Profecia”, lançado de forma independente.

A trajetória musical começou ainda na infância, durante as primeiras aulas de musicalização. Aos 17 anos, Safí mudou-se para São Paulo e passou a investir na carreira artística. Desde então, buscou desenvolver um estilo próprio, reunindo referências da música brasileira e do pop internacional em suas composições.

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Safí encontrou no pop sua identidade musical

cantora goiana Safí

O sertanejo acompanhou a formação musical de Safí desde criança, principalmente pela presença do gênero em sua casa. Entretanto, foi no pop que a cantora encontrou possibilidades de experimentar sonoridades, explorar performances e desenvolver a estética que desejava para sua carreira.

“Nasci e cresci em Goiânia, então o sertanejo sempre fez parte da minha formação musical. Cresci ouvindo muito desse gênero em casa, e acredito que isso também está presente na minha música, principalmente na maneira de contar histórias e trabalhar a melodia. Mas, quando comecei a entender melhor minha personalidade artística, percebi que o pop era a linguagem que mais me permitia explorar todas as minhas possibilidades, principalmente a performance, a estética e a liberdade de experimentar sonoridades”, declara a cantora goiana Safí.

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Cantar pop na capital do sertanejo trouxe desafios

Em uma cidade conhecida nacionalmente pela força do sertanejo, Safí precisou descobrir como desenvolver uma carreira sem seguir o estilo predominante no mercado musical da região. Para a cantora, o desafio não estava apenas em conquistar oportunidades, mas em compreender que poderia apresentar uma proposta diferente da produção artística associada a Goiânia.

“Acho que o maior desafio foi entender que eu não precisava me encaixar no mercado que já existia ao meu redor para construir uma carreira. Precisava encontrar meu próprio caminho. Em vez de enxergar Goiânia como uma limitação, comecei a entender que poderia ser interessante justamente apresentar uma perspectiva diferente da música produzida aqui.”

“Profecia” colocou Safí entre as mais tocadas

Lançada de maneira independente, “Profecia” nasceu em um momento de introspecção da artista. Inicialmente, Safí escreveu a composição acompanhada de um violão, como uma mensagem de incentivo para si mesma. Durante a produção, porém, a faixa ganhou uma sonoridade dançante que mistura bachata e piseiro. No ranking de execução radiofônica daquele período, a canção chegou a figurar à frente de músicas de artistas como Anitta e Lagum.

“Profecia foi uma verdadeira dadiva pra mim. Foi minha primeira música a alcançar uma colocação de destaque no ranking da Crowley Brasil, chegando à sétima posição no Top 10 Pop Nacional. Para uma artista independente, que estava construindo tudo praticamente do zero, foi uma realização enorme.”

Mais de 300 composições revelam processo criativo de Safí

A escrita ocupa uma parte significativa da rotina da cantora e compositora Safí. Suas músicas surgem de experiências pessoais, conversas, lembranças e sentimentos que procura transformar em narrativas. Em alguns momentos, começa pela melodia no violão; em outros, uma frase se torna o ponto de partida. O processo não segue uma fórmula, e algumas canções exigem um período maior de desenvolvimento.

“Tenho mais de 300 composições guardadas, e isso representa muito da minha relação com a música. Nem tudo que escrevo precisa ser lançado, mas tudo faz parte da minha construção como artista. Hoje, também tenho um olhar mais criterioso sobre o repertório. Quero lançar músicas que conversem entre si e que, de alguma maneira, contem capítulos da minha história. Meu desejo é que as pessoas não encontrem apenas singles na minha discografia, mas um universo no qual possam entrar e se reconhecer.”

Música “Um Nó” aproximou Safí das artes visuais

Outro momento da trajetória da artista goiana aconteceu com a repercussão de “Um Nó”. A cantora começou a produzir conteúdos nos quais analisava pinturas e outras obras de arte utilizando a canção como trilha sonora. A proposta encontrou público nas redes sociais e, segundo ela, outras pessoas passaram a reproduzir o formato com a música. A experiência abriu uma nova possibilidade de interação entre suas composições e as artes visuais.

“Isso me mostrou que uma música pode ultrapassar o formato tradicional de divulgação e criar um universo próprio, no qual as pessoas passam a participar ativamente. É exatamente esse tipo de conexão que me interessa.”

Carreira independente exige investimento e planejamento

Sem uma estrutura de gravadora responsável por todas as etapas de produção, Safí administra a própria carreira e participa das decisões que envolvem seus lançamentos. A autonomia permite escolher os caminhos artísticos do projeto, mas também exige recursos para gravações, produções audiovisuais e outras atividades profissionais. Dessa forma, a cantora precisa conciliar o desenvolvimento musical com as responsabilidades de gestão.

“Um dos maiores desafios é conseguir equilibrar o lado criativo com o lado estratégico e comercial. A música exige sensibilidade, tempo e entrega, enquanto a gestão exige planejamento, organização e decisões racionais. É a balança do emocional e racional basicamente. E existe também a questão da sustentabilidade financeira: fazer arte com qualidade exige investimento, e nem sempre o retorno acompanha a velocidade com que precisamos investir.”

Amy Winehouse e Rita Lee inspiram Safí

Entre as principais referências musicais da goiana estão Amy Winehouse, Rita Lee, Djavan e Ana Carolina. Safí admira especialmente a maneira como esses artistas relacionam experiências pessoais e experimentação musical. No pop internacional, também acompanha o trabalho de Madonna, Rihanna, Miley Cyrus e Lady Gaga, sobretudo pela construção de conceitos que envolvem figurinos, apresentações e identidade visual.

“Tenho uma relação muito forte com o visual e com a narrativa. Não quero que a Safí seja lembrada apenas por cantar músicas, mas por criar um universo artístico reconhecível. Gosto de moda, pintura, literatura, cinema e de toda a construção estética que envolve arte.”

Safí foi denunciada após campanha com multas falsas em Goiânia

Em junho de 2025, a cantora goiana Safí se envolveu em uma polêmica durante a divulgação do single “Um Nó”. Como parte de uma estratégia de marketing, a artista distribuiu panfletos que simulavam multas de trânsito nos para-brisas de veículos estacionados nas proximidades do Parque Flamboyant, em Goiânia. Os documentos continham um QR Code que direcionava para a música, mas provocaram confusão entre motoristas, que inicialmente suspeitaram de um golpe.

A repercussão levou a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito de Goiânia a formalizar uma denúncia à Polícia Civil de Goiás, em 26 de junho de 2025. A pasta alegou que a campanha provocou transtornos e mobilizou equipes municipais. Por outro lado, Safí afirmou que a ação tinha caráter exclusivamente publicitário e que os panfletos apresentavam um aviso sobre a campanha. A defesa da cantora também contestou a existência de crime.

Primeiro álbum de Safí integra planos para próximos anos

cantora goiana Safí

O próximo passo da cantora goiana Safí será desenvolver uma nova etapa de sua discografia. Segundo a artista, ela já possui um planejamento de lançamentos para pelo menos dois anos, incluindo o primeiro álbum, ainda sem data de estreia anunciada. O projeto pretende apresentar diferentes facetas de sua personalidade musical, com novas sonoridades e trabalhos que explorem a relação entre música, imagem e narrativa.

A cantora também considera estabelecer parcerias profissionais para ampliar a estrutura de seus projetos, desde que preserve a autonomia sobre as decisões criativas. Embora mantenha a carreira independente, não descarta trabalhar com empresas do mercado musical e pretende investir em produções audiovisuais mais elaboradas para acompanhar os próximos lançamentos.

“Não quero limitar meus sonhos ao tamanho que a minha carreira tem hoje. Quero construir uma carreira longeva, fazer grandes shows, alcançar públicos cada vez maiores e, acima de tudo, ser reconhecida pela minha música.”

Confira Um “Nó” de Safí


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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