Gestão do tempo ajuda a combater procrastinação e melhora produtividade

Especialistas revelam estratégias práticas para vencer a procrastinação e melhorar a organização pessoal e profissional

Planejamento e gestão do tempo podem transformar produtividade (Foto: divulgação)

Organização de prioridades, planejamento realista e controle das distrações podem reduzir adiamentos e melhorar o desempenho e o bem estar, enquanto especialistas alertam que produtividade não significa trabalhar mais horas

Administrar melhor o tempo tornou se uma habilidade importante para profissionais e estudantes que precisam conciliar trabalho, estudos e vida pessoal. Em Goiás, orientações divulgadas pelo Senac Goiás chamam a atenção para os efeitos da procrastinação e da falta de prioridades na rotina. O tema permanece relevante em 2026 porque a organização do tempo está associada não apenas ao desempenho, mas também ao bem estar, enquanto jornadas excessivamente longas podem representar riscos à saúde, segundo evidências científicas e organismos internacionais.

O desafio vai além de simplesmente encaixar mais tarefas no mesmo dia. Uma meta análise publicada na revista científica PLOS ONE, que reuniu 158 estudos e 490 medidas de efeito, encontrou associação positiva entre gestão do tempo, desempenho profissional, desempenho acadêmico e bem estar. Os pesquisadores também observaram relação negativa entre boa gestão do tempo e sofrimento psicológico. Um dos resultados mais relevantes foi que os benefícios para o bem estar se mostraram até mais expressivos do que os ganhos relacionados ao desempenho.

Procrastinação não é apenas falta de organização

Um dos principais obstáculos para quem tenta administrar melhor a rotina é a procrastinação. O comportamento envolve adiar uma ação pretendida mesmo quando o atraso pode trazer consequências negativas. Pesquisas recentes reforçam que o fenômeno não deve ser interpretado simplesmente como preguiça ou falta de força de vontade.

Estudo publicado em 2024 na revista Brain and Cognition encontrou relação significativa entre capacidade de regulação emocional e procrastinação. Os resultados se somam a outras pesquisas que tratam o adiamento de tarefas também como uma questão ligada ao controle das emoções e à forma como as pessoas reagem a atividades desagradáveis, difíceis ou estressantes.

Na prática, uma pessoa pode adiar determinada tarefa não porque desconheça sua importância, mas porque iniciar a atividade provoca desconforto, insegurança, ansiedade ou frustração. Buscar uma atividade mais agradável naquele momento oferece alívio imediato, mas transfere o problema para depois.

Cristiano Souza, gerente educacional do Senac Elias Bufaiçal, em Goiânia, explica que a administração inadequada do tempo pode prejudicar a produtividade e aumentar o estresse. Segundo ele, isso acontece quando tarefas essenciais são adiadas para dar espaço a atividades menos relevantes. A orientação foi publicada pelo Senac Goiás em fevereiro de 2025.

O especialista também relaciona a procrastinação a comportamentos como perfeccionismo excessivo, dificuldade para filtrar distrações, perda de foco e incapacidade de reconhecer corretamente as prioridades.

Planejamento funciona melhor quando transforma objetivos em ações

Criar uma lista extensa de compromissos não significa necessariamente administrar bem o tempo. Um planejamento eficiente precisa estabelecer o que deve ser feito, identificar prioridades, reservar períodos adequados para cada atividade e prever limites.

Uma das recomendações de Cristiano Souza é trabalhar com objetivos específicos e prazos definidos. Em vez de estabelecer uma intenção genérica, como melhorar a qualificação profissional, por exemplo, a pessoa pode determinar qual formação pretende realizar e até quando deseja concluí la.

Depois da definição do objetivo, o próximo passo é transformá lo em ações concretas. Isso significa responder questões como o que será feito, quando, onde e de que maneira.

Na rotina profissional, o mesmo princípio pode ser aplicado a projetos maiores. Dividir uma entrega complexa em etapas menores torna mais fácil visualizar o progresso e reduz a tendência de deixar toda a execução para perto do prazo final.

Definir prioridades evita que tarefas urgentes dominem a rotina

Outro ponto central é distinguir aquilo que realmente precisa de atenção do que apenas parece urgente.

Mensagens, notificações, reuniões, pedidos inesperados e pequenas demandas podem ocupar boa parte do dia sem necessariamente contribuir para os objetivos mais importantes. Por isso, a recomendação do especialista do Senac é distribuir as prioridades na agenda e revisar regularmente os compromissos.

Agenda física, calendário digital, aplicativos de tarefas e outras ferramentas podem ajudar, mas não substituem a decisão sobre o que merece atenção primeiro. O recurso escolhido precisa simplificar a rotina, e não criar mais uma obrigação para ser administrada.

Também é importante identificar atividades que podem ser delegadas, automatizadas ou eliminadas. A organização dos ambientes físico e digital ajuda a diminuir o tempo gasto procurando documentos, informações, arquivos e materiais necessários para o trabalho.

Controlar distrações é parte da gestão do tempo

A facilidade de alternar entre diferentes estímulos tornou a proteção da atenção um componente importante da produtividade.

Durante períodos reservados para atividades que exigem concentração, medidas simples podem ajudar, como silenciar notificações não essenciais, fechar aplicativos sem relação com a tarefa, organizar previamente os materiais necessários e estabelecer períodos específicos para consultar mensagens.

Outra estratégia é reduzir a barreira para começar. Quando uma tarefa parece grande demais, transformá la em uma primeira ação simples pode facilitar o início. Abrir um documento, organizar os dados necessários ou trabalhar durante um período previamente definido são exemplos de pequenas ações que diminuem a resistência inicial.

Essa abordagem é especialmente importante porque pesquisas sobre procrastinação indicam uma ligação entre o adiamento e a regulação emocional. Em um estudo controlado com 148 universitários, pesquisadores observaram que o desenvolvimento de habilidades de regulação emocional reduziu posteriormente comportamentos de procrastinação no grupo submetido à intervenção.

Produtividade não deve ser confundida com trabalhar por mais tempo

Uma gestão eficiente do tempo também envolve estabelecer limites. A tentativa de aumentar a produtividade apenas ampliando a jornada pode produzir o efeito contrário e, em situações extremas, representar risco à saúde.

Estimativas conjuntas da Organização Mundial da Saúde e da Organização Internacional do Trabalho apontaram que jornadas de pelo menos 55 horas semanais estão associadas a um risco estimado 35% maior de acidente vascular cerebral e 17% maior de morte por doença isquêmica do coração em comparação com jornadas entre 35 e 40 horas semanais.

Segundo as duas organizações, longas jornadas estiveram associadas a cerca de 745 mil mortes por acidente vascular cerebral e doença isquêmica do coração em 2016, ano usado como referência na análise global. Os números mostram que aumentar indefinidamente o tempo dedicado ao trabalho não é uma estratégia sustentável de produtividade.

Assim, administrar o tempo não significa preencher todos os espaços disponíveis da agenda. Uma rotina sustentável precisa considerar períodos de recuperação, descanso e convivência pessoal.

Quatro práticas ajudam a organizar melhor o dia

As recomendações apresentadas pelo Senac Goiás podem ser organizadas em quatro frentes principais. A primeira é definir objetivos específicos e estabelecer prazos realistas. A segunda consiste em transformar esses objetivos em ações concretas, determinando como e quando cada etapa será realizada.

A terceira é estabelecer prioridades e registrá las em uma agenda ou ferramenta de organização que possa ser consultada e revisada regularmente. A quarta envolve avaliar as atividades rotineiras, identificando o que precisa ser realizado pessoalmente, o que pode ser delegado e o que não precisa mais fazer parte da rotina.

Essas práticas não eliminam imprevistos nem garantem que todos os dias ocorram exatamente como planejado. O objetivo é criar uma estrutura que facilite decisões e reduza o tempo gasto tentando descobrir, a cada momento, qual deve ser a próxima tarefa.

Consistência é mais importante do que buscar uma rotina perfeita

Um dos riscos do planejamento é transformar a própria organização em uma fonte de cobrança. Agendas excessivamente rígidas podem falhar diante de imprevistos e provocar frustração.

Por isso, planejamento e execução precisam caminhar juntos. Cristiano Souza destaca que resultados não aparecem necessariamente de maneira imediata e que consistência e paciência são fundamentais para alcançar as metas estabelecidas.

A ciência disponível também indica que a gestão do tempo deve ser compreendida de forma mais ampla. A meta análise publicada na PLOS ONE concluiu que seus efeitos positivos aparecem tanto no desempenho quanto no bem estar, com impacto particularmente relevante sobre satisfação com a vida e redução do sofrimento psicológico.

Isso significa que uma rotina bem organizada não precisa ser aquela em que a pessoa consegue fazer o maior número possível de coisas. Em muitos casos, administrar melhor o tempo significa decidir conscientemente o que fazer e também o que deixar de fazer.

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Senac Goiás mantém oferta de qualificação profissional em 2026

Além das orientações sobre organização e produtividade, o Senac Goiás mantém uma ampla programação de educação profissional. Para o segundo semestre de 2026, a instituição anunciou matrículas para 272 cursos em áreas como gestão, tecnologia, gastronomia, comunicação, beleza, saúde e segurança.

Entre as formações atualmente apresentadas na área de gestão estão cursos como Gestão e Liderança de Equipes, Inteligência Emocional, Gestão de Pequenos Negócios e outras qualificações profissionais. A disponibilidade depende da unidade e da formação escolhida.

O Senac Goiás também mantém em seu catálogo o curso livre Gestão do Tempo, com carga horária de 15 horas e conteúdo que inclui produtividade, definição de prioridades, sabotadores do tempo, modelos de gestão, organização e ferramentas para administrar atividades. Na consulta realizada para esta reportagem, entretanto, a página específica da formação informava não haver turmas disponíveis naquele momento.

Por isso, interessados devem consultar a programação atual antes de realizar a matrícula.

>> Leia também: NR-1 pressiona empresas e muda regras sobre saúde mental no trabalho

Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás mantém atual gestão

Marcelo Baiocchi Carneiro permanece à frente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás. Em maio de 2026, ele foi reeleito por unanimidade pelos 35 sindicatos filiados à federação para um novo mandato de quatro anos, referente ao período de 2026 a 2030.

Leopoldo Veiga Jardim permanece como diretor regional do Sesc e Senac Goiás, conforme publicações oficiais das instituições em 2026. O Sistema integra a estrutura do comércio de bens, serviços e turismo vinculada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, presidida por José Roberto Tadros.

Ao comentar a atuação educacional da instituição em 2026, Baiocchi afirmou que o Senac Goiás vem investindo na atualização de metodologias, infraestrutura e capacitação de instrutores para aproximar as formações das necessidades do mercado de trabalho. Jardim, por sua vez, destacou que a instituição oferece diferentes trajetórias de qualificação, incluindo cursos de curta duração, cursos técnicos, extensões, especializações e pós graduações.

No fim das contas, aprender a administrar o tempo envolve mais do que preencher uma agenda. Significa definir prioridades, proteger a atenção, reconhecer limites, transformar objetivos em ações possíveis e revisar escolhas ao longo do caminho. A meta não precisa ser fazer tudo. Pode ser fazer melhor aquilo que realmente importa.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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