O diálogo com uma liderança do continente africano é uma estratégia fundamental de valorização da identidade negra, preservação da memória ancestral e enfrentamento ao racismo estrutural no Brasil
O Ponto de Cultura Malunga, em Goiânia, recebeu Ọba Ẹ̀dú Babaláwo Babátúndé Ògúnjìmí (@ileifa_ogbeola), rei nigeriano de origem Yorubá, especialista em consultas oraculares africanas e ervas medicinais africanas tradicionais. A atividade, realizada em parceria com o Terreiro de Nanã Buruquê, promoveu uma importante troca de saberes ancestrais entre liderança africana e representantes de comunidades tradicionais de matriz africana em Goiás.
O encontro aconteceu no último dia 30 de maio para convidados e lideranças do Grupo de Mulheres Negras Malunga. Durante a palestra, Ọba Ẹ̀dú Babátúndé compartilhou conhecimentos sobre a tradições de sua nação Yorubá, aprofundando reflexões sobre os Orixás, espiritualidade africana, ancestralidade e os fundamentos culturais que atravessam gerações desde o continente africano até as comunidades afro-brasileiras. O líder também destacou a importância das práticas tradicionais voltadas para orientação espiritual, equilíbrio e bem-estar natural, baseadas em conhecimentos ancestrais preservados ao longo dos séculos.
Esta não foi a primeira visita do rei nigeriano ao espaço. Em maio de 2025, o Grupo de Mulheres Negras Malunga promoveu a oficina de autocuidado Ewé l’ẹ̀mí — “Sem Ervas Não Há Saúde” — conduzida por Ọba Ẹ̀dú Babátúndé. A atividade resgatou conhecimentos ancestrais relacionados ao uso de ervas e chás medicinais para a promoção da saúde e do autocuidado, fortalecendo a conexão entre saberes tradicionais africanos e práticas populares de cuidado. Além de líder espiritual, Babátúndé é biólogo e possui ampla experiência em educação popular e transmissão de conhecimentos tradicionais.
Para o Ponto de Cultura Malunga, fortalecer o diálogo com lideranças do continente africano é uma estratégia fundamental de valorização da identidade negra, preservação da memória ancestral e enfrentamento ao racismo estrutural. Em uma sociedade marcada pela intolerância religiosa e pela invisibilização dos saberes afrodescendentes, iniciativas como esta contribuem para reafirmar a legitimidade dos conhecimentos produzidos pelos povos africanos e afro-brasileiros, promovendo processos de cura individual e coletiva a partir da ancestralidade, da espiritualidade e da construção de pertencimento comunitário.
A presença de lideranças africanas em espaços conduzidos por pessoas negras fortalece os laços históricos entre Brasil e África, amplia o intercâmbio cultural e possibilita que conhecimentos preservados no continente de origem dialoguem diretamente com as experiências das comunidades negras brasileiras. Mais do que uma atividade formativa, o encontro representou um momento de reconexão ancestral, fortalecimento comunitário e celebração da herança cultural africana presente nos territórios negros de Goiás.
Saiba mais sobre as atividades do Grupo de Mulheres Negras Malunga no instagram @grupo.malunga
Este conteúdo é de total responsabilidade de seu colunista, que colabora de forma independente e voluntária com o portal Gazeta Culturismo. Portanto, a Culturismo Comunicação Ltda não se responsabiliza pelos materiais apresentados por este autor.
Mari Magalhães é jornalista, roteirista, assessora de imprensa e fotodocumentarista com mais de 10 anos de atuação na cultura goiana Seu foco está voltado para novos talentos da música urbana contemporânea, cinema e atividades da cena underground. Contato:[email protected]
Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.