Goiás amplia cursos técnicos em 280 escolas da rede estadual

Rede estadual ganhou mais de 8 mil matrículas em um ano e agora oferece formação profissional em 70 municípios

ensino técnico em Goiás

O ensino técnico em Goiás chegou a cerca de 30 mil estudantes do ensino médio da rede estadual em 2026, segundo a Secretaria de Estado da Educação. O número representa mais de 8 mil matrículas adicionais em relação a 2025. Ao mesmo tempo, a oferta alcança 280 escolas distribuídas por 70 municípios goianos.

Neste ano, outras 16 unidades escolares passaram a integrar a iniciativa. Já os cursos combinam as disciplinas regulares do ensino médio com uma habilitação profissional. Assim, o estudante pode terminar a educação básica com um diploma técnico e seguir tanto para o mercado de trabalho quanto para uma graduação.

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Ensino técnico em Goiás ganha oito mil matrículas

O crescimento de mais de 8 mil estudantes em apenas um ano amplia a presença da formação profissional dentro da própria rede estadual. Enquanto o aluno cursa português, matemática e os demais componentes do ensino médio, também estuda conteúdos específicos da profissão escolhida.

Nos cursos técnicos integrados, o estudante mantém uma única trajetória escolar. Depois de cumprir todas as etapas, recebe a certificação do ensino médio junto com a habilitação técnica. Segundo a Seduc, esse modelo tem duração de três anos.

A expansão de 2026 também aumenta o número de escolas envolvidas. Porém, a oferta não chega igualmente a todos os municípios do estado. Atualmente, as 280 unidades participantes estão espalhadas por 70 das 246 cidades goianas.

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Tecnologia lidera procura no ensino técnico

ensino técnico em Goiás

Os cursos ligados a Informação e Comunicação concentram o maior interesse dos estudantes, conforme a Seduc. Entre eles estão Técnico em Desenvolvimento de Sistemas, Técnico em Programação de Jogos Digitais, Técnico em Computação Gráfica e Técnico em Informática.

A preferência aproxima a formação escolar de atividades ligadas ao desenvolvimento de software, suporte, programação e produção digital. Ao mesmo tempo, cria caminhos para jovens que pretendem continuar os estudos em áreas como computação, tecnologia da informação e desenvolvimento de jogos.

Por outro lado, a procura não fica restrita ao setor tecnológico. Eletrotécnica, ligada ao eixo de Controle e Processos Industriais, também aparece entre as formações mais buscadas. Já Administração se destaca dentro do eixo de Gestão e Negócios.

Cursos técnicos oferecem duas formações

O formato integrado se diferencia de outras modalidades de educação profissional. Nesse caso, o estudante cursa o ensino médio e a habilitação técnica dentro de uma formação articulada, com matrícula e certificação únicas.

Já no modelo concomitante, o jovem faz o ensino médio e o curso técnico paralelamente, com matrículas distintas. Por isso, a expansão anunciada pela rede estadual em 2026 está ligada especificamente à integração da formação profissional à rotina escolar.

Essa diferença também interfere na organização do currículo. Em vez de procurar uma formação técnica somente depois de concluir o ensino médio, o aluno pode começar a desenvolver conhecimentos profissionais ainda durante essa etapa.

Ensino técnico tenta acompanhar economia regional

A escolha dos cursos não segue a mesma lista em todas as escolas. Segundo a Seduc, o planejamento considera o interesse dos estudantes, as atividades econômicas desenvolvidas na região e as demandas de profissionais daquele território.

Assim, uma escola localizada em uma região com forte presença industrial pode receber formações diferentes das oferecidas em municípios onde predominam comércio, serviços ou tecnologia. A estratégia tenta aproximar a qualificação das possibilidades de emprego disponíveis para os próprios estudantes.

Ao mesmo tempo, esse modelo exige acompanhar mudanças na economia local. Afinal, a abertura de empresas, a expansão de determinados setores e a chegada de novas tecnologias podem alterar a procura por profissionais ao longo dos anos.

Dados mostram avanço e concentração territorial

Os números de 2025 ajudam a dimensionar o espaço da educação profissional no estado. No ano passado, Goiás registrou 53.935 matrículas em educação profissional técnica quando consideradas conjuntamente as redes estadual, federal, municipal e privada. Ao todo, 409 escolas de 73 municípios tinham estudantes nessa modalidade.

Dentro desse universo, 28.145 matrículas estavam articuladas ao ensino médio. Goiânia liderava o levantamento, com 6.192 registros, seguida por Aparecida de Goiânia, com 2.798, e Anápolis, com 2.206. Depois apareciam Rio Verde, Luziânia e Trindade.

Os recortes, porém, não são idênticos aos números anunciados pela Seduc para 2026. O levantamento do Censo Escolar reúne diferentes redes e formas de oferta, enquanto os 30 mil estudantes informados agora se referem aos cursos técnicos integrados da rede estadual. Portanto, os dois dados ajudam a contextualizar o setor, mas não formam uma comparação direta.

Interiorização ainda é desafio para formação técnica

O diagnóstico estadual baseado no Censo Escolar de 2025 também mostra uma forte concentração geográfica. A Região Intermediária de Goiânia reunia 30.285 matrículas técnicas, ou 56,2% do total estadual contabilizado naquele recorte.

Além disso, das 53.935 matrículas técnicas registradas em Goiás, 51.111 estavam em áreas urbanas. Apenas 2.824 apareciam em escolas rurais. Já entre os estabelecimentos com educação técnica, somente 12 estavam localizados na zona rural.

Por isso, o próprio diagnóstico estadual aponta transporte, demanda, estrutura disponível e características econômicas regionais como fatores que precisam entrar no planejamento da expansão. O crescimento do ensino técnico em Goiás, portanto, também envolve levar as oportunidades para fora dos maiores centros.

Parcerias ampliam oferta de cursos técnicos

A Seduc desenvolve a iniciativa junto com outros órgãos estaduais. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação participa por meio das Escolas do Futuro de Goiás, enquanto a Secretaria da Retomada atua por meio dos Colégios Tecnológicos do Estado de Goiás.

Criadas por lei em 2021, as Escolas do Futuro trabalham com educação profissional e tecnológica e atendem desde estudantes do ensino médio até pessoas que buscam qualificação ou recolocação profissional. Entre os objetivos estão ampliar a formação tecnológica, a empregabilidade e o empreendedorismo.

Já em 2025, a rede estadual concentrava 26.913 das 53.935 matrículas de educação profissional técnica registradas em Goiás, o equivalente a praticamente metade do total estadual daquele recorte. A rede privada aparecia em seguida, enquanto instituições federais respondiam por outra parcela relevante da formação técnica.

Com a ampliação para 280 escolas em 2026, o ensino técnico em Goiás passa a alcançar cerca de 30 mil jovens apenas no modelo integrado da rede estadual. A maior procura segue concentrada na tecnologia, mas Administração, Eletrotécnica e outras áreas ampliam as alternativas de formação durante os três anos do ensino médio.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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