Escoliose afeta até 4% da população e exige atenção durante crescimento

Assimetrias nos ombros, cintura e quadril podem indicar alteração na coluna, enquanto diagnóstico precoce ajuda a impedir o avanço das curvas

Escoliose afeta até 4% da população e exige atenção durante crescimento

A escoliose afeta entre 2% e 4% da população mundial, segundo dados citados pela Sociedade Brasileira de Coluna, e merece atenção principalmente durante a infância e a adolescência. A condição provoca um desvio lateral da coluna associado à rotação das vértebras e pode avançar durante o crescimento. Por isso, pais e responsáveis precisam observar alterações no corpo que possam indicar o problema e procurar avaliação médica diante dos primeiros sinais.

Além disso, a escoliose idiopática do adolescente aparece como a forma mais comum da condição. Em entrevista à Rádio USP em 2022, Alexandre Fogaça, especialista em coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explicou que esse tipo não possui causa conhecida.

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Quais sinais podem indicar escoliose?

As alterações iniciais podem passar despercebidas, sobretudo porque nem sempre provocam sintomas evidentes. No entanto, algumas diferenças visíveis no corpo ajudam a identificar a necessidade de investigação.

“Os pais e responsáveis devem ficar atentos a assimetrias no corpo, como um ombro mais alto que o outro, diferenças na região das axilas, alteração do chamado Triângulo de Tales, que é o espaço entre os braços e o tronco, além da obliquidade da pelve, quando um lado do quadril parece mais elevado. Esses sinais podem indicar a presença da escoliose e merecem avaliação médica”, explica o ortopedista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Thales Gonçalves.

Da mesma forma, pais e professores podem perceber essas alterações durante a adolescência, período em que o crescimento aumenta a importância do acompanhamento.

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Como os médicos identificam e acompanham a escoliose?

O médico inicia a investigação por meio da avaliação clínica e pode solicitar exames de imagem, especialmente a radiografia panorâmica da coluna, para analisar a curvatura. A partir dos resultados e da fase de crescimento do paciente, a equipe define a necessidade de acompanhamento e as possibilidades terapêuticas.

“Após a avaliação clínica, muitos pacientes podem ser acompanhados apenas com observação periódica ou fisioterapia. O acompanhamento é especialmente importante durante a fase de crescimento, quando existe maior risco de progressão da curva”, destaca Thales Gonçalves.

Portanto, identificar a alteração cedo pode evitar que a curvatura avance até níveis que provoquem consequências maiores.

O que pode acontecer quando a escoliose progride?

Curvas acentuadas podem provocar consequências que ultrapassam a alteração estética da coluna. A progressão da deformidade pode reduzir o espaço disponível para um dos pulmões e, consequentemente, dificultar a respiração. Além disso, quadros graves podem afetar o funcionamento do estômago e do intestino e, em determinadas situações, comprometer a medula, com manifestações como dor e dormência.

Thales Gonçalves também chama atenção para o avanço da curvatura sem acompanhamento. “Em situações mais graves e negligenciadas, a deformidade pode evoluir para curvaturas superiores a 100 graus, comprometendo inclusive a função pulmonar e a qualidade de vida do paciente. Nesses casos, a cirurgia pode ser indicada para correção da deformidade e prevenção de novas complicações”, ressalta o ortopedista.

Quando a cirurgia pode entrar no tratamento?

Os médicos avaliam cada paciente individualmente, já que a presença da escoliose não significa, por si só, necessidade de cirurgia. Quando a deformidade alcança maior gravidade e existe indicação cirúrgica, o procedimento busca corrigir a curva e impedir sua progressão.

Por outro lado, o diagnóstico precoce amplia as possibilidades de acompanhamento antes que a curvatura atinja níveis mais elevados. Dessa forma, consultas durante a infância e a adolescência ajudam a identificar assimetrias e avaliar mudanças ao longo do crescimento.

“O diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para evitar a progressão da escoliose e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes”, conclui Thales Gonçalves.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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