Serviço da Microsoft teria caído para cerca de 30 milhões de usuários enquanto empresa revê lançamentos, reduz preço e promove cortes na divisão Xbox
A estratégia da Microsoft de transformar o Xbox Game Pass no principal motor de crescimento da divisão de jogos entrou em uma nova fase de mudanças após o serviço ficar muito abaixo das metas internas estabelecidas pela empresa. Reportagens publicadas pela Bloomberg e pelo The Wall Street Journal apontam que a plataforma reúne atualmente cerca de 30 milhões de assinantes, número distante da projeção de 77 milhões prevista para o ano fiscal de 2026 e inferior aos 34 milhões divulgados oficialmente pela companhia em 2024.
O cenário ocorre em meio à maior reestruturação da história da divisão Xbox, que inclui aproximadamente 3.200 demissões, reorganização de estúdios e mudanças na estratégia do Game Pass. A própria CEO da Xbox, Asha Sharma, reconheceu que o modelo adotado nos últimos anos não entregou o crescimento esperado, levando a empresa a rever prioridades para recuperar a rentabilidade do negócio.
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Quando o Xbox Game Pass foi lançado em 2017, a Microsoft buscava reproduzir no mercado de games um modelo semelhante ao das plataformas de streaming de vídeo, oferecendo acesso a centenas de jogos mediante uma assinatura mensal.
Na prática, porém, o comportamento dos consumidores se mostrou diferente. Segundo a Bloomberg, muitos jogadores assinam o serviço apenas durante o lançamento de títulos específicos e cancelam a assinatura após concluir esses jogos, voltando meses depois. Esse padrão reduz a permanência dos assinantes e dificulta o crescimento contínuo da base de usuários.
Outro fator citado na reportagem envolve o próprio perfil do mercado. Dados da consultoria Circana, especializada na indústria de games nos Estados Unidos, indicam que a maior parte dos consumidores compra até dois jogos por ano, enquanto aproximadamente um terço sequer adquire um título anualmente. Esse comportamento limita o potencial de expansão de serviços baseados em assinatura.
Uma das principais apostas da Microsoft foi disponibilizar seus grandes lançamentos diretamente no Game Pass no mesmo dia em que chegavam às lojas. Embora a estratégia tenha aumentado o valor percebido da assinatura, ela também reduziu parte das vendas tradicionais dos jogos.
Segundo a Bloomberg, um dos exemplos analisados internamente foi “Call of Duty: Black Ops 6”, cuja disponibilidade imediata no serviço teria provocado perdas superiores a US$ 300 milhões em vendas para Xbox e PC durante 2024. No mesmo período, o PlayStation concentrou a maior parte das vendas da franquia.
A empresa também enfrentou dificuldades após promover um reajuste de aproximadamente 50% no preço do Game Pass em 2025. Conforme informações publicadas pelo The Wall Street Journal, a alta provocou o cancelamento de milhões de assinaturas, reduzindo ainda mais o ritmo de crescimento da plataforma.
Como parte da reformulação, a Microsoft alterou a política de lançamentos do serviço. A nova estratégia prevê que futuras edições da franquia “Call of Duty” deixem de chegar ao Game Pass no dia do lançamento. A ideia é ampliar o período de comercialização tradicional antes da entrada dos títulos no catálogo por assinatura.
Mesmo com a mudança, a empresa mantém um investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão por ano para garantir jogos de estúdios parceiros no serviço, segundo a Bloomberg.
A revisão da estratégia não ficou restrita ao Game Pass. A Microsoft anunciou uma ampla reorganização da divisão Xbox, que prevê aproximadamente 3.200 desligamentos, correspondentes a cerca de 20% da equipe da área de games ao longo do próximo ano fiscal. O plano também inclui a separação de estúdios, venda de equipes e revisão da estrutura operacional.
A Bethesda foi uma das empresas mais impactadas pelas mudanças. Em comunicado interno obtido por veículos internacionais, a presidente da companhia, Jill Braff, informou que a empresa passará a concentrar recursos em suas principais franquias. “essas mudanças também refletem as realidades da nossa indústria e do nosso negócio, e nossa responsabilidade de garantir que a Bethesda opere a partir de uma base mais estável”
Braff acrescentou que a empresa passará “de um modelo de planejamento focado principalmente no que vem a seguir para cada estúdio independente para um que se concentre em nossas franquias mais fortes”.
Entre as séries consideradas prioritárias estão “Doom”, “Quake”, “The Elder Scrolls” e “Fallout”.
No memorando enviado aos funcionários, Asha Sharma reconheceu que a divisão enfrenta um momento delicado: “Nosso negócio hoje não está saudável.”
Segundo a executiva, a Microsoft apostou no crescimento do Game Pass, na ampliação do catálogo de jogos e na expansão da presença multiplataforma.
“Embora esses negócios tenham gerado valor significativo, eles não cresceram no ritmo que esperávamos.”
A CEO também afirmou que a empresa enfrenta “a crise de hardware mais grave de sua história”, justificando a necessidade de uma ampla reestruturação da divisão Xbox.
Outra mudança envolve a estratégia de distribuição dos principais jogos da empresa. Segundo a Bloomberg, os títulos multiplayer continuarão sendo lançados em diferentes plataformas, enquanto parte das grandes produções para um jogador poderá voltar a ser exclusiva dos consoles Xbox.
Entre os primeiros projetos citados estão “Gears of War: E-Day” e “Clockwork Revolution”, embora a Microsoft ainda não tenha confirmado oficialmente como será a distribuição de futuros jogos de franquias como “Fallout” e “The Elder Scrolls”.
Durante o processo regulatório envolvendo a aquisição da Activision Blizzard, documentos internos revelaram que a Microsoft trabalhava com a meta de atingir 77 milhões de assinantes até 2026 e 100 milhões até 2030.
As informações divulgadas recentemente mostram que a empresa permanece distante dessas projeções. Ainda assim, o Game Pass continua sendo um dos principais serviços de assinatura do setor de videogames e segue ocupando papel central na estratégia da Microsoft para o mercado de jogos digitais.
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Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.
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