Estudo mostra que país concentrou 30% das visitas a atrações da América Latina e Caribe, com impacto de US$ 9,2 bilhões na economia
O turismo doméstico mantém o Brasil entre os principais mercados de lazer da América Latina. Levantamento da IAAPA (Associação Global para a Indústria de Atrações) aponta que o país registrou cerca de 120 milhões de visitas a atrações turísticas em 2024, volume equivalente a aproximadamente 30% de toda a visitação da região. O desempenho também movimentou US$ 9,2 bilhões na economia brasileira e sustentou mais de 212 mil empregos diretos e indiretos.
Os números indicam uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que passou a priorizar viagens dentro do próprio país e experiências presenciais de lazer. O levantamento mostra ainda que 94% das viagens realizadas no Brasil em 2024 tiveram destinos nacionais, percentual que coloca o mercado brasileiro entre os menos dependentes do turismo internacional na América Latina.
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A expansão das viagens nacionais está diretamente ligada à ampla oferta de atrações distribuídas pelo território brasileiro. Parques temáticos, parques aquáticos, centros de entretenimento, atrações culturais, experiências de aventura e destinos de natureza passaram a desempenhar papel relevante na decisão de viagem de muitas famílias.
De acordo com o estudo, o Brasil reúne atualmente 3.607 atrações turísticas catalogadas, número que acompanha uma tendência internacional de ampliação de experiências imersivas, educativas e voltadas ao entretenimento.
Paulina Reyes, Vice-Presidente e Diretora Executiva da IAAPA para a América Latina e o Caribe, afirma que a expansão da oferta tem sido determinante para esse cenário.
“O turismo doméstico no Brasil é impulsionado pelo amplo e diversificado portfólio de parques temáticos, parques aquáticos, centros de entretenimento e atrações de todos os tipos existentes no país. A indústria continua se beneficiando da inauguração de novos empreendimentos, da introdução de experiências e atrações inovadoras em parques já estabelecidos e de um consistente pipeline de projetos de expansão em todo o território nacional.”
Segundo a IAAPA, a predominância das viagens nacionais reduz a dependência do fluxo de turistas estrangeiros, característica que diferencia o Brasil de outros destinos latino-americanos.
Essa configuração oferece maior estabilidade ao setor de atrações, mesmo diante de fatores externos que costumam afetar o turismo internacional, como oscilações cambiais e mudanças no cenário econômico global.
O relatório também destaca que o país continua ampliando sua participação na indústria regional, apesar de operar em um ambiente regulatório e tributário considerado mais complexo do que o observado em diversos países vizinhos.
O estudo identifica uma transformação importante na forma como muitos brasileiros planejam suas viagens. Em vez de escolher primeiro a cidade, parte dos turistas define o roteiro a partir das atividades e atrações disponíveis.
Paulina Reyes resume esse comportamento.
“Muitas viagens hoje são planejadas em torno de atividades específicas. Parques e atrações passaram a criar destinos e assumiram um papel cada vez mais central no turismo e nos gastos das famílias.”
Essa tendência acompanha a chamada economia da experiência, conceito utilizado para descrever consumidores que valorizam vivências, entretenimento e atividades presenciais durante as viagens.
Além dos impactos econômicos, a pesquisa mostra que a indústria de atrações desempenha papel importante na geração de empregos.
Na América Latina e no Caribe, 81% dos trabalhadores do segmento têm menos de 45 anos, enquanto 30% estão no primeiro emprego. As oportunidades abrangem áreas como turismo, hospitalidade, atendimento ao público, operações, alimentos e bebidas, segurança e entretenimento.
Em toda a região, o setor movimentou quase US$ 35 bilhões em atividade econômica em 2024 e sustentou mais de um milhão de postos de trabalho, considerando empregos diretos e indiretos.
O avanço do turismo doméstico também aparece nos indicadores da aviação brasileira.
Dados citados pela IAAPA mostram que, em 2025, os aeroportos brasileiros ultrapassaram pela primeira vez a marca de 100 milhões de passageiros em voos domésticos. A entidade também destaca informações da International Air Transport Association (IATA) indicando que o mercado doméstico brasileiro liderou o crescimento da demanda mundial entre os principais mercados nacionais no período analisado.
O desempenho da aviação é considerado um indicador da expansão do turismo interno, já que o aumento da conectividade facilita o acesso a destinos em diferentes regiões do país e amplia o alcance das atrações turísticas.
A IAAPA avalia que o tamanho do mercado interno, aliado à diversidade de atrações disponíveis, coloca o Brasil em posição de destaque para acompanhar o crescimento da indústria de entretenimento e lazer na América Latina.
O levantamento foi elaborado pela associação em parceria com a consultoria Tourism Economics e analisa os impactos econômicos das atrações turísticas em 25 países e territórios da região, considerando indicadores como visitação, geração de receita, empregos, salários e efeitos sobre outros setores da economia.
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Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.
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