Estudos mostram que parte significativa do peso perdido pode voltar após a interrupção dos medicamentos, junto com alguns benefícios metabólicos
O uso de medicamentos como Mounjaro, Ozempic, Wegovy e outros agonistas do receptor GLP-1 transformou o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 nos últimos anos. Com o aumento do número de pacientes utilizando essas terapias por longos períodos, uma dúvida passou a ganhar destaque entre médicos e usuários: o que acontece quando a pessoa interrompe o tratamento?
Pesquisas científicas recentes mostram que a suspensão dos medicamentos costuma estar associada à recuperação de parte do peso perdido e à redução de alguns benefícios metabólicos conquistados durante o uso.
A discussão ganhou força à medida que estudos de acompanhamento começaram a avaliar os efeitos da interrupção dessas medicações. Os resultados têm levado especialistas a reforçar que a obesidade é considerada uma doença crônica e que o tratamento, em muitos casos, exige estratégias de longo prazo para manter os resultados alcançados.
As evidências científicas indicam que a recuperação de peso é um fenômeno comum após a interrupção dos medicamentos. Um dos trabalhos mais importantes sobre o tema é o estudo STEP 1 Extension, publicado na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism. A pesquisa acompanhou participantes que utilizaram a semaglutida, princípio ativo presente no Ozempic e no Wegovy.
De acordo com os resultados do STEP 1 Extension, os pacientes perderam, em média, 17,3% do peso corporal durante o tratamento. Após um ano sem utilizar a medicação, recuperaram aproximadamente dois terços do peso eliminado anteriormente.
Outro estudo de grande relevância é o SURMOUNT-4, desenvolvido para avaliar os efeitos da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. A pesquisa foi publicada no periódico científico JAMA e acompanhou pacientes com obesidade durante diferentes fases do tratamento.
Segundo o SURMOUNT-4, a interrupção da tirzepatida levou ao ganho progressivo de peso na maioria dos participantes. Os pesquisadores observaram que 82% dos pacientes que suspenderam o medicamento recuperaram pelo menos 25% do peso perdido ao longo do acompanhamento.
Embora a recuperação seja frequente, os especialistas ressaltam que os resultados variam entre os indivíduos. Alimentação, prática de exercícios físicos, fatores genéticos, qualidade do sono e acompanhamento médico influenciam diretamente a manutenção do peso após a interrupção do tratamento.
Medicamentos como Ozempic e Mounjaro atuam diretamente nos mecanismos biológicos responsáveis pela fome e pela saciedade. Essas substâncias ajudam a reduzir o apetite, aumentam a sensação de saciedade e retardam o esvaziamento do estômago. Quando o tratamento é interrompido, esses efeitos diminuem gradualmente.
Com isso, muitos pacientes relatam aumento da fome e maior dificuldade para manter a ingestão calórica reduzida observada durante o uso dos medicamentos.
Especialistas explicam que o corpo humano possui mecanismos naturais de defesa contra a perda de peso. Após o emagrecimento, hormônios ligados ao apetite podem estimular o aumento da fome e favorecer o armazenamento de energia, tornando a manutenção do peso um desafio adicional.
Os efeitos da interrupção não se limitam ao aumento de peso. De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo STEP 1 Extension, diversos indicadores cardiometabólicos que haviam melhorado durante o tratamento apresentaram tendência de retorno aos níveis observados antes da perda de peso. Entre eles estavam medidas relacionadas ao controle da glicose, pressão arterial e colesterol.
O estudo mostrou que parte dos benefícios obtidos com a semaglutida diminuiu ao longo dos meses seguintes à interrupção do medicamento.
Resultados semelhantes foram observados no SURMOUNT-4. Segundo os autores da pesquisa, os participantes que recuperaram mais peso também registraram piora em indicadores como circunferência abdominal, controle glicêmico e fatores de risco cardiovascular.
Esses achados ajudam a explicar por que muitos endocrinologistas classificam a obesidade como uma condição crônica que exige acompanhamento contínuo, de forma semelhante ao que ocorre com doenças como hipertensão arterial e diabetes.
Não existe uma resposta única para todos os pacientes. A duração do tratamento depende de fatores como histórico clínico, grau de obesidade, presença de outras doenças, resposta ao medicamento e avaliação médica individualizada.
Uma revisão científica publicada em 2025 na revista BMC Medicine, que analisou diversos estudos sobre agonistas do receptor GLP-1, concluiu que a continuidade do tratamento está associada à manutenção mais prolongada da perda de peso e dos benefícios metabólicos.
Especialistas destacam que a interrupção dos medicamentos não deve ocorrer sem orientação médica. Em muitos casos, estratégias de manutenção podem incluir acompanhamento nutricional, prática regular de atividade física e monitoramento contínuo da saúde metabólica.
Sim, embora o processo possa ser mais desafiador para parte dos pacientes. Médicos e pesquisadores afirmam que a adoção de hábitos saudáveis continua sendo fundamental para a manutenção dos resultados obtidos durante o tratamento.
Uma análise de estudos clínicos divulgada pela agência internacional de notícias Reuters, com base em pesquisas apresentadas em congressos científicos e publicações médicas recentes, apontou que a recuperação de peso após a interrupção dos medicamentos continua sendo uma ocorrência frequente em diferentes grupos de pacientes.
Apesar disso, pessoas que mantêm alimentação equilibrada, rotina regular de exercícios físicos, acompanhamento profissional e cuidados com o sono tendem a apresentar melhores resultados no longo prazo.
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) reconhece a obesidade como uma doença crônica, progressiva e multifatorial.
Em materiais voltados para profissionais e pacientes, a entidade destaca que medicamentos como semaglutida e tirzepatida representam ferramentas importantes no tratamento da obesidade, mas não substituem mudanças comportamentais e acompanhamento médico contínuo.
A ABESO também ressalta que a decisão sobre iniciar, manter ou interromper qualquer tratamento deve ser individualizada e baseada em avaliação clínica.
As pesquisas científicas publicadas nos últimos anos apontam três conclusões principais sobre Mounjaro, Ozempic e similares.
Jornalista pós-graduada em Comunicação Organizacional e especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação.
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