O que fazer em São Francisco de Goiás: 10 passeios entre cachoeiras, Cavalhadas e história

Cidade a cerca de 100 quilômetros de Goiânia reúne tradições religiosas com mais de 170 anos, museu dedicado às Cavalhadas, paisagens naturais e trechos do Caminho de Cora Coralina

São Francisco de Goiás

Para quem procura o que fazer em São Francisco de Goiás, a cidade oferece passeios ligados à história, ao turismo religioso e à natureza do interior goiano. Localizado a aproximadamente 96 quilômetros de Goiânia por estrada, o município preserva as tradicionais Cavalhadas, celebrações que remontam a 1850, além de abrigar o Museu Histórico das Cavalhadas, a Igreja Matriz de São Francisco de Assis e atrativos naturais como a Cachoeira da Usina Velha, no Rio Pari.

Com pouco mais de 6 mil habitantes, São Francisco de Goiás fica na região central do estado e mantém uma relação próxima com suas origens rurais e religiosas. Entretanto, a cidade não se resume às festas tradicionais, também oferece espaços de convivência, paisagens do Cerrado e oportunidades para conhecer a história da ocupação da região.

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História de São Francisco de Goiás começou no século XVIII

São Francisco de Goiás

Além dos passeios, conhecer a formação do município ajuda a compreender a importância das tradições locais. Segundo a Prefeitura e a Câmara Municipal, a ocupação que deu origem à cidade remonta a 1740, quando garimpeiros encontraram terras férteis próximas à Serra dos Jaraguás. Posteriormente, famílias se estabeleceram nas propriedades rurais da região.

Uma das referências históricas é a antiga capela construída por Francisco de Chagas de Assis, às margens do Córrego da Raposa. O espaço de oração contribuiu para a formação do povoado de São Francisco das Chagas. Com o crescimento das propriedades agrícolas, a comunidade passou a se desenvolver ao redor das atividades religiosas e rurais.

O antigo distrito pertencia a Jaraguá. Entretanto, em 8 de setembro de 1953, a Lei Estadual nº 768 elevou São Francisco à categoria de município, consolidando sua autonomia administrativa. Assim, a trajetória da cidade reúne marcas da ocupação do interior de Goiás, da agricultura e das tradições religiosas preservadas até hoje.

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Onde ficar em São Francisco de Goiás

O município oferece alternativas de hospedagem, inclusive para viajantes do Caminho de Cora Coralina. Uma delas é o Hotel Cruzeiro de São José, identificado pela associação do percurso como ponto de hospedagem e carimbo para caminhantes, na Avenida Passarela, Setor das Confecções.

Outra referência no inventário estadual é a Estância Colher de Pau, na Estrada Velha de Anápolis, quilômetro 1. O levantamento descreve estrutura de camping e quartos para viajantes. Entretanto, é necessário confirmar se os serviços continuam disponíveis e quais são as tarifas atuais.

Como chegar a São Francisco de Goiás

São Francisco de Goiás está a aproximadamente 96 quilômetros de Goiânia por estrada, conforme levantamento rodoviário consultado. A cidade também fica próxima a municípios como Jesúpolis, Petrolina de Goiás e Jaraguá. Assim, pode ser incluída em viagens pela região central do estado, especialmente para quem deseja conhecer diferentes destinos em um mesmo roteiro.

Para visitar as áreas rurais, o carro pode facilitar o deslocamento. Entretanto, as condições de estradas vicinais variam conforme o clima e a manutenção das vias. Por isso, é recomendável consultar rotas atualizadas e buscar informações locais antes de seguir para fazendas e cachoeiras.

O que fazer em São Francisco de Goiás?

1. Conhecer o Museu Histórico das Cavalhadas

O Museu Histórico das Cavalhadas é um dos lugares mais importantes para compreender a identidade cultural do município. O espaço localizado na rua General Diógenes de C. Ribeiro, região central de São Francisco de Goiás, preserva a memória da encenação entre mouros e cristãos, realizada há gerações e associada às celebrações religiosas da cidade. Por meio de registros históricos, o museu apresenta ao visitante uma tradição que envolve cavaleiros, figurinos, personagens e rituais transmitidos entre famílias.

A importância do acervo se destaca pela criação do museu como uma forma de preservar essa manifestação cultural. Assim, a visita funciona como uma introdução à história das Cavalhadas, especialmente para quem não estará na cidade durante o período das apresentações.

2. Visitar a Igreja Matriz de São Francisco de Assis

São Francisco de Goiás

A Paróquia São Francisco de Assis ocupa um lugar importante na história religiosa da cidade. Localizada na Praça Jacinto Barbosa, a igreja atual foi inaugurada em 4 de outubro de 1997, segundo o inventário turístico estadual. Entretanto, a devoção ao santo é muito anterior ao edifício, remontando à formação do antigo povoado de São Francisco das Chagas.

O templo é uma parada recomendada para observar a arquitetura religiosa e compreender a relação da comunidade com seu padroeiro. Além disso, a igreja está ligada às celebrações que mobilizam moradores e visitantes, especialmente durante o ciclo festivo das Cavalhadas. Para quem gosta de fotografia, a fachada e a torre da matriz também compõem uma das paisagens reconhecíveis da área urbana.

3. Assistir às Cavalhadas de São Francisco de Goiás

Entre as principais experiências para quem busca o que fazer em São Francisco de Goiás, assistir às Cavalhadas ocupa um lugar especial. A celebração representa confrontos entre cristãos, tradicionalmente vestidos de azul, e mouros, identificados pelo vermelho. Durante a encenação, os cavaleiros participam de desfiles, desafios e apresentações equestres que combinam referências históricas, religiosidade e cultura popular.

A tradição local remonta a 1850 e completou 176 anos em 2026. Na edição daquele ano, realizada em 20 e 21 de junho, o desfile saiu da Igreja Matriz às 13h, enquanto as encenações começaram às 15h, no Campo das Cavalhadas. Portanto, quem deseja conhecer a festa precisa planejar a viagem conforme o calendário anual, já que não se trata de uma apresentação permanente.

As Cavalhadas também fazem parte das festas do Divino Espírito Santo e de Nossa Senhora do Rosário. Nesse período, a cidade recebe visitantes interessados em acompanhar uma manifestação que reúne diferentes gerações da comunidade. A programação de 2027, porém, ainda depende de confirmação oficial.

4. Passear pela Praça das Cavalhadas

A Praça das Cavalhadas é outra opção para incluir em um passeio urbano por São Francisco de Goiás. Inaugurada em junho de 2023, a área foi apresentada pela Prefeitura como um novo espaço de lazer e convivência para os moradores. A abertura ocorreu durante a preparação para as festividades tradicionais daquele ano.

Diferentemente do Campo das Cavalhadas, utilizado para as encenações equestres, a praça funciona como uma parada para conhecer os espaços públicos ligados à identidade da cidade. Por isso, pode integrar um roteiro tranquilo pelo município, junto à igreja e às ruas da região central.

5. Conhecer o Centro Cultural Teia de Aranha

São Francisco de Goiás

Outro endereço é o Centro Cultural Teia de Aranha, localizado na Rua Feliciano Leite Borges. O espaço recebeu esse nome por causa de seu formato arquitetônico e passou por uma reforma em 2020, após um período de inatividade. Sua história, entretanto, começou na década de 1970.

O centro cultural foi concebido para receber eventos e atividades comunitárias. Além disso, o inventário turístico registra sua relação com os pontos de apoio aos viajantes que percorrem o Caminho de Cora Coralina. Como não há uma agenda pública atualizada de funcionamento e apresentações, vale consultar a Prefeitura de São Francisco de Goiás antes de planejar uma visita interna.

6. Conhecer a Cachoeira da Usina Velha no Rio Pari

A Cachoeira da Usina Velha aparece entre os atrativos naturais de São Francisco de Goiás. Localizada na região do Rio Pari, ela representa uma alternativa para quem deseja explorar as paisagens naturais do município e conhecer uma área diferente do circuito histórico da cidade.

Antes de incluir a cachoeira no passeio, o ideal é verificar as condições de acesso, a necessidade de autorização de proprietários e a possibilidade de acompanhamento por um guia local. A visita exige atenção especial durante o período chuvoso. Afinal, rios e cachoeiras podem apresentar correntezas mais fortes e mudanças rápidas no nível da água.

7. Explorar as paisagens da Fazenda Goiabeira

A Área de Preservação Ambiental Goiabeira, situada na região da Fazenda Goiabeira, também é uma ótima opção de atrativos naturais do município. O registro evidencia a presença de áreas ambientalmente relevantes na zona rural de São Francisco de Goiás, associadas à conservação da paisagem e dos recursos naturais. Contudo, a Fazenda Goiabeira deve ser considerada um local de interesse para turismo de natureza condicionado à confirmação prévia de acesso.

8. Percorrer o Caminho de Cora Coralina

São Francisco de Goiás

O Caminho de Cora Coralina é uma das experiências mais completas para quem gosta de caminhadas e cicloturismo no interior goiano. A rota possui aproximadamente 300 quilômetros e conecta municípios históricos, povoados, antigas estradas e paisagens do Cerrado.

O trecho que chega à cidade a partir de Radiolândia possui 27,3 quilômetros, com grau de dificuldade considerado difícil pela associação responsável pelo caminho. Já o percurso entre São Francisco e Jaraguá tem 31,8 quilômetros, dificuldade moderada e passagem por estradas rurais próximas ao Rio Pari. Portanto, esses trajetos exigem preparo físico e planejamento, especialmente para quem pretende fazê-los integralmente.

A própria associação informa que parte dos caminhos passa por áreas de lavoura e estradas de terra. Além disso, há trechos com poucos pontos de abastecimento de água. Antes de sair, os viajantes devem consultar o mapa oficial, avaliar as condições climáticas e planejar a alimentação e a hospedagem.

9. Acompanhar a Festa do Divino e as folias

As celebrações religiosas são uma das principais razões para visitar São Francisco de Goiás durante o calendário festivo. A Festa do Divino Espírito Santo e as homenagens a Nossa Senhora do Rosário integram a história local e se relacionam diretamente com as Cavalhadas. Assim, a programação reúne diferentes manifestações de fé e cultura popular.

As folias de São Francisco, Santa Luzia, dos Alves, da Cachoeirinha, do Engenho Velho e de Reis também são opções. Nessas tradições, grupos percorrem casas e propriedades rurais em atividades religiosas e comunitárias. Entretanto, os roteiros e as datas variam conforme a organização de cada celebração.

Para quem deseja acompanhar essas manifestações, a recomendação é consultar o calendário municipal antes de viajar. Dessa maneira, o visitante pode planejar o passeio para participar das atividades, em vez de chegar à cidade quando as festas já terminaram.

10. Experimentar a gastronomia do interior goiano

São Francisco de Goiás

Conhecer a culinária local também pode fazer parte de um roteiro por São Francisco de Goiás. A cidade possui estabelecimentos de alimentação voltados ao público local e a visitantes, enquanto sua relação com as atividades rurais ajuda a contextualizar a presença da cozinha tradicional do interior.

Uma opção identificada na cidade é o Restaurante Cantinho do Céu, na Rua Lizadoro Gomes de Souza, com serviço de almoço e comida caseira. Entretanto, cardápios, preços e funcionamento podem mudar, especialmente em dias de festas ou feriados. Por isso, vale confirmar as informações diretamente com o restaurante antes da visita.

Quem pretende explorar os sabores regionais também pode procurar pratos característicos da culinária goiana, como galinhada, arroz com pequi e preparações à base de milho, conforme a oferta dos estabelecimentos.

Qual a melhor época para visitar São Francisco de Goiás?

A escolha depende do tipo de viagem. Para conhecer as Cavalhadas, o período tradicional é junho, mas as datas precisam ser confirmadas a cada edição. Em 2026, por exemplo, as apresentações aconteceram nos dias 20 e 21 de junho.

Já para caminhadas pelo Caminho de Cora Coralina, os meses mais secos podem facilitar o planejamento. Ainda assim, o viajante precisa considerar a exposição ao sol, as distâncias entre pontos de apoio e a necessidade de levar água.


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Julia-Carmo
Autor: Júlia Carmo

Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.

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