Parque da Serra de Caldas Novas poderá ganhar teleférico, entrada por Rio Quente e melhorias com concessão

Parque da Serra de Caldas Novas poderá ganhar teleférico, entrada por Rio Quente e melhorias com concessão

Um novo edital foi publicado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) para conceder à iniciativa privada os serviços de uso público e visitação do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN). A proposta prevê contrato de 35 anos e uma série de mudanças na estrutura turística da unidade, entre elas a construção de um teleférico, uma nova entrada por Rio Quente, restaurantes, mirantes e melhorias nas trilhas.

Localizado entre Caldas Novas e Rio Quente, no Sudeste de Goiás, o parque deve receber R$ 221,3 milhões em investimentos ao longo do período de concessão. As intervenções serão implantadas gradualmente e incluem desde a modernização da infraestrutura já existente até a criação de novos atrativos e serviços para os visitantes.

A concessão não transfere o parque para uma empresa privada. A unidade continuará pública, enquanto a Semad permanecerá responsável pela gestão ambiental, fiscalização, proteção territorial, manejo dos recursos naturais e pesquisas científicas.

A futura concessionária ficará encarregada dos serviços ligados aos visitantes e da operação e manutenção das estruturas turísticas previstas no contrato.

Teleférico pode ligar acesso por Rio Quente à região dos mirantes

Parque da Serra de Caldas Novas poderá ganhar teleférico, entrada por Rio Quente e melhorias com concessão

O teleférico é a intervenção de maior porte prevista no projeto. O equipamento deverá partir de uma nova entrada pelo município de Rio Quente e seguir em direção à região próxima ao Mirante dos Urubus. O sistema deverá contar com acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, incluindo cabines adaptadas.

O chamado Setor Teleférico concentra aproximadamente R$ 181,45 milhões dos investimentos previstos. Desse montante, 87,2% estão associados à instalação do próprio equipamento. Pelo cronograma apresentado no projeto, a operação deverá começar depois do sexto ano da concessão. A implantação, entretanto, dependerá das especificações, etapas e aprovações previstas no contrato.

Rio Quente deve ganhar nova entrada para o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN)

Parque da Serra de Caldas Novas poderá ganhar teleférico, entrada por Rio Quente e melhorias com concessão

Atualmente, o acesso regular aos visitantes ocorre pela entrada de Caldas Novas. O projeto estabelece a implantação de outra portaria pela região de Rio Quente. O novo acesso deverá contar com centro de visitantes, recepção, banheiros, balcão de informações, alimentação, loja de souvenirs, estacionamento e praça de acolhimento.

A mudança permitirá que o público chegue ao parque também pelo lado da serra voltado para Rio Quente, ampliando as opções de acesso à unidade de conservação.

Pedra do Amor poderá ter restaurante, eventos e aluguel de bicicletas

Parque da Serra de Caldas Novas poderá ganhar teleférico, entrada por Rio Quente e melhorias com concessão

As obras também alcançam a estrutura utilizada atualmente pelo lado de Caldas Novas. O projeto prevê reforma, restauro e paisagismo do Portal e da Portaria, além de intervenções no Centro de Visitantes. Na região da Pedra do Amor, está previsto um novo receptivo, com restaurante, área para eventos, mirantes e serviço de aluguel de bicicletas.

A Trilha da Cachoeira da Cascatinha e o Mirante do Paredão também deverão passar por melhorias. Outra estrutura planejada é uma praça sensitiva, concebida com elementos naturais e recursos acessíveis para diferentes públicos.

Mirante da Pousada tem projeto de plataforma skyglass

Parque da Serra de Caldas Novas poderá ganhar teleférico, entrada por Rio Quente e melhorias com concessão

Os mirantes existentes no Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN) estão entre os espaços contemplados pela modernização. A proposta prevê estruturas com parapeitos, bancos e lunetas panorâmicas em pontos de observação que atualmente possuem instalações mais simples.

Uma das intervenções de maior destaque está planejada para o Mirante da Pousada, na face da serra voltada para Rio Quente. O projeto inclui uma plataforma do tipo skyglass, com aproximadamente 50 metros quadrados.

O local atualmente possui estrutura rústica e fica distante da portaria principal. O percurso de ida e volta chega a mais de 22 quilômetros, razão pela qual o acesso é recomendado principalmente para ciclistas.

Transporte interno poderá facilitar acesso aos atrativos

O projeto também contempla alternativas de deslocamento dentro do PESCaN, inclusive para facilitar a chegada aos mirantes e atender visitantes com mobilidade reduzida. Entre as possibilidades previstas estão bicicletas convencionais e elétricas, veículos elétricos e passeios em veículos 4×4 e quadriciclos, desde que utilizados em vias apropriadas.

A concessionária também poderá operar recepção, controle de acesso, estacionamentos, alimentação, comércio e instalações de apoio, além de serviços associados ao ecoturismo e ao turismo de aventura.

Arvorismo, rapel e escalada aparecem como atrações opcionais

O projeto apresenta possibilidades de novas atividades de aventura dentro da unidade, entre elas arvorismo, parede de escalada, via ferrata, rapel e rampa para voo livre. Essas estruturas, porém, não estão incluídas entre os investimentos obrigatórios. Elas aparecem como projetos adicionais e poderão ou não ser executadas pela empresa ou consórcio que assumir a concessão.

Qualquer uso turístico da área deverá respeitar as condições aplicáveis à unidade de conservação e as atribuições ambientais que permanecerão sob responsabilidade do Estado.

Ingresso poderá chegar a R$ 60 após a concessão do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN)

A visitação ao Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN) é gratuita atualmente. Caso a concessão avance, o edital permite que a futura concessionária cobre ingresso de até R$ 60 por visitante. O valor funciona como limite tarifário, o que significa que a cobrança efetivamente praticada poderá ser inferior.

O ingresso básico deverá permitir acesso às trilhas, cachoeiras, centros de visitantes, receptivos, banheiros, bebedouros e demais estruturas públicas de visitação previstas. Serviços complementares poderão ter preços próprios. Entre eles estão teleférico, estacionamento, alimentação, passeios guiados e outras experiências oferecidas dentro do parque.

Quem mora em Caldas Novas, Rio Quente ou Marzagão terá direito a desconto de 80% no ingresso de visitação, conforme as condições estabelecidas no modelo de concessão. Também está prevista meia-entrada para idosos, estudantes, professores, pessoas com deficiência, doadores de sangue, medula ou órgãos e beneficiários de programas sociais. Crianças de até 3 anos e outros grupos definidos pelo edital poderão entrar gratuitamente.

Primeira concessão do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN) estava prevista para 2025

O atual projeto sucede uma tentativa de concessão iniciada em setembro de 2025, quando o Governo de Goiás abriu um edital para transferir à iniciativa privada a operação dos serviços de visitação do parque. O primeiro processo terminou sem propostas de empresas interessadas. Naquele modelo, o contrato teria duração de 30 anos e valor estimado de aproximadamente R$ 305,4 milhões.

Na nova configuração, o período de concessão passou para 35 anos e o valor estimado do contrato caiu para cerca de R$ 297,4 milhões. Os investimentos previstos em infraestrutura e serviços ao longo do período são estimados em R$ 221,3 milhões.

Mesmo com a operação turística concedida, o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN) continuará sendo patrimônio público. A proteção da área e a gestão ambiental seguirão com a Semad.

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Parque protege área ligada às águas termais de Caldas Novas e Rio Quente

Criado em 1970, o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN) foi o primeiro parque estadual de Goiás. A unidade possui 12.315,358 hectares e abrange o topo, as cristas, as encostas e outras áreas da Serra de Caldas.

A serra alcança 1.043 metros de altitude e possui formato elíptico, com topo relativamente plano. Sua formação geológica está relacionada a rochas sedimentares submetidas a metamorfismo de baixo grau, originadas em ambiente marinho há cerca de um bilhão de anos.

Movimentos tectônicos ocorridos há aproximadamente 600 milhões e 130 milhões de anos contribuíram para fraturar, arquear e elevar essas rochas, dando origem à configuração atual da serra.

Em 2005, a Serra de Caldas Novas foi incluída entre os sítios geológicos de destaque no Brasil pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos.

Água da chuva participa do fenômeno que origina fontes termais

A importância ambiental do parque está diretamente relacionada ao sistema hídrico que sustenta as águas termais da região. Não existem reservatórios de água quente no interior do PESCaN. A estrutura fraturada das rochas permite que a água da chuva se infiltre profundamente no terreno. Durante esse percurso, ela entra em contato com regiões de maior temperatura associadas ao gradiente geotérmico.

Depois de aquecida e mineralizada, a água retorna à superfície por diferença de pressão. O fenômeno está relacionado às nascentes termais encontradas no ribeirão Água Quente, no lado oeste da serra, além de antigas fontes de Caldas Novas e da Lagoa da Pirapitinga.

O parque também protege nascentes e aquíferos de água fria que alimentam afluentes dos rios Corumbá e Piracanjuba e contribuem para a bacia do Paraná.

Cachoeiras e mirantes estão entre os principais atrativos

O Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN) reúne paisagens características do Cerrado, cânions, trilhas, mirantes e cachoeiras. A disponibilidade de água nas quedas varia de acordo com a estação do ano, especialmente entre os períodos seco e chuvoso.

A Cachoeira da Cascatinha é alcançada por uma trilha de aproximadamente 400 metros em área de vegetação densa. A queda perde vazão durante a estiagem e apresenta melhores condições de água entre novembro e maio.

Na Cachoeira da Confusão, o visitante percorre cerca de mil metros de trilha depois do acesso localizado próximo à portaria. Durante a seca, a queda pode desaparecer, permanecendo o poço.

Já a Cachoeira do Paredão é acessada por uma trilha que parte da região da Confusão. O percurso completo possui aproximadamente 1,5 quilômetro e inclui escada com degraus de cimento e corrimão, além de áreas cercadas por paredões rochosos.

Outro atrativo é a Rua de Pedra, um cânion formado por rochas sedimentares. O trecho final de acesso é feito por uma trilha de cerca de 400 metros.

>> Leia também: Após divulgação da NASA, Serra de Caldas tem atraído turistas de todo o país

Mirantes revelam diferentes faces da Serra de Caldas

O Mirante do Minério fica a aproximadamente 900 metros da região da Rua de Pedra. A partir do acesso à trilha, são pouco mais de 500 metros de caminhada em campo aberto.

Na face voltada para Rio Quente ficam os mirantes da Pousada e do México. Pelo acesso convencional da portaria central, o deslocamento total ultrapassa 22 quilômetros entre ida e volta.

Já a Pedra do Amor aparece durante a subida em direção ao topo da serra, a cerca de 2,1 quilômetros da portaria. O ponto funciona como mirante natural para a cidade de Caldas Novas e está entre as áreas contempladas pelo projeto de modernização.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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