Passagem aérea barata pode virar coisa do passado com IA; entenda

Tecnologia elimina tarifas fixas e calcula valores em tempo real para cada passageiro

Passagem aérea barata pode virar coisa do passado com chegada da IA

Encontrar uma passagem aérea muito barata está deixando de ser fruto de sorte ou de pesquisa exaustiva na internet. Companhias aéreas ao redor do mundo têm adotado sistemas de inteligência artificial (IA) para calcular, em tempo real, o valor de cada assento vendido, substituindo os antigos modelos de precificação baseados em planilhas fixas e faixas tarifárias predefinidas. A mudança já é aplicada por gigantes do setor, como a Delta Air Lines, e promete reduzir a frequência de grandes promoções.

O movimento reflete uma transformação mais ampla na indústria da aviação, que nos últimos anos também eliminou benefícios como a franquia gratuita de bagagem despachada em diversas tarifas. Com a precificação dinâmica impulsionada por algoritmos, analistas do setor avaliam que passagens muito baratas devem se tornar exceção, principalmente nas rotas de maior procura, enquanto viajantes com flexibilidade de datas ainda podem encontrar boas oportunidades.

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Como funciona a precificação de passagem aérea por inteligência artificial (IA)

O modelo tradicional de venda de passagem aérea organiza os assentos em até 27 classes tarifárias, cada uma identificada por uma letra e associada a um número limitado de lugares. Conforme os assentos de uma classe se esgotam, a tarifa seguinte, mais cara, passa a ser oferecida. Esse sistema, usado há décadas pela maioria das companhias aéreas, funciona de forma estática e previsível, o que permitia a viajantes atentos identificar padrões e economizar.

Os novos sistemas de IA para precificação aérea rompem com essa lógica. Em vez de esperar o esgotamento de uma faixa tarifária, os algoritmos analisam continuamente variáveis como demanda por rota, época do ano, preço do combustível, entrada e saída de concorrentes no mercado, cancelamentos de voos e comportamento de compra, ajustando o valor de cada assento de forma quase instantânea.

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Qual o papel da Delta e da Fetcherr nesse processo

A Delta Air Lines é a companhia que mais avançou publicamente nesse modelo, em parceria com a empresa israelense Fetcherr, especializada em algoritmos de previsão de demanda e precificação. Segundo o presidente da Delta, Glen Hauenstein, em apresentação a investidores em 2025, a companhia estabeleceu como meta ampliar a fatia de voos domésticos precificados por IA de 3% para 20%. Até o momento, não há confirmação pública sobre o cumprimento integral dessa meta, o que indica que a expansão do sistema segue em curso.

De acordo com dados divulgados pela própria Fetcherr, os testes iniciais do sistema resultaram em aumento de 9% na receita da companhia e redução de 60% nos processos manuais de precificação. A tecnologia também é usada por outras companhias aéreas, entre elas a Azul, cliente da Fetcherr desde 2022, além de WestJet, Virgin Atlantic e VivaAerobus.

A iniciativa da Delta gerou reação de parlamentares e órgãos reguladores nos Estados Unidos. O senador democrata Ruben Gallego classificou a prática como “precificação predatória”, enquanto o secretário de Transporte dos EUA, Sean Duffy, afirmou que o governo investigaria companhias que utilizassem dados pessoais dos consumidores para individualizar tarifas. Diante da pressão, a Delta enviou carta ao Congresso americano garantindo que não usa e não usará informações pessoais dos clientes para definir preços de forma individualizada, restringindo o uso da IA à análise de fatores de mercado, como demanda e sazonalidade.

O que outras empresas de tecnologia oferecem ao setor aéreo

Além da Fetcherr, outra companhia que vem ganhando espaço nesse mercado é a Volantio, sediada em Atlanta, nos Estados Unidos. Diferentemente dos sistemas focados na venda inicial da passagem, a plataforma da Volantio atua no chamado gerenciamento de receita pós-reserva, ou seja, depois que o bilhete já foi comprado.

Por meio de redes neurais, o sistema identifica voos com alta demanda antes da decolagem e oferece a passageiros com itinerários flexíveis a possibilidade de trocar para voos menos concorridos, geralmente em troca de benefícios como upgrade de assento. Com isso, a companhia aérea consegue revender o lugar liberado por um valor mais alto para outro passageiro interessado em viajar de última hora. A empresa já fechou parceria com a Aeroméxico, que passou a integrar a Plataforma de Re-Commerce da Volantio ao seu sistema de atendimento ao passageiro.

Passagens vão ficar mais caras para todos os viajantes

O avanço da inteligência artificial na precificação aérea deve produzir efeitos distintos conforme o perfil do passageiro. Em rotas de alta demanda, a tendência é que fique cada vez mais difícil encontrar tarifas muito abaixo da média, já que os algoritmos identificam com mais precisão o valor máximo que cada viajante estaria disposto a pagar.

Por outro lado, passageiros com flexibilidade para viajar em períodos de menor movimento e que reservam voos com bastante antecedência tendem a ser beneficiados pelo novo modelo, já que os sistemas de IA também buscam preencher assentos ociosos oferecendo tarifas promocionais a esse público. Para quem não tem flexibilidade de datas, a recomendação de analistas do setor continua sendo comprar a passagem o quanto antes, evitando reservas de última hora.


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Autor: Pollyana Cicatelli

Jornalista especialista em Cultura, Arte e Entretenimento. Com ampla experiência em assessoria de imprensa para eventos, também compôs redações de vários veículos de comunicação. Já atuou como agente de viagens e agora se aventura no cinema como roteirista de animação. Editora e administradora do portal Gazeta Culturismo

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