Propostas discutidas na Alego incluem rotas turísticas, trilhas ecológicas, gastronomia, festas tradicionais e patrimônio cultural em diferentes municípios goianos
Novas rotas turísticas, políticas para trilhas ecológicas e iniciativas de valorização de festas, gastronomia e patrimônio movimentaram a agenda do turismo em Goiás no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, a Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) analisou projetos que alcançam diferentes regiões do estado e segmentos como turismo rural, religioso, cultural, ecológico e gastronômico.
Parte das propostas avançou em abril, quando a comissão aprovou pareceres favoráveis a quatro projetos. Entre eles estão a criação da Rota da Cana, da Rota Turística de Formosa, da Política Estadual de Trilhas Digitais e Turismo Interativo no Meio Rural e da Política Estadual de Apoio às Trilhas e Rotas Ecológicas. O colegiado também recebeu, ao longo do semestre, matérias envolvendo destinos como Mambaí, Abadiânia, Crixás, Orizona, Campos Belos e outros municípios.
➡️Clique aqui e entre no canal do WhatsApp para receber notícias de forma gratuita
Na reunião de abril, os deputados aprovaram por unanimidade parecer favorável ao projeto nº 20269/25, do deputado Antônio Gomide (PT). A proposta cria a Política Estadual de Trilhas Digitais e Turismo Interativo no Meio Rural e prevê o uso de recursos como códigos QR e tecnologias imersivas para apresentar informações e experiências relacionadas ao patrimônio turístico.
Outra matéria aprovada foi a Política Estadual de Apoio às Trilhas e Rotas Ecológicas, também apresentada por Gomide, no processo nº 3202/25. A iniciativa direciona a atenção para atividades ligadas à natureza, segmento presente em diferentes destinos goianos.
A comissão também deu aval à criação da Rota da Cana, prevista no processo nº 13687/25, de autoria do deputado Lucas do Vale (PSD). A proposta integra uma agenda que busca transformar produtos, tradições e características regionais em roteiros capazes de atrair visitantes e movimentar municípios.
Formosa também aparece entre os destinos contemplados. O projeto nº 19681/25, apresentado pelo deputado Cristóvão Tormin (PRD), propõe a criação da Rota Turística de Formosa e recebeu parecer favorável do colegiado.
Outras matérias apresentadas no primeiro semestre relacionam turismo à identidade cultural dos municípios. Uma delas pretende reconhecer Orizona como Capital da Cachaça, enquanto outra propõe conceder a Crixás o título de Capital Goiana do Pequi.
Em Abadiânia, uma proposta busca reconhecer a Rota Gastronômica da BR-060 como patrimônio cultural. Cocalzinho de Goiás aparece nas matérias por meio da Festa da Rapadura. Também chegaram à Assembleia iniciativas relacionadas à Festa da Moagem, em Água Fria de Goiás, à Cavalgada Turma do Chapéu, em Iaciara, e ao Encontro de Carreiros e Cavaleiros de Araçu.
Além dos reconhecimentos individuais, os parlamentares receberam propostas para criar a Política Estadual de Incentivo às Festas Tradicionais Goianas e o Selo Festa Tradicional Goiana. As medidas buscam inserir celebrações realizadas nos municípios nas políticas estaduais relacionadas à cultura e ao turismo.
As manifestações religiosas também ocuparam parte das propostas apresentadas no período. Entre as matérias estão pedidos de reconhecimento da Festa de Nossa Senhora da Guia, em Santa Fé de Goiás, e da Via Sacra Viva e da Procissão do Fogaréu realizadas em Luziânia.
Em São João d’Aliança, três celebrações aparecem nas iniciativas: a Festa do Divino Espírito Santo, a Festa de São Sebastião e as Folias de Santos Reis. Os projetos associam tradições religiosas preservadas pelas comunidades à memória e ao patrimônio cultural do estado.
Na Cidade de Goiás, a Procissão do Fogaréu também integrou a agenda acompanhada pela Comissão de Turismo durante a Semana Santa. A manifestação atrai visitantes para o município histórico e faz parte das tradições religiosas ligadas à antiga Vila Boa.
O primeiro semestre também trouxe propostas relacionadas ao ecoturismo em Goiás. Uma delas prevê a criação da Rota Turística de Mambaí, município conhecido pelos atrativos naturais e localizado no nordeste goiano.
Outra iniciativa trata da proteção do patrimônio geológico do estado e inclui o reconhecimento das formações conhecidas como Chaminés de Fadas, em Campos Belos. Também foi apresentada uma proposta para reconhecer a Caminhada Ecológica como patrimônio histórico, cultural e imaterial de Goiás.
A pesca esportiva apareceu em outra frente. Durante o semestre, a comissão acompanhou a abertura dos principais circuitos estaduais e tratou da modalidade como atividade ligada à movimentação de hospedagem, comércio e serviços nos municípios próximos a rios e lagos. Entre as propostas apresentadas está a antecipação do fim da piracema exclusivamente para a pesca esportiva na modalidade pesque e solte.
A realização da etapa brasileira da MotoGP, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, colocou a estrutura turística da capital entre os temas acompanhados pelo colegiado. O planejamento considerou uma estimativa de cerca de 200 mil visitantes, segundo o balanço divulgado pela Alego.
A movimentação levou à preparação de setores ligados à hospedagem, atendimento e demais serviços da cadeia turística. A dimensão do evento colocou o turismo esportivo entre as frentes acompanhadas pela comissão no semestre, ao lado de segmentos tradicionais do estado.
A relação entre turismo e mercado de trabalho também apareceu no Fórum de Guias de Turismo, realizado em maio no Palácio Maguito Vilela. O encontro reuniu profissionais para discutir a atividade e abordou o tema “Visão de mundo na construção de experiências no turismo”.
No campo cultural, uma lei de autoria do deputado licenciado Coronel Adailton (SD), presidente da Comissão de Turismo, incluiu a Semana Cultural da Italianidade, realizada em Nova Veneza, no Calendário Cívico, Cultural e Turístico de Goiás.
A programação integra as manifestações relacionadas à herança italiana preservada pelo município e passa a fazer parte formalmente do calendário estadual. A medida se soma aos projetos apresentados para reconhecer festas, produtos, manifestações religiosas e características próprias de diferentes cidades goianas.
A Comissão de Turismo é presidida por Coronel Adailton, que esteve licenciado durante parte do semestre. Nesse período, o vice-presidente Ricardo Quirino (Republicanos) assumiu o comando do colegiado. Pelo Regimento Interno da Alego, cabe à comissão analisar políticas relacionadas aos polos turísticos, discutir a captação de recursos e promover ações voltadas ao setor.
As propostas para ampliar rotas e produtos turísticos surgem em um cenário no qual Goiás recebeu 741 mil viagens em 2024, o equivalente a 3,7% dos deslocamentos nacionais, resultado que colocou o estado como o 8º destino mais visitado do país. O fluxo recebido superou as 634 mil viagens realizadas por moradores goianos no mesmo ano. Entre 2023 e 2024, porém, o número de viagens feitas a partir de Goiás caiu 17%, passando de 764 mil para 634 mil. Mesmo com a redução, o volume permaneceu acima das 727 mil viagens registradas em 2019, antes da pandemia.
Os números também ajudam a identificar quais segmentos podem movimentar destinos contemplados pelas propostas analisadas na Assembleia. No Centro-Oeste, natureza, ecoturismo e aventura lideraram as preferências das viagens de lazer, com 33,9%, enquanto cultura e gastronomia responderam por 23,6%.
Em Goiás, 90% das viagens tiveram finalidade pessoal, e o lazer representou 29,5% desses deslocamentos. O impacto econômico também é relevante: as viagens movimentaram R$ 906 milhões no estado em 2024, enquanto o gasto médio diário chegou a R$ 264. O turista que visitou Goiás desembolsou, em média, R$ 1.750 por viagem, valor que colocou o estado na 16ª posição nacional quando considerado o gasto recebido por visitante.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Jornalista e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fascinada pelas narrativas do cinema, das séries, dos games e da literatura.
Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.