O que acontece com o corpo ao passar por uma longa viagem de avião? Especialistas alertam sobre cuidados

Médicos explicam por que o organismo sofre durante viagens aéreas prolongadas e indicam medidas que ajudam a reduzir riscos e desconfortos

O que acontece com o corpo ao passar por um voo longo Especialista alerta sobre cuidados

Viajar por muitas horas de avião pode provocar dor de ouvido, inchaço nas pernas, ressecamento das mucosas, alterações no sono e fadiga. Esses sintomas costumam surgir durante ou após voos de longa duração porque o organismo precisa se adaptar às mudanças de pressão na cabine, à baixa umidade do ar, à permanência prolongada na mesma posição e, em viagens internacionais, à troca de fusos horários.

Embora esses efeitos sejam comuns, alguns exigem atenção, especialmente quando envolvem a circulação sanguínea. A trombose venosa profunda (TVP) está entre as complicações mais preocupantes em viagens prolongadas, principalmente para pessoas com fatores de risco como idade avançada, gestação, obesidade, histórico de trombose ou varizes. O Ministério da Saúde orienta que a prevenção passa por hidratação, movimentação frequente e avaliação médica para quem pertence aos grupos de maior risco.

➡️Clique aqui e entre no canal do WhatsApp para receber notícias de forma gratuita

Por que os ouvidos doem durante a aterrissagem?

A dor de ouvido durante a descida da aeronave ocorre devido à diferença de pressão entre o ambiente externo e o ouvido médio. Mesmo com a cabine pressurizada, o corpo precisa equilibrar essa variação por meio da tuba auditiva, estrutura que liga o ouvido à garganta.

Quando há congestão causada por gripe, rinite, alergias ou sinusite, esse mecanismo pode não funcionar adequadamente.

“É importante viajar com as vias nasais desobstruídas para facilitar a equalização da pressão”, explica Oswaldo Lércio Cruz, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês.

Entre as estratégias recomendadas estão mascar chiclete, bocejar, engolir saliva ou beber água durante a decolagem e, principalmente, na aterrissagem. Medicamentos descongestionantes ou antialérgicos devem ser utilizados apenas com orientação médica.

>> Leia também: 78% dos turistas 60+ viajam pelo menos duas vezes por ano, aponta pesquisa

Como reduzir o risco de trombose ao viajar de avião?

Permanecer sentado durante várias horas dificulta o retorno do sangue das pernas para o coração, favorecendo a formação de coágulos. Em situações graves, esses coágulos podem migrar para os pulmões e provocar uma embolia pulmonar, considerada uma emergência médica.

Segundo André Echaime Vallentsits Estenssoro, cirurgião vascular do Hospital Sírio-Libanês, algumas medidas ajudam a reduzir esse risco.

Para reduzir o risco, é importante manter uma boa hidratação, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, movimentar as pernas com exercícios de flexão e extensão dos tornozelos e das panturrilhas e, sempre que possível, levantar e caminhar a cada uma ou duas horas. Em alguns casos, o uso de meias de compressão também pode ser indicado“, afirma.

O Ministério da Saúde recomenda que passageiros evitem permanecer mais de duas horas completamente imóveis, utilizem roupas confortáveis e mantenham boa ingestão de água durante a viagem. O uso preventivo de anticoagulantes não é indicado de forma rotineira e depende de avaliação médica individual.

Por que o ar do avião provoca ressecamento durante a viagem?

A umidade relativa do ar dentro da cabine costuma ser significativamente inferior à encontrada em ambientes terrestres. Como consequência, olhos, nariz, garganta e pele tendem a ficar ressecados ao longo da viagem.

Para Elie Fiss, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês, essa condição reduz parte da proteção natural do sistema respiratório.

Quando as mucosas ficam ressecadas, elas perdem eficiência na defesa contra vírus e bactérias“, explica.

A recomendação é aumentar o consumo de água antes, durante e depois do voo. Colírios lubrificantes podem aliviar o desconforto ocular, enquanto a higiene frequente das mãos ajuda a diminuir o risco de infecções.

Pessoas com asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) também devem manter o tratamento prescrito, já que a menor disponibilidade de oxigênio na cabine pode intensificar sintomas respiratórios.

O que causa o jet lag após viagens internacionais de avião?

O jet lag acontece quando o relógio biológico permanece sincronizado com o horário do local de origem, enquanto o destino já segue outro ciclo de luz e escuridão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que alterações no ritmo circadiano podem provocar fadiga, dificuldades para dormir e mudanças de humor após viagens internacionais.

Quando a gente muda bruscamente de fuso horário, o nosso relógio interno fica dessincronizado com o horário local”, explica Lucio Huebra, neurologista e especialista em sono do Hospital Sírio-Libanês.

Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • fadiga
  • insônia
  • sonolência durante o dia
  • alterações de humor
  • mudanças no apetite

Para acelerar a adaptação, o especialista recomenda ajustar gradualmente os horários de sono antes da viagem e buscar exposição à luz natural ao chegar ao destino.

Como a alimentação influencia o bem-estar durante o voo?

A combinação entre altitude, pressurização da cabine e longos períodos sentado pode tornar a digestão mais lenta e favorecer desconfortos gastrointestinais.

Refeições leves costumam ser melhor toleradas durante os voos“, afirma Daniela Castanho, nutricionista do Hospital Sírio-Libanês.

A orientação é priorizar alimentos de fácil digestão, como frutas, carnes magras e preparações com menor teor de gordura, além de reduzir o consumo de alimentos que favorecem a formação de gases. A hidratação contínua também contribui para diminuir parte dos desconfortos relacionados à viagem.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Leia Mais Sobre
Design sem nome (2)
Autor: João Pedro Oliveira

Apreciador de boas histórias, filmes e games. Repórter no portal Gazeta Culturismo.

Copyright © 2024 // Todos os direitos reservados.